Mais um ano chegou!

Então, mais um ano chegou!
Objetivamente, vendo de maneira bem "fria" mesmo, é só uma mudança no calendário, uma convenção humana. Passamos do dia 31 de dezembro para o dia 1 de janeiro: ano novo!
Mas como a vida humana, que é irrepetível, comporta ciclos, é natural que percebamos, em nós mesmos, diversos sentimentos e reações diante dessa mudança.
Assim, alguns ficam tristes, até depressivos, sentindo um grande "vazio".
Outros são tomados de uma grande euforia, empolgação, até uma super-agitação neste tempo.
Como os extremos são perigosos, o ideal é viver no equilíbrio.
Mas como alcançá-lo ?
Inicialmente, é bom fazer, em oração, diante do Senhor, uma retrospectiva de como se viveu o ano que passou. Uma auto-análise, em Deus, ajuda a planejar a vivência do próximo ano.
Todavia, por mais que se planeje de forma coerente, sabemos que sempre haverá as alterações decorrentes das vicissitudes da vida humana, as quais deverão ser enfrentadas com serenidade.
Sob o meu ponto de vista, o mais importante é fazer tudo em oferta ao Senhor: Se você trabalhará muito no ano que se inicia, oferte essa labuta a Deus. Se vai conviver mais com sua família, porque percebeu que esteve ausente, ofereça ao Senhor também. Assim, tudo na vida será transformado em oração pelo Espírito de Deus, que faz novas todas as coisas, inclusive verdadeiramente novo o ano que chegou.
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
Imagem: http://www.sxc.hu/photo/750005. 
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente: 
Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com  

O Coração de Jesus: nosso lugar!

Há momentos na vida em que somente um "lugar" nos acolhe realmente, verdadeiramente, sem nos questionar, sem nos cobrar, sem nos acusar!
Falo do Sagrado Coração de Jesus. Coração amável, santo, puro, misericordioso.
A vivência neste mundo, em que ferimos e somos feridos, somente tem sentido se nos lançamos constantemente no "Lugar do Amor", naquele Coração que se deixou traspassar pela lança do soldado romano para que estivesse aberta uma porta larga por onde eu e você pudéssemos sempre entrar. 
Este é o motivo da Cruz: eu e você. A Cruz de Cristo não foi vã, foi para que eu e você hoje possamos adentrar no Coração de Jesus, "Lugar da Paz", para aí viver sob essa "Tenda do Amor, da Misericórdia".
Ao contrário do que muitos pensam e afirmam, não precisa purificar-se, tornar-se justo antes, para aí entrar. 
É precisamente o oposto, como é toda a lógica do Evangelho: Quanto mais "sujos" eu e você estivermos, mais seremos acolhidos nesse Coração Santo.
Aliás, quem disse isto foi o próprio dono desse Coração:
"Jesus replicou: 'Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores'." (Mc 2, 17).
Hoje, Jesus chama a mim e a você para adentrarmos, do jeito em que estamos, nesse Coração Santo, que tanto amou e ama o mundo!
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

Vídeo: Canção Coração Santo, cantada pelo Pe. Reginaldo Manzotti (youtube.com)  
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Como ser santo hoje ?

Como é bom acolher a Palavra de Deus que vem por meio daqueles que viveram o amor ao Senhor e ao próximo de forma plena, perfeita, por isto foram e são considerados Amigos de Deus, já usufruindo, na eternidade, de sua presença: Santos!
Eis o que diz São Josemaria Escrivá, santo destes tempos, canonizado pelo Beato Papa João Paulo II:

"Deus não te arranca do teu ambiente, não te retira do mundo, nem do teu estado de vida, nem das tuas ambições humanas nobres, nem do teu trabalho profissional... mas, aí, te quer santo! (Forja, 362)

Convencei-vos de que a vocação profissional é parte essencial, inseparável, da nossa condição de cristãos. O Senhor vos quer santos no lugar em que vos encontrais, no ofício que escolhestes, seja qual for o motivo: todos me parecem bons e nobres - enquanto não se opuserem à lei divina - e capazes de ser elevados ao plano sobrenatural, isto é, enxertados nessa corrente de Amor que define a vida de um filho de Deus.
Temos que evitar o erro de pensar que o apostolado se reduz ao simples testemunho de umas práticas piedosas. Tu e eu somos cristãos, mas ao mesmo tempo, e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com umas obrigações claras que temos de cumprir de um modo exemplar, se nos queremos santificar de verdade. É Jesus Cristo quem nos incita: Vós sois a luz do mundo (Mt 5, 14). (Amigos de Deus, 60-61)". (Grifou-se).
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom. 
 
Imagem: http://www.opusdei.org.br/. Nas citações desta obra ou de parte dela, 
inclua obrigatoriamente: Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

As coisas terrenas

Será que devemos viver as coisas terrenas com pouca intensidade ? Elas são boas ou ruins ?
Quem trilha um caminho em Deus já deve ter se deparado com estes questionamentos. Na própria vida de oração, mediante a qual nos voltamos para aquele que nos transcende, que está além de nós mesmos, podemos pensar que só o Céu importa.
Realmente, somos cidadãos do Céu, pois a vida aqui vai passar, e viveremos por toda a eternidade em Deus. De Deus, viemos, nele vivemos e para ele voltaremos um dia.
Mas e as coisas terrenas (seculares), devemos desprezá-las ?
Vejamos o que diz o Livro do Gênesis:
"Deus chamou ao elemento árido terra, e ao ajuntamento das águas mar. E Deus viu que isso era bom." (Gn 1, 10) (Grifei).
O autor sagrado conclui cada versículo que narra a criação com esta expressão: "E Deus viu que isso era bom."
Esta afirmação mostra a bondade das coisas. Em si, elas não são más.
Portanto, tudo o que fora criado por Deus, pelas palavras do próprio Criador, é bom.
O que pode ocorrer é o mau uso das coisas pelo ser humano.
Dou um exemplo: O trabalho, em si, é bom, mas se, ao trabalhar, alguém desrespeita os outros, não age com ética, acaba por corromper aquilo que é bom, que fora criado por Deus.
E sobre o homem e a mulher, o que Deus falou após criá-los ?
Vamos ao Gênesis novamente:
"Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o sexto dia." (Gn 1, 31) (Destaquei).
Somente depois de criar o homem e a mulher é que Deus "superlativiza" o adjetivo "bom". Agora não é somente "bom", é "muito bom".
Isto mostra que a presença do homem e da mulher em meio a tudo que Deus criou é considerado, pelo próprio Deus Criador, como algo muito bom.
Viver aqui deve ser algo muito bom para qualquer pessoa. Assim Deus quis desde o princípio, porque ele veio para nos dar a abundância da vida, como disse o próprio Jesus:
"Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância." (Jo 10, 10).
Esta abundância não é somente a vida eterna, mas a vida aqui também.
A vida bem vivida aqui, na família, no trabalho, na Igreja, transbordará por toda a eternidade, quando Deus será abundante em todos nós, quando "Deus será tudo em todos" (cf. I Cor 15, 28).
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
 
Imagem: Celebração do Batismo da Clara. 
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Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Quem não cuida da própria família renega a fé!

Antigo e sempre atual dilema: cuido das coisas de Deus ou da minha família ?
Quem já não se deparou com esta pergunta ?
Inicialmente, não vejo como a própria família não seja uma "coisa de Deus". Aliás, é uma essencial "coisa de Deus" para quem vive o estado de vida do matrimônio, pois o casamento é uma vocação, um chamado de Deus.
Portanto, não há oposição entre "as coisas de Deus" e o cuidado da família. Na verdade, este cuidado faz parte daquelas "coisas", do chamado de Deus para cada um de nós leigos que abraçamos a vocação ao matrimônio.
É triste, muito triste, ouvir pessoas que dizem frases do tipo: "Olha, deixe um pouco sua família e dedique-se mais à evangelização", ou: "Você precisa estar mais na obra, mais presente aqui, mesmo que isto lhe custe tempo com a família".
Sou bem sincero, meu irmão, minha irmã: Não consigo imaginar Deus, que é amor (cf. I Jo 4, 8), que une um homem e uma mulher no Amor, chamando-os à bela vocação do matrimônio, que cria filhos com a colaboração desse homem e dessa mulher e que, de repente, diz: "Não, você não deve ter muito tempo com os seus, com sua família!"
Seria uma tremenda incoerência!
Deus não é assim. Seus dons e o chamado que ele nos faz, inclusive ao matrimônio, são irrevogáveis (cf. Rm 11, 29).
Também não vejo que possa haver maior evangelização do que amar a própria família, dedicando tempo a ela.
O povo dos grandes eventos, onde casais evangelizam, não acreditará num pai de família que não convive com seus filhos, que não os ama passando tempo com eles e a esposa, mesmo que esse pai fale bem bonito do amor de Deus! O testemunho arrasta ou escandaliza!
Se você ainda tem dúvidas do que escrevi, deixo que o próprio São Paulo, um celibatário (alguém que não casou, que não constituiu família de sangue), fale, inspirado pelo Espírito Santo, ao seu coração:
"Se alguém não cuida dos seus, e sobretudo dos da própria casa, renegou a fé e é pior do que um incrédulo" (I Tm 5, 8).
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

Imagem: Eu e a Clara, no meu primeiro Dia dos Pais
(numa maravilhosa troca de fraldas!). 
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Autor: Álvaro Amorim, em anunciodaverdade.blogspot.com

É possível encontrar a Deus no trabalho ?

Você já percebeu que há pessoas que pensam que em determinadas realidades da vida não se pode encontrar a Deus ?
Isto se torna mais claro em relação ao trabalho. É "clássica" aquela expressão: "Pronto! Já acabou meu trabalho hoje, e agora vou me encontrar com o Senhor, orando um pouco!"
Dá vontade de perguntar: "Escuta, mas você trabalha no tráfico de drogas ?! Sim, porque se você não consegue encontrar a Deus no seu trabalho é porque esse trabalho deve ser do Maligno!"
É óbvio que em todo trabalho digno, realizado com dedicação e honestidade, ofertado ao Senhor, encontramos a Deus! Realizamos esta experiência do encontro com o Sagrado em meio às atividades cotidianas.
Na verdade, aquelas pessoas necessitam de formação, segundo a Doutrina Social da Igreja, tão enriquecida pelo Beato Papa João Paulo II.
Precisam também viver esta Palavra: "Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens" (Cl 3, 23).
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

Imagem: http://morguefile.com/archive/display/41012 
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Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Você trabalha assim ?

“Não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração”.
Veja, meu querido irmão, minha querida irmã, o modo como todo cristão deve trabalhar, nas palavras daquele que melhor escreveu sobre este tema, São Josemaria Escrivá:
"Trabalhemos, e trabalhemos muito e bem, sem esquecer que a nossa melhor arma é a oração. Por isso, não me canso de repetir que temos que ser almas contemplativas no meio do mundo, que procuram converter o seu trabalho em oração. (Sulco, 497).
Persuadi-vos de que não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração. É só oferecê-lo e pôr mãos à obra, que Deus  nos escuta e nos alenta. Alcançamos o estilo das almas contemplativas, no meio do trabalho cotidiano! Porque nos invade a certeza de que Ele nos olha, ao mesmo tempo que nos pede um novo ato de autodomínio: esse pequeno sacrifício, o sorriso para a pessoa inoportuna, esse começar pela tarefa menos agradável, mas mais urgente, o cuidar dos pormenores de ordem, com perseverança no cumprimento do dever, quando seria tão fácil abandoná-lo, o não deixar para amanhã o que temos que terminar hoje: tudo para dar gosto a Ele, ao nosso Pai-Deus! E talvez sobre a tua mesa, ou num lugar discreto que não chame a atenção, mas que te sirva como despertador do espírito contemplativo, colocas o crucifixo, que já é para a tua alma e para a tua mente o manual onde aprendes as lições de serviço. Se te decides, sem esquisitices, sem abandonares o mundo, no meio das tuas ocupações habituais, a enveredar por estes caminhos de contemplação, logo te sentirás amigo do Mestre, com a divina incumbência de abrir as sendas divinas da terra à humanidade inteira. Sim. Com esse teu trabalho, contribuirás para a extensão do reinado de Cristo em todos os continentes. E suceder-se-ão, uma após outra, as horas de trabalho oferecidas pelas longínquas nações que nascem para a fé, pelos povos do Oriente impedidos barbaramente de professar com liberdade as suas crenças, pelos países de antiga tradição cristã, onde parece ter obscurecido a luz do Evangelho e as almas se debatem entre as sombras da ignorância... Então, que valor não adquire essa hora de trabalho!, esse continuar com o mesmo empenho por mais algum tempo, por mais alguns minutos, até terminar a tarefa! De um modo prático e simples, convertes a contemplação em apostolado, como uma necessidade imperiosa do coração, que pulsa em uníssono com o dulcíssimo e misericordioso Coração de Jesus, Senhor Nosso." (Amigos de Deus, 67).
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

Imagem: http://www.sxc.hu/photo/566058
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Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Shalom: 29 anos de Paz!

Hoje, dia 9 de julho de 2011, nossa Comunidade Católica Shalom completa 29 anos. Que alegria, que Obra Nova para um Novo Tempo! Que carisma autêntico, criado por Deus!
Louvo ao Senhor Jesus Cristo por ter sido criado Shalom, por ter uma família Shalom, por ser consagrado a Deus neste carisma!
É tempo de alegria e responsabilidade, para que o carisma seja difundido, não somente geograficamente, mas para crescer na missão de fazer o homem e a mulher de hoje conhecerem mais a Deus, terem a experiência de entrar no Coração traspassado de Jesus, lugar da Paz, do Amor, da Misericórdia!
Parabéns a nós todos, não por nossos méritos, que não temos, mas por termos dado um "sim", mesmo fraco, à escolha, à eleição de Deus!
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
Imagem: Moysés (fundador do Shalom), eu, a Sabryna e a Emmir (co-fundadora do Shalom), no dia 12 de abril de 2007, dia da nossa consagração, na Catedral Metropolitana de Fortaleza.
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente: Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Como você está ?

O pastoreio, o cuidado de almas é realmente desafiante!
Ultimamente tenho meditado sobre como existe uma tendência, no exercício dessa missão, a olhar para o que a pessoa pastoreada faz ou deixa de fazer, ao invés de se olhar para a pessoa mesma, para o seu coração, como faz Jesus com cada um de nós.
Dou um exemplo: Quando alguém está ausente do grupo de oração, da célula comunitária ou do ministério, seja por qual motivo for, pode acabar ouvindo de sua autoridade (coordenador ou formador) o seguinte questionamento: "Você tem faltado muito! O que foi que aconteceu ?"
Os dois verbos empregados no exemplo acima referem-se a ações: faltar e acontecer. A pergunta tem como foco o agir, o fazer, não o estar, não o ser!
Haverá uma grande diferença se a pergunta for: "Como você está ?"
Veja: mudou totalmente a abordagem. Não se cobrou uma postura, um "desempenho" ("você tem faltado muito!), nem se buscou investigar um fato ("o que foi que aconteceu ?"), mas o olhar foi voltado para a pessoa, para o seu coração, com amor, exatamente como Jesus fez com o jovem rico: "Jesus fixou nele o olhar, amou-o" (Mc 10, 21).
Todos sabemos que aquele jovem (se é que era jovem, pois a narração do Evangelho não diz) estava cheio de orgulho, dizendo a Jesus que já vinha praticando os mandamentos desde sua mocidade. Todavia, até o pior dos pecados, o orgulho, não provocou em Jesus outra reação a não ser o amor, que foi derramado pelo olhar fixo do Senhor naquela pessoa, aquele olhar detido, parado, que busca ver a alma, o coração, que procura tocar com todo o respeito e carinho o mistério da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus.
Isto sim é pastoreio! Isto sim é cuidado de almas! Não uma cobrança "empresarial" de resultados, de frequência, de posturas, de atitudes. Valoriza-se, ao contrário, o "ser" e não o "fazer". É a "famosa" primazia do ser que prevalece.
Para quem cuida de almas, vale a pena acolher o que diz São Josemaria Escrivá:
"Quando estiveres com uma pessoa, tens de ver uma alma: uma alma que é preciso ajudar, que é preciso compreender, com quem é preciso conviver e que é preciso salvar" (Forja, 573).
E, como se sabe, só o Amor, que é o próprio Jesus, salva!
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

Imagem: www.everystockphoto.com.
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Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

A urgente necessidade de formação das famílias e da realidade do trabalho

As Novas Comunidades, "nova primavera para a Igreja", segundo disse o Beato Papa João Paulo II, surgiram como uma resposta de Deus ao clamor da Igreja por um novo Pentecostes, súplica feita pelo Beato Papa João XXIII no século passado.
De lá para cá, houve uma verdadeira revolução renovadora nos fieis, com acertos e erros, é claro.
Hoje, faz-se necessária uma nova revolução, um revolver-se para dentro, um voltar-se para as realidades que formam a sociedade: a família e o trabalho.
Com certeza, por terem surgido tão logo após o Concílio Vaticano II, as Novas Comunidades apresentaram, em seus primórdios, tendências clericais, isto é, uma tentativa de formarem-se seguindo o modelo da hierarquia da Igreja. A própria nomenclatura adotada revelava isto.
Vou ser mais claro: Não era difícil (e ainda hoje se vê!) o uso de palavras próprias às realidades do clero ou da vida religiosa, como: "profissão dos votos", "regras", "noviciado".
Para aquelas Novas Comunidades que foram reconhecidas pela Santa Sé, a Igreja pediu que fosse adotada nova nomenclatura, para que não fosse mantida essa "clericalização", pois, como se sabe, as palavras devem revelar a essência das realidades.
Assim, algumas Novas Comunidades deixaram aquele processo de "clericalização" para viverem a bela vocação laical, haja vista serem formadas, em sua imensa maioria, por leigos. Veja-se o que afirmou o Beato Papa João Paulo II na Carta às Famílias:
"Casar-se permanece a vocação ordinária [comum, normal, habitual] do homem, que é abraçada pela maior porção do Povo de Deus." (Carta às Famílias, 18).
Portanto, acolhendo essa direção da Santa Sé, é vital que as Novas Comunidades, segundo o carisma de cada uma, formem, no Espírito, as realidades que identificam essa imensa maioria de seus membros: a família e o trabalho.
Infelizmente, a maior parte das Novas Comunidades tem, em sua estrutura, no máximo, projetos para essas dimensões da vocação laical. Não há uma densa formação intracomunitária voltada para essas realidades, inobstante, como já fora dito, as Novas Comunidades serem formadas, como a sociedade, sobretudo por leigos.
Aliás, a maioria deve ser de leigos mesmo. Isto porque, desde o princípio, a vocação que o próprio Deus quis como "maioria" é a de leigos, que formam família de sangue, que trabalham no mundo: 
"Deus os abençoou [a Adão e Eva] e lhes disse: 'Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a'." (Gn 1, 28);
"Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, une-se à sua mulher, e eles se tornam uma só carne." (Gn 2, 24);
"Vós sois o sal da terra [...] Vós sois a luz do mundo [...] Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus." (Mt 5, 13-16).
Obviamente, não se critica a vontade que as Novas Comunidades têm de ofertar sacerdotes para a Igreja e celibatários para o Reino dos Céus. De modo algum! Todavia, é triste ver como as realidades da família e do trabalho são pouco tratadas na formação intracomunitária de várias Novas Comunidades. É, no mínimo, uma desproporção, um desequilíbrio em relação ao número de famílias, de leigos, de profissionais, de trabalhadores que as compõem.
Muito belo é acolher o que o Papa Bento XVI escreveu em sua primeira encíclica:
"O dever imediato de trabalhar por uma ordem justa na sociedade é próprio dos fieis leigos, os quais, como cidadãos do Estado, são chamados a participar pessoalmente na vida pública." (Deus Caritas Est, 29).
E como os fieis leigos vão desempenhar bem sua vocação na sociedade, vão "trabalhar por uma ordem justa na sociedade", se a dimensão do trabalho, inerente à sua vocação, não é formada ?
Por fim, na Carta às Famílias, afirmou o inesquecível Beato Papa João Paulo II:
"Seguindo a Cristo que 'veio' ao mundo 'para servir' (Mt 20, 28), a Igreja considera o serviço à família uma das suas obrigações essenciais." (Carta às Famílias, 2).
Que as Novas Comunidades, surgidas no seio da Santa Mãe Igreja, desejosas de viverem em plena unidade com a Santa Sé, prestem também este fundamental serviço às famílias, dedicando densa formação àquelas que são "Igrejas domésticas"!
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
Imagem: Eu e a Sabryna em nossa lua-de-mel em Guaramiranga.
Nas citações desta obra ou de parte dela,
necessariamente deve ser incluído:
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