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O mundo precisa de Pai

Nunca foi tão necessária a presença do pai na família como hoje em dia.
Cheguei a esta conclusão após ver rapazes, meninos totalmente dependentes, sem autonomia, carentes, fracos de personalidade, incapazes de tomar decisões, de assumir responsabilidades, como, por exemplo, de abraçar a vocação ao matrimônio, de acolher e educar filhos, enfim, de serem aquilo para o qual Deus os criou: homens.
É bastante clássica aquela incompleta formação familiar: mãe, avó, duas tias e um menino. Pobre menino sem pai! A família está cheia de gente, mas incompleta, pois falta alguém essencial.
É óbvio que, em caso de morte do pai, não se pode exigir nada.
Todavia, refiro-me à tão comum situação de ausência voluntária do pai.
São realidades em que o homem separa-se da família, por exemplo. Sim, nunca um homem consegue separar-se somente da mulher. Quando a deixa, deixa também os filhos e os outros familiares. Mesmo tentando ser presente, indo buscar no colégio, saindo para almoçar, convivendo no fim-de-semana, não é a mesma coisa. É bem diferente de dormir sob o mesmo teto, de acordar juntos, de estar sempre por perto.
Rompem-se vínculos nunca restauráveis enquanto perdurar a separação. É inevitável.
Há também os casos de "presença ausente". São as situações em que o pai mora com a família, está ali todo dia, mas não participa, não interfere no processo formativo-educativo familiar. Prefere ocupar-se de atividades que não requerem tanto esforço, paciência, que necessitam de um desinstalar-se de si mesmo, de sair do seu comodismo, da sua preguiça.
Falo do pai que deixa tudo a cargo da mãe, das tias, dos outros. Não conversa com os filhos, não "se mete" em nada. Faz as compras, paga as contas, e só!
Não sabe o que os filhos fazem ou deixam de fazer, não para diante deles. Aliás, nem olha direito para eles e para a mulher.
Na maioria dos casos, passa a vida no "templo" do bar, cultuando o deus "alcoolismo", vivendo na "comunidade dos ociosos, dos irresponsáveis", daqueles que só sabem fugir. Diante de qualquer problema ou contrariedade, foge, foge, foge das responsabilidades.
É fraco, nada decide, passa o tempo sendo levado pelos instintos, "joguete das ondas" (cf. Ef 4, 14).
O que isto gera nos filhos ?
Não sou psicólogo (na minha família, quem é psicóloga é minha irmã Isabelle), mas nessas "andanças", antes de conhecer Jesus, vi muita menina que se jogou no sexo desenfreado, bem nova mesmo, para suprir a carência do pai. Procurou em outros homens a figura paterna. Algumas até me confidenciavam isto: "Fui pra farra depois que meu pai se separou da gente!"
No menino, a ausência paterna gera, desculpe a forte expressão: um inútil!
Sim, quantos meninos viram rapazes, homens incapazes de assumir grandes responsabilidades!
Então esse rapaz casa, e a mulher fica "louca", queixando-se para todo mundo: "Ah, meu Deus, se não for eu dentro daquela casa! O fulano não faz nada, tudo sou eu que tenho que tomar a iniciativa, que tenho que resolver as coisas, que tenho que empurrá-lo sempre. Até para chamar um garçom num restaurante, sou eu. Quando a gente vai fechar um negócio, se eu não perguntar nada para o vendedor, se eu não pechinchar (pedir desconto), a gente compra caro, mas ele não tem coragem de abrir a boca! Que homem passivo!"
É verdade! É a triste verdade!
A ausência do pai e a super-presença da mãe geraram esse pobre inútil. Ele foi acostumado a ver a mãe, que é mulher, resolvendo tudo, tomando a iniciativa, e onde estava o homem (pai) para resolver ? Não estava!
Não tem jeito ? Claro que tem jeito, sim!
Primeiramente, esse homem deve buscar o auto-conhecimento, e admitir quem ele é. Não adianta disfarçar, como, por exemplo, um homem que eu conheço que diz não ter participado do processo formativo-educativo dos filhos porque viajava muito a trabalho. Sim, mas quando retornava, mesmo que fosse só por um dia na semana, ficava com os filhos, educava-os, amava-os ? Não, ia para o bar! Passava o tempo livre embriagado. Será que foi ausente da vida familiar pelas viagens mesmo ?
A questão não é a quantidade, é a qualidade.
Tenho uma prima que casou com um oficial da Marinha que passava meses no mar. Quando ele voltava para casa, era todo das duas filhas e da mulher. Hoje as filhas desse casal são pessoas muito equilibradas, casadas, com filhos, profissionais, responsáveis, não foram sexualmente promíscuas, não têm vícios. Por quê ? O pai foi efetivamente presente, mesmo tendo o desafio das viagens a serviço. Viveu com qualidade os períodos em que estava com a família.
Em segundo lugar: o que fazer quando se percebe assim ? Basta se perceber e pronto ?
Eu pergunto: alguém consegue mudar-se sozinho ? Quantos bons propósitos eu e você fizemos na vida que não deram em nada ? Sabe por quê ? Para algo tão grande, tão forte, tão enraizado como essa "cultura da inutilidade", só algo maior, mais forte para vencê-la.
E quem é maior que o homem ? Deus, só Deus!
Portanto, contando com a graça de Deus, que sempre está disponível, pois Deus é sempre amor (cf. I Jo 4, 8), esse homem pode deixar transformar-se, passando a ser um homem de verdade, aquilo para o qual Deus o criou, deixando de ser ausente da vida dos seus, passando a ser um homem de Deus: "Se alguém não cuida dos seus, e sobretudo dos da própria casa, renegou a fé e é pior do que um incrédulo (I Tm 5, 8).
E no que a mulher pode ajudar nesse processo ?
Minha irmã, deixe que ele faça, que ele tome a iniciativa, que ele aja como homem, mesmo que, no início, seja um fiasco, um "desastre"!
Certa vez, uma mulher, chorando, me disse que seu marido não trocava nem o botijão de gás da cozinha. Era ela quem fazia.
Eu disse para ela: "Minha irmã, da próxima vez que o gás acabar, você não vai trocá-lo", ao que ela retrucou: "Mas, Álvaro, nós vamos ficar sem almoço!"
Eu, então, lhe disse: "Não tem problema! Você aproveita e perde aqueles 2 quilinhos que você quer perder!" (Toda mulher acha que precisa perder esses 2 benditos quilinhos, meu Deus!).
Ela sorriu e foi para casa.
Algum tempo depois, quando eu estava dando uma formação, vi aquela mulher lá atrás, sentada.
No final, ela me procurou e disse: "Álvaro, o fulano, está mudando! Eu não só deixei de trocar o gás, mas de colocar combustível no carro, de escolher a roupa que ele veste, de chamar o garçom no restaurante... No início, ele estranhou, perguntou se eu não ia fazer isso ou aquilo, eu disse que não, e ele começou a tomar a iniciativa. Hoje já faz um bocado de coisa sem esperar por mim! Parece que um peso saiu das minhas costas!"
Viu, minha irmã, que o seu excessivo voluntarismo faz mal não somente ao seu marido, porque o impede de viver o plano de Deus para ele, mas porque também é um peso que você não é chamada a carregar ? Não é sua missão! Não que você vá ser uma pessoa passiva, não! Você é chamada a participar de tudo, não a assumir tudo sozinha! É bem diferente!
Por fim, tenho visto casais sendo transformados, e Deus ordenando, colocando cada coisa em seu devido lugar, cada um na sua bela e insubstituível missão, complementando-se, sendo verdadeiramente cônjuges ("con" + "jugo"): dividindo o mesmo jugo, que se torna, assim, com a graça de Deus, suave para ambos!
Sabe como isto tem acontecido ? Nas maravilhosas experiências dos encontros com Jesus Cristo pela efusão do Espírito Santo, os chamados Seminários de Vida no Espírito Santo para Casais.
Se você sente no coração que é hora de ter a sua vida e a de seu cônjuge transformada pelo Amor de Deus, procure, na sua cidade, uma comunidade da Renovação Carismática Católica e faça esse encontro transformador para as famílias.
O Amor de Deus esteja com você!
Álvaro Amorim.
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Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente:
 Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

A cura do alcoolismo

Chega ao fim hoje a série de posts sobre o alcoolismo, com a quarta pregação da série: Alcoolismo - parte 4.
Se você deseja ouvir a terceira parte da pregação sobre o alcoolismo, clique aqui: Alcoolismo - parte 3.
Se você quer ouvir a segunda parte, clique aqui para ouvir a pregação Alcoolismo - parte 2.
Se você não ouviu a primeira parte, clique aqui para ouvir a pregação Alcoolismo - parte 1.
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Alcoolismo tem cura ?


Hoje você ouve a terceira parte da pregação sobre o alcoolismo. Para ouvir esta terceira parte, clique aqui: Alcoolismo - parte 3.
Se você não ouviu a primeira parte, clique aqui para ouvir a pregação Alcoolismo - parte 1.
Se você quiser ouvir a segunda parte, clique aqui para ouvir a pregação Alcoolismo - parte 2.
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Como saber se sou alcoólatra ?

Hoje você ouve a segunda parte da pregação sobre o alcoolismo.
Se você não ouviu a primeira parte, clique aqui para ouvir a pregação Alcoolismo - parte 1.
Agora, a pregação de hoje: Alcoolismo - parte 2.
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Alcoolismo: quais as causas ?

Você tem tido problemas quando ingere bebidas alcoólicas ? Algum familiar seu é alcoólatra ? Quais as causas do alcoolismo ? Há cura ? O que fazer quando se está sofrendo muito ?
Para ajudar você nessa caminhada, começa hoje uma série de quatro pregações sobre este tema, tão atual, tão desafiante!
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Alcoolismo tem cura ?


Concluindo (por enquanto!) esta série de artigos sobre o alcoolismo, abordo agora a questão da cura desta doença.

Há, com certeza, muitas opiniões controversas no que diz respeito à cura da adicção de álcool. Algumas pessoas afirmam que, por se tratar de uma doença não somente do corpo, mas sobretudo da alma, ela não seria curável, mas estabilizável. Outras dizem que sim, que há cura para o alcoolismo, basta ter fé e suplicá-la a Deus.

Antes, porém, de adentrar nesta questão propriamente dita, quero analisar um aspecto do agir de Deus, de como ele dispôs todas as coisas, tudo aquilo que ele criou.

Gostaria de lhe convidar a fazer agora uma experiência muito simples, mas que revela um aspecto da sabedoria divina. Por favor, pegue uma caneta agora. Erga-a sobre a mesa onde está apoiado o computador (ou sobre uma superfície qualquer). Suspenda esta caneta no ar, segurando-a com sua mão. Agora, solte a caneta. O que aconteceu ? Mesmo sem ver sua experiência (e a de nenhum leitor deste artigo, é óbvio!), a caneta caiu sobre a mesa! O que isto diz ? Isto nos mostra que, movida pela força da gravidade, a caneta caiu. Simples assim!

Mas e em relação a Deus, o que este evento da Física nos diz ? Isto nos diz que Deus, que criou tudo o que há,  que criou o que é espiritual e o que é material ("Deus criou os céus e a terra", Gn 1, 1), que criou inclusive todas as leis da matéria, na enorme maioria das vezes, "gosta" de respeitar as leis que criou.  Deus não fica intervindo a toda hora na lei da gravidade (criada por ele), para fazer com que várias canetas no mundo inteiro não caiam ao serem erguidas e soltas no ar sobre uma mesa! Por isto, excetuando-se algum milagre que houve entre os milhões de experimentos com uma caneta solta sobre uma mesa, a caneta vai sempre cair, não vai ficar suspensa sozinha no ar!

Com isto, não digo que Deus não intervém nas leis da natureza, criadas por ele. Não! Apenas digo que, observando como Deus age em relação a elas, vejo que ele intervém apenas excepcionalmente. Ele "gosta" de agir assim! Aliás, não nos esqueçamos de que, por ser uma intervenção sobrenatural de Deus na vida de alguém ou na natureza, o milagre é um sinal excepcional que aponta para a Verdade, que mostra que Deus é Deus, que confirma a Revelação Divina, que é plena em Jesus Cristo. Mas a nossa fé não deve se mover apenas porque vimos milagres. "Cremos por causa da autoridade de Deus que revela e que não pode nem enganar-se nem enganar-nos. (...) Os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, sua fecundidade e estabilidade constituem sinais certíssimos da Revelação, adaptados à inteligência de todos, 'motivos de  credibilidade' que mostram que o assentimento da fé não é de modo algum um movimento cego do espírito" (Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 156). Assim, os milagres, como vemos no Evangelho, sinalizam a Revelação, dão testemunho da Verdade. Todavia, a Verdade não precisa, a cada momento, de um sinal para ser acolhida. Mais uma vez: "Cremos por causa da autoridade de Deus que revela" (Catecismo, 156).

Deste modo, não digo que Deus não possa operar um milagre num doente alcoólico! Não! Deus é Deus e, por isto, é plenamente livre, como ele mesmo diz: "Dou a minha graça a quem quero, e uso de misericórdia com quem me apraz" (Ex 33, 19). Ele pode, pelos méritos de Jesus Cristo, inclusive pela intercessão de um santo, de Maria Santíssima ou até pela nossa pobre intercessão, fazer um milagre e libertar alguém da doença do alcoolismo. Conheço, inclusive, uma mulher que recebeu esse milagre de Deus. Só conheço essa pessoa, e ninguém mais!

Assim, na enorme maioria das vezes, Deus operará a libertação de alguém em relação ao alcoolismo dando-lhe a graça de evitar o primeiro gole. Desta maneira, a pessoa passa a conviver com a doença dia a dia, evitando o primeiro gole, abstendo-se de álcool, renunciando, por amor, a ingestão de qualquer bebida alcoólica, porque, portadora de uma adicção grave, sabe que, uma vez recaindo no consumo do álcool, afasta-se da graça de Deus, e todo o inferno volta!

É bom que se diga também que Deus não criou uma "lei da doença do alcoolismo"! Sabemos que a morte e todas as doenças entraram no mundo, na humanidade, porque o homem e a mulher afastaram-se de Deus, que é a Vida. E quem se afasta da Vida chega à morte e a todos os seus desdobramentos, conforme nos diz a Carta aos Romanos: "Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram" (Rm 5, 12). Mas sabemos também que Jesus nos salvou: "Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova" (Rm 6, 4).

Um gigante na evangelização já experimentou este tipo de libertação que se dá pelo acolhimento diário da graça de Deus, uma constante reescolha do Amor: "Foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força" (II Cor 12, 7-9).

Nem eu nem você podemos afirmar com certeza que espinho na carne São Paulo tinha. Não podemos dizer categoricamente o que o feria tanto que o fez rogar a Deus três vezes para libertá-lo. Mas Deus, como disse o próprio Apóstolo, não retirou esse espinho na carne. Deu-lhe mais, deu-lhe tudo: sua graça para conviver com esse espinho na carne!

Para o doente alcoólico, este espinho na carne, este anjo de Satanás que o esbofeteia, livrando-o do perigo da vaidade, do orgulho de achar que pode viver sem Deus, é o alcoolismo. Esbofeteia-o, coloca-o no chão, na lama, porque a doença, antes de matar, desconfigura o ser humano! Mas, milhões de doentes alcoólicos no mundo inteiro têm acolhido a graça da sobriedade a cada dia, a cada 24 horas. Têm experimentado o poder de Deus, a força de Deus, na sua carne, na sua fraqueza mais profunda, que é o alcoolismo. Têm convivido com este espinho na carne, o qual atrai toda a misericórdia de Deus, que basta!

É assim que Deus tem operado maravilhosas libertações por meio da irmandade de Alcoólicos Anônimos. Libertações de ingerir álcool a cada 24 horas, dando a graça a muita gente de, durante aquelas 24 horas, não ingerir o primeiro gole. Amanhã ? Bem, o amanhã, como tudo mais, pertence a Deus! Hoje, basta a graça de Deus!

Shalom!

Álvaro Amorim.

Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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Como diagnosticar o alcoolismo

Continuando a série de artigos sobre alcoolismo, veremos a seguir uma ajuda no diagnóstico da doença. Obviamente, algo complexo como a adicção de álcool requer sobretudo a humildade no processo de descoberta da enfermidade, virtude fundamental para a aceitação do diagnóstico e procura de ajuda para o tratamento.

Uma dessas ajudas, pelas quais Deus tem dado a graça a milhões de alcoólicos de viverem sóbrios, é a entidade de Alcoólicos Anônimos, "uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo" (definição contida no "site" oficial do A.A.).

No "site" dessa entidade, há as "12 perguntas", ponto de partida para o diagnóstico da doença, nas quais nos baseamos para ajudar você ou algum familiar seu na identificação dessa enfermidade. Como já foi dito, é fundamental a humildade. O alcoolismo é uma doença, e assim deve ser encarado e tratado!

1) Você já tentou parar de beber por uma semana (ou mais), e não conseguiu atingir este objetivo ?

Comentário de A.A.: "Muitos de nós "largamos a bebida" muitas vezes antes de procurar A.A. Fizemos sérias promessas aos nossos familiares e empregadores. Fizemos juramentos solenes. Nada funcionou até que ingressamos em A.A. Agora não lutamos mais. Não prometemos nada a ninguém, nem a nós mesmos. Simplesmente esforçamo-nos para não tomar o primeiro gole hoje. Mantemo-nos sóbrios um dia de cada vez."

2) Você se ressente com os conselhos dos outros que tentam fazê-lo(a) parar de beber ?

Comentário de A.A.: "Muitas pessoas tentam ajudar os bebedores-problema. Porém, a maioria dos alcoólicos ressente-se com os "bons conselhos" que lhes dão. (A.A. não impõe esse tipo de conselho a ninguém, mas, se solicitados, contaríamos nossa experiência e daríamos algumas sugestões práticas sobre como viver sem o álcool.)"

3) Você já tentou controlar sua tendência de beber demais, trocando uma bebida alcoólica por outra também alcoólica ?

Comentário de A.A.: "Sempre procurávamos uma fórmula "salvadora" de beber. Passamos das bebidas destiladas para o vinho e a cerveja. Ou confiamos na água para "diluir" a bebida. Ou, então, tomamos nossos goles sem misturá-los. Tentamos ainda beber somente em determinadas horas. Porém, seja qual for a fórmula adotada, invariavelmente acabamos embriagados."

4) Você tomou algum trago pela manhã nos últimos doze meses ?

Comentário de A.A.: "A maioria de nós está convencida (por experiência própria) de que a resposta a esta pergunta fornece uma chave quase infalível sobre se uma pessoa está ou não a caminho do alcoolismo, ou já se encontra no limite da "normalidade" no beber."

5) Você inveja as pessoas que podem beber sem criar problemas ?

Comentário de A.A.: "É óbvio que milhões de pessoas podem beber (às vezes muito) em seus contatos sociais sem causar danos sérios a si mesmos, ou a outros. Você parou alguma vez para perguntar-se por que, no seu caso, o álcool é, tão frequentemente, um convite ao desastre ?"

6) Seu problema de bebida vem se tornando cada vez mais sério nos últimos doze meses ?

Comentário de A.A.: "Todos os fatos médicos conhecidos indicam que o alcoolismo é uma doença progressiva. Uma vez que a pessoa perde o controle da bebida, o problema torna-se pior, nunca desaparece. O alcoólico só tem, no fim, duas alternativas: (1) beber até morrer ou ser internado num manicômio, ou (2) afastar-se do álcool em todas as suas formas. A escolha é simples."

7) A bebida já criou problemas no seu lar ?

Comentário de A.A.: "Muitos de nós dizíamos que bebíamos por causa das situações desagradáveis no lar. Raramente nos ocorria que problemas deste tipo são agravados, ao invés de resolvidos, pelo nosso descontrole no beber."

8) Nas reuniões sociais em que as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras ?

Comentário de A.A.: "Quando tínhamos de participar de reuniões deste tipo, ou nos "fortificávamos" antes de chegar, ou conseguíamos geralmente ir além da parte que nos cabia. E, frequentemente, continuávamos a beber depois."

9) Apesar de prova em contrário, você continua afirmando que bebe quando quer e pára quando quer ?

Comentário de A.A.: "Iludir a si mesmo parece ser próprio do bebedor-problema. A maioria de nós que hoje se encontra em A.A. tentou parar de beber repetidas vezes sem ajuda de fora, mas não conseguiu."

10) Você faltou ao trabalho durante os últimos doze meses por causa da bebida ?

Comentário de A.A.: "Quando bebíamos e perdíamos dias de trabalho na fábrica ou no escritório, frequentemente procurávamos justificar nossa "doença". Apelamos para vários males para desculpar nossas ausências. Na verdade, enganávamos somente a nós mesmos."

11) Você já experimentou alguma vez "apagamento" durante uma bebedeira ?

Comentário de A.A.: "Os chamados "apagamentos" (em que continuamos "funcionando" sem contudo podermos lembrar mais tarde o que aconteceu) parecem ser um denominador comum nos casos de muitos de nós que hoje admitimos ser alcoólicos. Agora sabemos muito bem quais os problemas que tivemos nesse estado "apagado" e irresponsável."

12) Você já pensou, alguma vez, que poderia aproveitar muito mais a vida se não bebesse ?

Comentário de A.A.: "A.A., em si, não pode resolver todos os seus problemas. No que se refere, porém, ao alcoolismo, podemos mostrar-lhe como viver sem os "apagamentos", as ressacas, o remorso ou o desconsolo que acompanham as bebedeiras desenfreadas. Uma vez alcoólico, sempre alcoólico. Portanto, nós em A.A. evitamos o "primeiro gole". Quando se faz isto, a vida se torna mais simples, mais promissora e muitíssimo mais feliz."

Resultado: Você respondeu "sim" quatro vezes ou mais ? Se isto aconteceu, é provável que você tenha um problema sério de bebida, ou poderá tê-lo no futuro.

Comentário de A.A.: "Por que dizemos isto ? Somente porque a experiência de milhares de alcoólicos recuperados nos ensinou algumas verdades básicas a respeito dos sintomas do alcoolismo, e de nós mesmos. Você é a única pessoa que poderá dizer, com certeza, se deve ou não procurar o A.A. Se a resposta for "sim", teremos satisfação em mostrar-lhe como conseguimos parar de beber. Se ainda não puder admitir que você tem um problema de bebida, não faz mal. Apenas sugerimos que você encare sempre a questão com mentalidade aberta. Se algum dia você precisar de ajuda, teremos a satisfação em recebê-lo(a) em nossa irmandade."

Por fim, repasso o endereço e os telefones de A.A. em Fortaleza, retirados do citado "site" dessa entidade: Rua do Rosário, 94, Altos, CEP 60.055-090, telefones: (85) 3231.2437 / 3253.7006 (www.aaceara.org.br).

Nos próximos "posts", escreverei um pouco mais sobre alcoolismo, para que, anunciando a Verdade, o Senhor opere sua libertação!

Shalom!

Álvaro Amorim.

Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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Alcoolismo: a doença passo a passo


A partir desta postagem, escreverei alguns artigos sobre alcoolismo, doença que vitima tantas pessoas, tantas famílias!

Doença! Sim, a primeira coisa que deve ser dita sobre o alcoolismo é isto. E quem diz isto não sou eu apenas. É a Organização Mundial da Saúde (O.M.S.), a qual, no ano de 1967, na 8a conferência Mundial de Saúde, incluiu o alcoolismo na Classificação Internacional das Doenças (CID-8). Atualmente, a vigente CID-10 traz em seu Capítulo V (F-10 a F-19) a descrição das Desordens Mentais e Comportamentais Devidas ao Uso do Álcool, em inglês: mental and behavioural disorders due to use of alcohol .

Isto é muito importante que se diga porque muitas pessoas associam o alcoolismo como falta de responsabilidade, opção livre da pessoa, como se alguém pudesse escolher livremente ser alcoólatra! Então, são ditas aquelas frases típicas: "Isto é sem-vergonhice, falta de responsabilidade!", "Isto é mau-caratismo, vagabundagem!"

Infelizmente, a ignorância (o desconhecimento) leva ao preconceito, atitude que não ajuda o doente, o adicto de álcool, tampouco os familiares deste.

Então, qual a causa do alcoolismo ? Diversos fatores são decisivos para esta adicção (ou adição, termo correto para se referir ao alcoolismo, segundo a O.M.S.). Como uma doença eminentemente da alma (não existe e ninguém pega o "vírus" do alcoolismo!), esta adicção tem uma natureza psíquica, além de física e espiritual. Assim, como doença psíquica deve ser admitido e tratado. Todavia, não se conhecem as causas específicas do alcoolismo. Alguns atribuem sua causa a fatores genéticos (um gene presente em algum ancestral (pai, avô, bisavô etc.) seria o responsável pela doença). Outros afirmam que é uma doença de origem comportamental, que se adquire "vivendo", através da influência da educação dos pais, dos problemas vividos com eles, da interação com os amigos, dos traumas etc. Por fim, há pessoas que veem uma causa espiritual para o alcoolismo.

Na verdade, cada vez mais se percebe a tendência de conjugar todos esses fatores como geradores do alcoolismo. Por isto, não se pode tratar simploriamente algo tão complexo.

De início, qualquer tratamento só pode ser iniciado quando o adicto de álcool se reconhece doente. Isto é fundamental! Não adianta o familiar "passar na cara" que a pessoa tem problema com álcool, que deve parar de beber, que precisa "criar juízo", que necessita assumir sua responsabilidade! Não! Somente quando o próprio alcoólatra reconhece-se portador de uma doença, ele pode iniciar o tratamento. Ele ou ela! Ninguém pode tratar o alcoólatra! Ninguém é responsável por ele ou ela parar de beber! Isto também é muito importante que se diga porque os familiares de uma pessoa alcoólatra desenvolvem também uma codependência afetiva em relação ao doente. Acham-se culpados quando o alcoólatra bebe. Frases do tipo: "Ele só foi beber porque fui grosseira com ele!" ou "Ele bebe porque também esses amigos de bar não o deixam em paz!" são grandes falácias, não condizem com a realidade da doença. Ele foi beber porque ele é doente! Se chover, ele pode dizer que bebe para "esquentar"! Se faz calor, é para "refrescar"! E por aí vai. Mas o doente bebe porque é alcoólatra, porque é portador da doença do alcoolismo e nada mais!

É próprio da personalidade alcoólatra gerar no outro, sobretudo nos seus familiares, o sentimento de culpa, para que ele ou ela continue a não assumir a própria doença. O doente também, quando não aceita sua condição, atribui sua compulsão pela bebida a diversos fatores. Engana-se de várias formas. Quando as consequências tornam-se mais graves, troca de bebida, muda de bar, faz paradas forçadas por alguns dias, promete aos outros e a si mesmo que não vai mais beber tanto, ou mesmo que vai deixar de beber. Com o tempo, recai. Vem o sentimento de culpa, e assim a doença vai se tornando mais séria.

Sim, a doença progride! Por isto, é importante reconhecê-la e tratá-la logo. E como reconhecê-la ? O que leva alguém a admitir-se dependente do álcool ? Para muitos alcoólatras foi o chamado "fundo de poço" que os ajudou na admissão da doença. Mais uma vez, os familiares, infelizmente, não ajudam o doente. É típico ver esposas indo buscar seus maridos no bar; mães tentando "trancar" filhos alcoólatras, maiores de idade, em casa; filhos pedindo aos seus pais que parem de beber. Obviamente, a dor dos familiares é grande, somada ao estigma social do alcoolismo, que gera nessas pessoas muita vergonha e medo, além do devastador sofrimento. Assim devem ser vistas essas atitudes, na misericórdia de Deus. Todavia, mais uma vez, é bom dizer: alcoolismo é uma doença! Nada do que um familiar faça ou deixe de fazer, exceto a oração para que o doente se reconheça assim, pode ajudar o alcoólatra.

Aliás, é difícil o que vou dizer para quem vive esta realidade na sua família, mas é a verdade: deve-se deixar o alcoólatra no bar, onde ele estiver, sem querer interferir quando ele toma aquele "porre", porque, somente assim, existe a possibilidade do doente ver-se doente, do dependente admitir que precisa de ajuda terapêutica. Quantas vezes a esposa, a mãe, o pai ou o filho foi buscar o familiar alcoólatra no bar e isto não resolveu nada, e ele ou ela continua a beber ?

Uma das características mais fortes da doença do alcoolismo é a autopiedade. O alcoólatra é uma pessoa que sente pena de si mesmo e quer e consegue gerar constantemente este sentimento naquelas pessoas que o cercam. Requer a todo tempo máxima atenção, não quer resolver nada sozinho. Aliás, cria situações para que os outros resolvam, como buscá-lo num bar após uma bebedeira, como eu disse antes. Compactuar com tal situação só distancia o doente do início do tratamento, porque sua mente alcoólica pensa, mesmo que inconscientemente, assim: "Posso fazer sempre isto, porque sempre alguém resolve para mim!" E ele ou ela continua bebendo!

É fácil deixar o esposo ou a esposa no bar ? É fácil não dar atenção ao filho que chegou alcoolizado de manhã ? É fácil ver o pai ou a mãe com bebida escondida em todo canto da casa e não dizer nada ? Claro que não! Mas tentar resolver o problema, achando-se responsável por ele ou por ela não adianta!

Como eu disse, somente a oração de intercessão para que o doente se reconheça como tal pode dar frutos.

Também não se deve pensar que o fato de deixar o alcoólatra no bar ou não falar nada quando ele ou ela chega embriagado em casa seria falta de caridade. Não! O amor não é somente sim! É não também! Este "não" vai se constituir num silêncio, na vivência da graça da paciência histórica, no total abandono e confiança em Deus, o único que pode derramar sobre o alcoólatra a graça de admitir que é doente e que precisa de ajuda.

Nos próximos artigos, falarei mais sobre este tema, sobre como reconhecer a doença, as formas de tratamento do alcoolismo, sobre como a família também deve se tratar. Para isto, é importante que você comente este artigo, faça perguntas, interaja comigo, para que Deus cada vez mais faça brilhar sua luz sobre aquilo que são trevas.

Shalom!

Álvaro Amorim.

Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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