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A perversão socialista (por Roger Scruton)


Partilho com você conteúdo do livro "Como ser um conservador", do inglês Roger Scruton, publicado pela Editora Record, que trata, entre outros temas, sobre a mentira socialista:

"A verdadeira perversão é uma falácia peculiar que vê a vida em sociedade como aquela em que todo sucesso de um é o resultado do fracasso de outrem. Segundo essa falácia, todos os ganhos são pagos pelos perdedores. A sociedade é um jogo de soma zero em que existe um equilíbrio entre os custos e os benefícios, e a razão da vitória do vencedor é a derrota dos perdedores.

Tal falácia do "jogo de soma zero" se tornou uma afirmação clássica na teoria da mais-valia de Marx, que pretendia mostrar que o lucro do capitalista é resultado do confisco da força de trabalho do proletário [...]

O que quer que pensemos acerca da economia de livre mercado, ao menos ela nos convenceu de que nem todas as transações são jogos de soma zero. Acordos consensuais beneficiam ambas as partes: Por que outra razão decidiriam firmá-los ? E isso é tão verdadeiro em relação ao contrato salarial como o é em qualquer contrato de venda. [...]

Para certo tipo de temperamento, a derrota nunca é uma derrota para a realidade, mas sempre uma derrota para outra pessoa, muitas vezes agindo em consonância como membro de uma classe, tribo, conspiração ou clã. [...]

Parece-me que essa falácia do jogo de soma zero está na base da crença generalizada de que igualdade e justiça são ideias equivalentes - crença que parece ser a posição padrão dos socialistas e programada como tal nos cursos universitários de Filosofia Política. Poucas pessoas acreditam que se Jack tem mais dinheiro do que Jill isto é por si só um sinal de injustiça. Mas, se Jack pertence a uma classe social com dinheiro e Jill a outra que não o tem, então a forma de pensar do jogo de soma zero entra imediatamente em ação para persuadir as pessoas de que a classe social de Jack se tornou rica à custa daquela a que Jill pertence. Esse é o ímpeto por trás da teoria marxista da mais-valia. [...]

Para certo tipo de mentalidade igualitária, não importa que Jack tenha trabalhado para construir a sua riqueza e que Jill apenas descansava em uma ociosidade voluntária; não importa que Jack tenha talento e energia, ao passo que Jill não tenha nem um nem outro; não importa que Jack mereça o que tem, enquanto Jill nada mereça: a única questão importante é a classe e as desigualdades "sociais" que dela se originam. Conceitos como direito e mérito estão fora de cogitação e a igualdade, sozinha, define o objetivo.

A consequência foi o surgimento na política moderna de uma ideia completamente nova de justiça - que tem pouco ou nada a ver com direito, mérito, recompensa ou retribuição, e que está efetivamente desvinculada das ações e das responsabilidades dos indivíduos. [...]

Se uma pessoa rica fica mais rica cada vez que o pobre fica mais pobre, isso não quer dizer que as perdas do pobre são transferidas como lucros para o rico. [...]

No entanto, como uma tentativa de modificar a natureza humana e nos recrutar na busca do milênio, [o socialismo] foi uma fantasia perigosa, uma tentativa de realizar o Céu na Terra que inevitavelmente levaria ao Inferno. Hoje podemos ver isso claramente, visto que o mundo ocidental emerge da Guerra Fria e do pesadelo comunista."

Para você, leitor(a), tomar conhecimento do pesadelo comunista, assista ao vídeo inserido neste post.

Deus abençoe você!
Álvaro Amorim.
Vídeo: Youtube.com.br.
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente:
Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

O pior de todos os pecados

Se você acha que adulterar no matrimônio é o pior dos pecados, enganou-se. Se você pensa que é roubar, está longe de acertar. Se considera que é viver embriagado, aí é que está errado!
Por surpreendente que pareçam, esses tipos de pecados mais "vistosos" aos olhos humanos não chegam nem perto do pior de todos os pecados: o orgulho!
Antes de provar por que o orgulho é o pior tipo de ofensa a Deus e ao próximo, quero deixar bem claro que os exemplos citados são pecados sim, só que não alcançam a perniciosidade do orgulho, considerando-se o cometimento de plena consciência, isto é, quando o agente atua sabendo o que está fazendo.
Vejamos logo, de cara, o que diz a Palavra de Deus:
"Exterminarei o que em segredo caluniar seu próximo. Não suportarei homem arrogante e de coração orgulhoso" (Salmo 101(100), versículo 5).
"Deus resiste aos soberbos [orgulhosos], mas dá sua graça aos humildes" (Tiago 4, 6).
É óbvio que alguém que intencionalmente rouba, que sabe que é errado e continua a roubar até o fim da vida, sem arrependimento nenhum, provavelmente não encontrará graça diante de Deus. Não que o Senhor não seja sempre misericordioso. Não! O que há não é um defeito na misericórdia divina, mas sim uma contumácia (teimosia), insistência do homem em permanecer sempre no erro, no pecado. Como Deus criou o homem com o livre-arbítrio, ele respeita a decisão de cada um, pois, se não a respeitasse, verdadeiramente não amaria o homem, pois faria dele uma marionete, conduzindo-o "à força" para o bem, o que é, em si, uma contradição, e contradição não há em Deus.
Ocorre que, se esse ladrão que, por exemplo, roubou fortunas, arrepender-se de verdade, no mesmo instante, Deus já o perdoou e lhe garantiu o Céu, pleno, cheio de graça, o mesmo estado de graça no qual se encontram todos os santos, como São Francisco de Assis, só para citar um.
"Ah, Álvaro, não é possível! Você quer dizer que alguém que fez o mal a vida toda e se arrependeu (vá lá que seja de verdade!) tem a possibilidade de usufruir o Céu como qualquer santo ?!"
A esta pergunta que poderia ser feita por alguém, deixo simplesmente Jesus responder:
"Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: 'Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!' Mas o outro o repreendeu: 'Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício ? Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.' E acrescentou: 'Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!' Jesus respondeu-lhe: 'Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso'." (Lucas 23, 39-43).
Não seria necessário escrever mais nada, mas vamos lá, ver a maldição do orgulho!
Nesta minha caminhada, desde o meu primeiro encontro com Cristo, nos dias 19 e 20 de agosto de 2000, deparei-me com situações marcantes, relativas ao que escrevo agora:
Vi pessoas participantes de grupos de oração ou de comunidades sofrerem perseguições, injúrias, maledicências, desprezo, rejeição, desamor porque cometeram os ditos "pecados vistosos", aqueles citados no primeiro parágrafo deste texto, por exemplo. E toda essa repulsa anti-evangélica, na maioria das vezes, partiu de pessoas tidas como "santas, justas, consagradas!"
Fico imaginando se Jesus faria o mesmo.
Como foi que Jesus agiu com a mulher descoberta em adultério (João 8, 1-11) ? Ele jogou pedra ? Ele achou justo que os outros a apedrejassem ? Não! Sabiamente, ele a livrou da morte, da ira dos tidos como "justos"! Aliás, mandou que eles olhassem para si mesmos e vissem que também eram pecadores, já que o orgulho daqueles algozes os impedia de se considerarem como tais.
Aí está o orgulho: Não se vê o "tamanho" do próprio pecado, mas se considera "imenso" o do outro! Nada mais enganador! Nada mais diabólico!
Por isto é que "Deus resiste aos soberbos [orgulhosos], mas dá sua graça aos humildes" (Tiago 4, 6). O orgulhoso não permite que a graça de Deus o alcance, e Deus respeita essa decisão. O pecador humilde arrasta para si toda a misericórdia divina, que "alveja" sua alma, que o santifica.
Veja o exemplo que Jesus usou para mostrar como é a misericórdia divina: Lucas 15, 11-24 (A Parábola do Filho Pródigo).
Bastou o filho que havia abandonado a Casa do Pai arrepender-se e começar a voltar para o Pai, que este, "movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou" (Lucas 15, 20).
Pergunta: O Pai disse ao filho, ainda ao longe, alguma das frases abaixo ?
"Eh, rapaz, quero ver se você muda mesmo! Torrou parte da minha fortuna e agora vem de cara lisa ?" Ou então: "Eh, sujeito, vai pra roça, trabalhar com os servos, antes de eu pensar em deixar você entrar em casa de novo!" Ou ainda (pelo menos!): "Olha, tudo bem, mas vá tomar um bom banho porque esse fedor de porcos tá demais!" 
Foi assim que o Pai fez ? Foi esse tipo de condição que o Pai impôs para acolher o Filho ?
De jeito nenhum!
O filho estava "podre de fedor", não só porque estava trabalhando com porcos e disputando na lama as bolotas que jogavam a esses animais, mas sobretudo pelo seu pecado.
Mas o Pai não quis nem saber: "movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou" (Lucas 15, 20).
Na verdade, o Pai nem respondeu ao que o filho tinha decorado para dizer ("Meu Pai, pequei contra o céu e contra ti [...]"). Foi logo se voltando aos servos e mandando que eles vestissem o filho e preparassem um banquete. Sabe por quê ? Porque ao Pai, a Deus, que é a misericórdia em pessoa, não interessam as justificativas, as explicações. Ele quer seu filho: eu e você, pecadores que se reconhecem pecadores, que não barram a graça do perdão, da misericórdia, do amor, com o maldito orgulho!
Pecadores sim, mas que confiam na misericórdia de Deus porque já experimentaram de verdade este Amor, porque já viram bem fundo naqueles belos olhos de ternura o aconchego do perdão!
Que belos olhos de amor tem Jesus!
Como é triste ver irmãos em Cristo afastarem-se de outros que não participam mais do grupo de oração.
Lembro-me do que disse um padre de uma Nova Comunidade numa pregação: "No quadrante seguinte, nem aparecem mais os nomes daqueles que saíram do grupo, mas estes nomes deveriam estar no topo da primeira folha do quadrante, pois são os que deveriam ser mais lembrados".
Como não combina nem um pouco com o Evangelho achar orgulhosamente que estando no grupo ou na comunidade, garantida está a "santidade", e que aos "de fora" resta a impiedade!
Tenho visto tanta gente trilhando o caminho da santidade sem estar em grupo ou comunidade!
Por exemplo: Uma mãe de família que era bem farristazinha quando solteira e que hoje, casada, com filhos, suporta no Amor os desafios de ter um marido imaturo, que gosta de beber de vez em quando, o qual não partilha de modo justo o fardo do lar! Essa jovem mãe é paciente, não tem ataques histéricos, não vive murmurando, nem colocando o marido "na parede" para ele agir de outro modo. Sabe o que ela faz ? Vive o Evangelho: simplesmente ama! E muita gente não acreditava que ela seria assim quando casou grávida. Mas, como diz a Palavra: "O Espírito sopra onde quer" (João 3, 8), e não somente nos grupos de oração ou comunidades.
Que lição de amor para o orgulhoso!
Uma vez ouvi de um fundador de uma Nova Comunidade, numa pregação para seus membros: "Vocês não deveriam se escandalizar com os pecados que alguns membros da comunidade cometem. Deveriam se escandalizar é com a falta de misericórdia que vocês têm com esses irmãos!"
Deus abençoe você!
Álvaro Amorim.

Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Parábola_do_Filho_Pródigo
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente: 
Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Dor e sofrimento humanos

     Nesta série de posts sobre Bioética, abordo algo tão misterioso, como desafiante para cada um de nós: a dor e o sofrimento.

O relativismo

     Encerrando esta série de artigos intitulada “o crepúsculo dos valores”, falo agora da doutrina-mãe de todas essas falsas doutrinas vistas nesta série: o relativismo.

O consumismo

     Nesta série de artigos intitulada o crepúsculo dos valores, veremos agora o consumismo.

O sensualismo

     Este é o antepenúltimo artigo da série o crepúsculo dos valores e aborda algo que separa o homem e a mulher de Deus: o sensualismo, uma deformação da vivência da sexualidade humana.
     Como forma de comportamento, o sensualismo expressa uma grande preocupação com o corpo e sua capacidade de sedução; com a carne, como diz São Paulo, em várias cartas.
     O Papa João Paulo II, no texto “Vida segundo a carne e justificação em Cristo”, de 1980, dizia:
     “O homem que vive ‘segundo a carne’ é o homem disposto somente àquilo que vem ‘do mundo’: é o homem dos ‘sentidos’, o homem da tríplice concupiscência”, o prazer, o poder e o possuir.
     É triste vermos como o sensualismo, como a doutrina das sensações invadiu o coração do homem de hoje.
     A vida espiritual é tida, muitas vezes, como uma ilusão; só o que importa para esse homem é a vida da carne: é ter prazeres, possuir muitos bens e ter poder sobre os outros. Parece que a vida eterna é aqui, agora.
     Na verdade, o sensualismo despreza a eternidade, prega o que diziam os antigos romanos: “Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos!”
     É fundamental que não nos esqueçamos que somos estrangeiros nesta terra, que nossa pátria é o Céu, como diz a canção do Missionário Shalom:
     “Sou estrangeiro aqui, o Céu é o meu lugar
     É de onde vim, é pra onde vou, é lá onde eu vou morar.”
     Amanhã, o penúltimo artigo da série: o consumismo.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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O individualismo

     Nesta série de posts sobre o crepúsculo dos valores, veremos hoje algo muito presente no homem e na mulher pós-modernos: o individualismo.
     Esta doutrina opõe-se a toda forma de autoridade: Para os seus adeptos, o indivíduo e sua opinião devem ser preponderantes.
     Claramente se vê que muitas pessoas, mesmo sem darem nome a este tipo de comportamento, vivem de forma individualista; jamais vivem para o outro, mas para si mesmas, buscando apenas seus próprios interesses.
     É o oposto do que diz a Emmir Nogueira, em seu artigo “O segredo do KMK”:
     “Colocar-se ‘em comunhão’, dar-se em todas as dimensões do seu ser, sua história, sua vida, seu saber é, na verdade, o sinal de conversão completa e profunda.”
     Somente uma pessoa que faz comunhão de si mesma e de todas as suas realidades de vida é feliz. O fechamento em si mesma gera infelicidade.
     No nosso ministério, não experimentamos uma profunda e verdadeira alegria quando servimos, mesmo se não temos todas as condições favoráveis para o serviço ?
     Qual foi o ministro de cura que não se alegrou ao ver alguém ser curado por Jesus, mediante sua oração ? Mas se ele se fechasse em si mesmo, se se preocupasse consigo mesmo, não poderia ver essa maravilha.
     O individualismo, ao pregar que o indivíduo deve se preocupar consigo mesmo, o que lhe daria felicidade, erra gravemente, pois sabemos que somos felizes à medida em que nos deixamos configurar em Cristo, o servo de todos, aquele que veio para servir e não para ser servido.
     Como é belo ouvir a oração do Moysés Azevedo, sua oração de doação total de si a Deus e aos outros: “Senhor, a ti, tudo o que sou, tudo o que tenho...”
     No nosso ministério, na nossa família, no nosso trabalho, no nosso matrimônio, fazemos dessa oração uma realidade de vida ou a nossa vida é só para nós, para o nosso bem-estar, para a nossa satisfação pessoal ?
     Na nossa família, nós nos doamos àqueles que precisam de nós, às vezes até para serem apenas escutados ?
     No nosso trabalho, nós doamos nossa vida ajudando nossos colegas ou só fazemos as nossas obrigações profissionais ?
     E o mais importante: doamos nossa vida evangelizando as pessoas ou só evangelizamos quando exercemos nosso ministério na Obra Shalom, por exemplo ?
     Peçamos a Jesus, que doou toda a sua vida por cada um de nós, que inflame o nosso coração de parresia para a evangelização, para a doação de nossa vida a Deus e aos outros, para assim sermos felizes!
     Próximo artigo: o sensualismo.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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O psicologismo moral

     Dando prosseguimento à série sobre o crepúsculo dos valores, veremos o psicologismo moral.
     “Psicologismo é tudo o que é moldado e reduzido a pensamentos nossos ou a sentimentos nossos; tudo o que é apenas pensamento ou sentimento, imagem, pertence a uma realidade puramente psicologista.” (Passos, n° 85, agosto de 2007, Revista Internacional de Comunhão e Libertação).
     O psicologismo moral pretende estabelecer os valores morais a partir dos sentimentos das pessoas. O que seria moralmente aceitável é o que o meu “eu” assim determina.
     Mais uma vez, percebe-se a centralização do homem em si mesmo e não em Cristo.
     Com certeza, esta doutrina é de cunho narcisista: o ser humano, através do espelho do orgulho, olha somente para si, “endeusa-se”, vive a auto-idolatria.
     É importante ressaltar que o psicologismo moral (falsa doutrina que prega que os valores morais dependem do meu “eu” e não de Cristo) nada tem a ver com a Psicologia, ciência que, quando usada para o bem, respeitando a dignidade da pessoa humana criada à imagem e semelhança de Deus, é algo bom.
     No próximo post: o individualismo.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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O biologismo e o evolucionismo moral

     Como você sabe, esta é uma série de artigos sobre o crepúsculo dos valores.
     Este artigo aborda o biologismo e o evolucionismo moral.
     Estas correntes de pensamento entendem que a moral é estruturada por critérios meramente biológicos e evolucionistas.
     Por exemplo: para seus seguidores, a eutanásia deveria ser permitida se a vida não é mais biologicamente viável, ou seja, poder-se-ia matar um ser humano se ele não apresenta mais condições biológicas de sobrevivência por muito tempo.
     Outros seguidores destas doutrinas aprovam o aborto de fetos que possuem doenças graves, os quais seriam “inviáveis” do ponto de vista de uma vida saudável.
     Estes pensamentos lembram muito a Alemanha nazista, que pregava a supremacia de uma etnia humana sobre as outras e o extermínio dos judeus, considerados inferiores biológica e evolucionalmente.
     Sabemos que tudo isso afronta gravemente a moral cristã, o Evangelho, o próprio Jesus Cristo, que defendeu sempre a vida, que não fez distinção de pessoas, que veio para todos, para que todos tivessem vida, e vida em abundância.
     O evolucionismo, muitas vezes, é bastante defendido por alguns professores de História e de Biologia nas escolas, que vão formando a consciência dos jovens de forma anticristã.
     Sugiro que esses jovens que enfrentam esses verdadeiros bombardeios na escola e na Faculdade leiam textos publicados no Portal Shalom, como os seguintes:
     É muito importante também que, para o exercício do nosso ministério, principalmente, os de Primeiro Anúncio, conheçamos o que dizem essas doutrinas falsas, contrárias ao Evangelho, e saibamos como desmenti-las.
     No próximo post, falarei sobre o psicologismo moral.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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O sociologismo moral

     Hoje, na série de artigos sobre o crepúsculo dos valores, veremos o sociologismo moral.
     Esta doutrina entende que a moral é o conjunto de regras impostas pela sociedade, em determinada época, e que, portanto, varia no tempo. O que é moralmente válido, para esta doutrina, é o que diz ou o que faz a maioria.
     Ora, este pensamento afronta a moral cristã porque sabemos que, apesar da sociedade humana sofrer mudanças no decorrer da história, os valores cristãos jamais deixam de ser válidos, verdadeiros para todos os homens, de todos os tempos e de todas as culturas.
     Além do mais, temos na história exemplos tristes em que determinada sociedade deixou-se guiar moralmente pela vontade da maioria e não pela verdade evangélica, o que resultou em enormes tragédias sociais, como ocorreu na Alemanha governada por Hitler.
     Jesus Cristo é o parâmetro moral, válido para quaisquer sociedades, de todos os tempos.
     Diz a Carta aos Hebreus, em seu capítulo 13, versículos 8 e 9:
     “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje; ele o será para sempre! Não vos deixeis extraviar por doutrinas ecléticas e estranhas.”
     Próximo post: o biologismo e o evolucionismo moral.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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O utilitarismo

     Como você sabe, tenho publicado uma série de artigos sobre o crepúsculo dos valores. Hoje, veremos o utilitarismo, infelizmente tão “na moda”!
     Pode-se resumir a doutrina utilitarista pela frase: “Agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar, independentemente dos meios usados”.
     O que interessa para o utilitarismo são as consequências que os atos geram: “Se uma ação ou omissão não gera bem-estar, não serve para o homem, é inútil, não tem utilidade.” Assim diz esta doutrina.
     Por exemplo: fazer jejum gera fome, tira a sensação de bem-estar, portanto seria inútil para o ser humano.
     Para o utilitarismo, não importam as motivações da pessoa, mas sim os fins que suas ações gerarão.
     Por exemplo: Renata e José pertencem a um mesmo grupo de oração. Sem José saber, Renata descobriu que José está vivendo determinada situação de pecado. Durante a oração no grupo, Renata proclama exatamente a situação em que José vive, o que leva este irmão a se arrepender e procurar não mais viver essa situação de pecado.
     Para uma pessoa utilitarista, não importa se Renata não agiu corretamente, importa que José se converteu.
     Mas isso é contra a moral cristã.
     O Catecismo da Igreja Católica, em seu artigo 1753, ensina que:
     “Uma intenção boa (por exemplo, ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento desordenado em si mesmo (...). O fim não justifica os meios.”
     O utilitarismo é hoje adotado como doutrina de sustentação de várias tendências que vão de encontro à mentalidade evangélica, contrárias à moral cristã.
     Como dizia João Paulo II, na Carta às Famílias, em 1994, “o utilitarismo é uma civilização da produção e do desfrutamento, uma civilização das “coisas” e não das “pessoas”; uma civilização onde as pessoas se usam como se usam as coisas. No contexto da civilização do desfrutamento, a mulher pode tornar-se para o homem um objeto, os filhos um obstáculo para os pais, a família uma instituição embaraçante para a liberdade dos membros que a compõem. Para convencer-se disto, basta examinar certos programas de educação sexual introduzidos nas escolas, não obstante o frequente parecer contrário e até os protestos de muitos pais; ou então, as tendências pró-abortistas que em vão procuram esconder-se atrás do chamado “direito de escolha” (“pro choice”) por parte de ambos os cônjuges, e particularmente por parte da mulher.”
     Penso de forma utilitarista quando me importo somente com o resultado e não com minhas atitudes em si mesmas; ajo de forma utilitarista quando só busco o que me é útil, para o meu bem-estar, para a minha satisfação. Como dizia o Papa João Paulo II, uma pessoa poderia assim passar a me ser útil ou inútil, como se fosse um objeto. O que importa é a minha vontade, são os fins que busco atingir ao utilizar aquela pessoa, ao abortar e matar aquela criança, ao me separar de minha mulher, ao não falar mais com aquela pessoa do grupo: o que importa é o meu bem-estar, mesmo que para tanto tenha que “matar” o outro.
     Mais uma vez: a auto-idolatria, o homem como medida de si mesmo, a tentativa de ganhar a vida, de salvá-la, de preservá-la, o que gera a morte, nesta vida, e na vida eterna.
     Próximo artigo: o sociologismo moral.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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O eudemonismo

     
     Continuando a série sobre o crepúsculo dos valores, veremos a seguir a doutrina que prega que o objetivo da vida humana é o bem-estar pessoal: a doutrina eudemonista.
     Segundo o pensamento eudemonista, o homem deve afastar o sofrimento para alcançar a felicidade. Para ser feliz, o homem deveria experimentar somente a vivência constante de situações que lhe gerem bem-estar. Ser feliz, para o eudemonismo, é ter uma vida “boa”.
     O eudemonismo assim assemelha-se muito ao hedonismo, mas há uma diferença: o hedonismo considera o prazer como o bem supremo, já o eudemonismo considera a “vida boa” como o bem máximo a se alcançar.
     A “felicidade” eudemonista consiste na vivência diária daquilo que geraria bem-estar: sossego, prazer, tranquilidade, ausência de problemas e sofrimentos, harmonia interior.
     Na verdade, podemos perceber, mais uma vez, o forte individualismo nesta doutrina, o que se contrapõe totalmente ao Evangelho e à moral cristã, que pregam que a felicidade consiste em dar a vida pelos outros (Deus e os irmãos), como Cristo fez.
     Toda vez que retenho a vida, sou infeliz. Toda vez que a dou livremente, nas várias situações que me acontecem diariamente, sou feliz: “quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9, 24).
     O erro do eudemonismo consiste em considerar que o ser humano se basta para ser feliz e que a presença de sofrimentos afasta a felicidade.
     Mas, eu pergunto: alguém na face desta terra está isento de ter problemas, dores ou sofrimentos ? Alguém está imune às consequências das limitações advindas do fato de sermos criaturas e não o Criador ? Alguma pessoa está livre das consequências do pecado original, das fraquezas humanas ?
     A resposta a estas perguntas é óbvia: não!
     E viver essas realidades de dor e sofrimento significa ser infeliz ? Não! Eu posso acolher o sofrimento, próprio da minha condição humana, e ser feliz.
     Há mais de 3.000 anos atrás, um homem já havia descoberto o caminho da felicidade: a vida em Deus. Eis algumas afirmações suas:
     · “[Deus] fez comigo aliança eterna, a ser observada com absoluta fidelidade. Minha salvação e inteira felicidade não é ele quem faz germinar ?” (II Sm 23, 5);
     · “Dizem muitos: ‘Quem nos fará ver a felicidade ?’ Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz de vossa face. Pusestes em meu coração mais alegria do que quando abundam o trigo e o vinho. Apenas me deito, logo adormeço em paz, porque a segurança de meu repouso vem de vós só, Senhor.” (Sl 4, 7-9).
     Este homem foi Davi, que pecou contra Deus (II Sm 11, 2-17) e se arrependeu (II Sm 12, 13), que enfrentou conflitos e guerras (II Sm 3, 1), que perdeu um filho (II Sm 12, 16-18), e que foi capaz de dizer: “Digo a Deus: Sois o meu Senhor, fora de vós não há felicidade para mim.” (Sl 15, 2).
     Como diz a antiga canção: “Cristo é a felicidade”.
     P.S.: No próximo post, o utilitarismo.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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O crepúsculo dos valores

      A partir deste artigo, inicia-se uma série de postagens sobre algo muito atual, que nos diz respeito como cristãos. Trata-se do crepúsculo dos valores.
     Quando falo em crepúsculo dos valores, refiro-me à decadência, ao declínio dos valores experimentado pelo homem e pela mulher de hoje.
     O ser humano tem promovido um declínio, uma queda, dos verdadeiros valores. Basta olharmos para a humanidade e vermos como há uma profunda crise de valores. O que o homem e a mulher de hoje valorizam não corresponde mais àquilo que a moral cristã aponta como adequado, como valores evangélicos. Deste modo, afastando-se dos valores evangélicos, o homem e a mulher afastam-se de Jesus Cristo, afastam-se da verdadeira felicidade e penetram na cultura de morte.
     Este crepúsculo, declínio, dos valores pode ser percebido em algumas doutrinas vivenciadas pela humanidade atualmente. Olhando para a forma de vida adotada por grande parte da humanidade, percebe-se claramente que o que impera são essas doutrinas, não os valores de Jesus Cristo.
     Neste primeiro artigo, vejamos a doutrina hedonista.
     Esta doutrina considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível para o homem. Tudo o que se opõe ao prazer representaria infelicidade para o homem.
     A pessoa hedonista busca incessantemente tudo o que possa lhe proporcionar prazer, satisfação, gozo, e rejeita tudo o que possa lhe pedir renúncia ao prazer imediato, tudo o que gere dor ou sofrimento.
     O hedonista vive em busca de prazer. Toda a sua vida consiste em obter o máximo de prazer possível em cada situação e recusar tudo o que se oponha ao prazer individual e imediato.
     Façamos um paralelo entre algumas características da doutrina hedonista e a moral cristã estabelecida no Evangelho:
O QUE DIZ A MORAL HEDONISTA O QUE DIZ A MORAL CRISTÃ
A pessoa hedonista é extremamente egoísta, pois busca somente o seu prazer individual e imediato. Para ela, 
o outro, quando não colabora para a realização do seu prazer, torna-se um obstáculo a ser superado, algo 
inútil a ser descartado.
“[A caridade] não busca os seus próprios interesses” (I Cor 13, 5b).
Eu amo e sou feliz quando não busco realizar, satisfazer, meus próprios interesses, mas busco ter como minha a vontade de Deus.
O hedonista tenta fugir de qualquer sofrimento que a vida lhe apresente, tornando-se assim irresponsável perante os problemas. Como busca somente o prazer, não consegue 
acolher e viver os sofrimentos 
próprios da condição humana.
O exemplo de Jesus Cristo: “Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos (...) Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos (...) Eis por que lhe darei parte com os grandes, e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida” (Is 53, 3a.4.12a).
O hedonismo rejeita o seguimento do Cristo casto, pois prega a busca do prazer a todo custo, sem limites, sem responsabilidade. Diz Jesus: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16, 24).
     Exemplos de comportamentos e pensamentos hedonistas:
     “Eu vou bem ficar sofrendo aqui, cuidando desta irmã que está doente ? Vou já me arrumar e vou pro “shopping”, me divertir, eu preciso, sou gente!”
      “Ah, lá vem esse pregador falar de renúncia! Eu só vivo para os outros, só penso nos meus filhos, no meu esposo/minha esposa, tá na hora de pensar um pouco em mim. Faz tempo que não faço algo que me dê prazer. Afinal sou livre! Cansei desta vida. Vou agora investir em mim.”
     “Mas por que Deus permitiu este sofrimento que vivo hoje ? Acho que ele não me ama. Estou sofrendo demais! Vou dar um tempo e sair. É hora de pensar no meu prazer também! Chega de sofrimento e renúncia! Essa pessoa nunca me dá alegria, nunca sinto prazer perto dela! Eu preciso ser feliz! Não nasci pra sofrer! Chega!”
     “Ah, qual o problema de usar esta roupa ? Eu me sinto bem quando as pessoas olham para mim! Não vou renunciar e usar roupa de velha! Sou jovem, preciso ser feliz!”
     “O que tem de mais eu ir para aquele “show” ? Não vejo problema nenhum. Quem faz o ambiente sou eu! Eu preciso me divertir, preciso curtir a vida!”
     Veja a característica básica da pessoa hedonista: “eu preciso, eu quero, eu, eu, eu...” No fundo, o hedonismo, a busca do prazer como único bem do homem, representa um culto a si mesmo, uma auto-idolatria, e, portanto, uma rejeição a Jesus Cristo e à moral cristã.
     Buscando o prazer máximo, individual, imediato, o homem passa a ser escravo, pois nunca está satisfeito, torna-se insaciável, irrequieto, precisa sempre de uma “dose” maior de prazer para se sentir bem.
     Mas, sabemos que a verdadeira felicidade não consiste na realização de prazeres, de gozos. Como diz Santo Agostinho, “inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Deus.” Sabemos, sim, que Cristo é a felicidade!
     P.S.: No próximo artigo, o eudemonismo.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
Imagem: http://www.sxc.hu/photo/916520

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Para você, o viver é Cristo ?

 
     Como pessoas que tiveram um encontro pessoal com Jesus Cristo, precisamos, hoje em dia, fazer uma apologética da moral cristã.
     Este nome parece complicado (apologética da moral cristã), mas significa basicamente: a defesa da moral cristã, a defesa dos valores morais de Jesus Cristo.
     Sim, digo valores morais de Jesus Cristo porque, na verdade, nós cristãos, quando falamos de moral, ou seja, quando nos referimos a um conjunto de regras de conduta, temos, na verdade, como referencial a pessoa de Jesus Cristo.
     Aliás, a essência da moral cristã não é um conjunto de regras, mas a identificação com uma pessoa viva: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A vida de Cristo é a moral cristã.
     Às vezes, quando falamos de moral, percebemos que isso gera um incômodo em algumas pessoas. Parece que a palavra moral soa como algo atrasado, imposto, ditatorial.
     Muitas pessoas não gostam de ouvir sobre a moral cristã e passam a rejeitar tudo o que a Igreja ensina no campo da moral.
     Na verdade, essa rejeição esconde algumas características do homem que não teve ainda uma experiência pessoal com Jesus ressuscitado que passou pela cruz.
     Este homem:
· É pseudo-auto-suficiente, ou seja, ele acha que se basta, acha que não precisa de Deus para nada;
· Despreza a fé e supervaloriza a ciência;
· Considera que obedecer a Deus significa alienação;
· Assume uma postura descrente, não se abrindo ao sobrenatural;
· Vê a religião como um conjunto de regras opressoras;
· É egocêntrico, ou seja, só pensa em si mesmo;
· É conduzido por doutrinas falsas, que não o libertam, mas o escravizam.
     O termo “moral cristã”, para esse homem, parece impor-lhe um peso do qual ele quer se livrar. Esse homem, na realidade, não conhece Jesus Cristo, não ouviu o Senhor lhe dizer:
     “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois meu jugo é suave e meu fardo é leve.” (Mt 11, 28-30).
     Vivemos assim num mundo que considera que a medida do homem é o próprio homem, ou seja, num mundo que não tem Deus como a medida da felicidade.
     A expressão “moral cristã”, para esse homem de hoje, lembra também puritanismo, algo que tentaria gerar sentimentos de culpa no homem que busca viver de prazeres. Para alguns, quando se fala de moral cristã, parece que se está querendo impor normas de comportamentos, algo que tolheria a liberdade. Nada mais errado!
     A moral cristã, colhida das Sagradas Escrituras e do Magistério da Igreja, reflete unicamente a vida de Jesus Cristo, que liberta o homem de todo tipo de escravidão, que o faz feliz já aqui nesta vida, para que na eternidade viva a felicidade sem fim.
     Viver a vida segundo a moral cristã, ou seja, segundo a vida de Jesus Cristo, corresponde a viver a verdadeira felicidade.
     O Papa Bento XVI, dirigindo-se aos jovens em Colônia, na Alemanha, na XX Jornada Mundial da Juventude, disse:
     “Repito-vos hoje o que disse no início do meu pontificado: ‘Quem faz entrar Cristo [na própria vida] nada perde, nada, absolutamente nada do que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade desabrocham realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade nós experimentamos o que é belo e o que liberta’. Disto estai plenamente convictos: Cristo de nada vos priva do que tendes em vós de belo e de grande, mas tudo leva à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo”.
     Jesus Cristo não nos priva de nada do que temos de belo e de grande, ao contrário: aperfeiçoa tudo isso!
     É interessante vermos como os dons que Deus nos deu desde sempre, no momento em que iniciamos o seguimento a Cristo, afloraram, foram sendo aperfeiçoados.
     Muitos de nós cantávamos antes de conhecer Jesus. Hoje cantamos melhor. Outros escreviam, pintavam. Alguns tinham o dom de aconselhar as pessoas, mas não o usavam dignamente.
     Hoje, após o encontro com Jesus Cristo, o que temos de belo é levado à perfeição, para a nossa felicidade e a felicidade dos homens.
     Viver como Jesus Cristo significa ser plenamente homem ou plenamente mulher.
     Ou como diz o Moysés, na Carta à Comunidade de 2005: “A santidade é a única forma de ser plenamente homem.” (Carta à Comunidade 2005, 102).
     O verdadeiro discípulo de Jesus Cristo segue-o vivendo a vida do Mestre. O seguimento de Jesus Cristo significa viver como Cristo.
     Quem não se lembra da canção do Padre Zezinho “Amar como Jesus amou” ? Esta música revela o que é a moral cristã, ou seja, como se conduz alguém que é discípulo de Jesus Cristo:
“Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou 
Pensar como Jesus pensou 
Viver como Jesus viveu 
Sentir o que Jesus sentia 
Sorrir como Jesus sorria 
E ao chegar ao fim do dia  
Eu sei que eu dormiria muito mais feliz”
     São Paulo é um exemplo de discípulo de Jesus Cristo que viveu como o Mestre, tendo chegado a dizer, na Carta aos Filipenses, capítulo 1, versículo 21: “Para mim o viver é Cristo.”
     A moral cristã consiste, portanto, em ter uma conduta de vida segundo Jesus Cristo.
     Diz o Catecismo da Igreja Católica, em seu artigo 1953:
     “A lei moral encontra em Cristo sua plenitude e sua unidade. Jesus Cristo em pessoa é o caminho da perfeição. Ele é o fim da lei, pois só ele ensina e dá a justiça de Deus. ‘Porque a finalidade da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê’ (Rm 10, 4)”.
     Para nós cristãos, importa viver como Jesus Cristo.
     E agora, falando sobre nós, que tivemos um encontro pessoal com Jesus Cristo e que, por amá-lo, quisemos viver como ele viveu, como temos conduzido nossa vida ? Podemos dizer como o Apóstolo São Paulo: “Para mim o viver é Cristo” ?
     É muito importante que, após certo tempo de caminhada, o discípulo de Jesus olhe para a sua vida e para a vida do Mestre.
     Tivemos uma experiência, um encontro, o encontro da nossa vida com Jesus Cristo, passamos a conhecê-lo, deixamo-nos amar por ele, fomos curados e libertos de uma vida infeliz, abandonamos realidades de vida que nos deprimiam, que nos escravizavam, começamos a servir a Deus, engajamo-nos em um ministério, mas esmorecemos, desanimamos e voltamos a conduzir nossa vida como antes. Começamos a achar que tudo é normal, que não é bem assim, que não é pecado, que posso agir daquele modo e me dizer ainda discípulo fiel de Cristo, enfim: voltamos à vida velha!
     São Pedro, em sua Segunda Carta, no capítulo 2, versículos 20 a 22, dirigindo-se àqueles que já conheceram Jesus e que voltaram a ter uma conduta de vida diferente da de Cristo, diz:
     “Com efeito, se, depois de fugir às imundícies do mundo pelo conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, e de novo são seduzidos e se deixam vencer por elas, o último estado se torna pior do que o primeiro. Assim, melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça do que, após tê-lo conhecido, desviarem-se do santo mandamento que lhes foi confiado. Cumpriu-se neles a verdade do provérbio: O cão voltou ao seu próprio vômito, e: ‘A porca lavada tornou a revolver-se na lama’.”
     São Pedro é incisivo: “melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça do que, após tê-lo conhecido, desviarem-se do santo mandamento que lhes foi confiado”.
     Hoje é tempo de nos aproximarmos de novo de Jesus Cristo, de nos deixarmos encontrar por ele, de introduzirmos o dedo em seu lado aberto e, pela fé, tocarmos seu coração, que pulsa de amor por nós. É hora de permitirmos que Jesus mude nossa vida, que nos faça recordar e viver o primeiro amor, para retomarmos a vida em Cristo.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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Lectio divina: Sou filho de Deus, e assim devo viver!


     Antes de fazermos a nossa lectio divina matutina de hoje, leiamos o artigo "Ano novo, vida nova!", que ensina o método da lectio divina. [Pausa]
     Hoje se conclui solenemente o Tempo do Natal, na celebração do Batismo do Senhor.  Por isto, nossa lectio divina mergulhará nesta maravilha de Deus!  

     1º degrau: Leitura.
     Abra a sua Bíblia no livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 10, versículo 34. Nossa lectio divina irá até o versículo 38.
     Vamos ler a segunda leitura do dia de hoje: livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 10, versículos 34 a 38:

     “34. Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, 35.mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo. 36.Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos. 37.Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judeia, depois de ter começado na Galileia, após o batismo que João pregou. 38.Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele.”

     Agora leia novamente este texto bíblico por mais 4 vezes, procurando perceber o que a palavra diz.
     Esta palavra fala da unção de Jesus Cristo. Como diz São Pedro, “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder”.
     Jesus é o ungido do Pai. Ele é o Cristo, o Messias, o Salvador! Jesus Cristo tem poder sobre tudo, por isso ele sempre fez e faz o bem. Ele cura, liberta e salva!

     2º degrau: Meditação.
     O que o texto diz para mim ?
     Pelo meu batismo, eu também sou ungido, também recebi o Espírito Santo. Por isto, devo viver como filho de Deus. Devo reconhecer a minha dignidade de filho de Deus,de filho no Filho Jesus Cristo.
     Hoje, por meio de sua palavra, o Senhor me convida a uma vida nova: à vida de filho de Deus, não de filho das trevas, da morte! Sou filho de Deus, e assim devo viver!

     3º degrau: Oração.
     Qual a minha resposta a Deus mediante esta palavra ?
     Senhor, pela graça batismal, sou teu filho! Nada é maior do que isto: nem o dinheiro, nem o luxo, nem minha profissão, nem “status” na sociedade! Nada é maior do que ser teu filho. É esta a minha identidade mais profunda e verdadeira: ser filho teu, meu Deus!
     Retira, Senhor, de mim toda mentalidade contra a minha essência de filho teu! Quero viver como teu filho, como eleito por ti, como irmão de Jesus Cristo, meu Pai!
     Hoje, eu escolho viver como teu filho, na tua casa, a Santa Mãe Igreja, Senhor!

     4º degrau: Contemplação.
     Contemplemos, pela graça de Deus,  o Verbo que se fez carne e habitou no meio de nós!
     Oremos:
     Jesus Cristo, eu hoje volto a viver como filho de Deus-Pai, na Igreja. Por isto, quero ir à missa hoje e recomeçar uma vida em ti, Senhor! [Pausa]
     Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Amém!
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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Lectio divina: Pela nossa fé em Jesus Cristo, temos a vida eterna!


     
     Vivamos a nossa lectio divina da manhã!
     Para isto, você deve saber em que consiste esta oração, lendo o artigo "Ano novo, vida nova!" 

     1º degrau: Leitura.
     Abra a sua Bíblia na Primeira Carta de São João, capítulo 5, versículo 5. Nossa lectio divina irá até o versículo 13.
     Vamos ler a leitura do dia de hoje: Primeira Carta de São João, capítulo 5, versículos 5 a 13:

     “5.Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6.Ei-lo, Jesus Cristo, aquele que veio pela água e pelo sangue; não só pela água, mas pela água e pelo sangue. E o Espírito é quem dá testemunho dele, porque o Espírito é a verdade. 7.São, assim, três os que dão testemunho: 8.o Espírito, a água e o sangue; estes três dão o mesmo testemunho. 9.Aceitamos o testemunho dos homens. Ora, maior é o testemunho de Deus, porque se trata do próprio testemunho de Deus, aquele que ele deu do seu próprio Filho. 10.Aquele que crê no Filho de Deus tem em si o testemunho de Deus. Aquele que não crê em Deus, o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho. 11.E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. 12.Quem possui o Filho possui a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. 13.Isto vos escrevi para que saibais que tendes a vida eterna, vós que credes no nome do Filho de Deus.”

     Agora leia novamente este texto bíblico por mais 4 vezes, procurando perceber o que a palavra diz.
     Esta palavra fala da nossa esperança: a vida eterna em Deus, que nos foi dada por Jesus Cristo!
     Pela nossa fé em Jesus Cristo, temos a vida eterna, a morte já não tem mais a última palavra, mas a vida nos foi dada por Cristo Jesus!

     2º degrau: Meditação.
     O que o texto diz para mim ?
     “Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho.” (I Jo 5, 11).
     Não viveremos para sempre nesta Terra, somos estrangeiros aqui, o Céu é o nosso lugar, é a nossa morada definitiva! O que são 80, 90 anos, diante da vida eterna, de viver para sempre em Deus, na felicidade plena, sem lágrimas, sem dor, sem sofrimento ?
     E esta vida, nós já podemos saboreá-la um pouco aqui na Terra, vivendo unidos a Jesus Cristo, vivendo da Eucaristia diária, na qual somos comungados pelo Senhor, inseridos em seu coração traspassado de amor e, daí, adentrados no seio da Santíssima Trindade, nosso Deus de amor!
     Por meio desta palavra, o Senhor nos chama concretamente a nos alimentarmos dele diariamente na Sagrada Eucaristia, após termos recebido o seu perdão no sacramento da reconciliação.
     É isto o que a palavra de Deus me diz hoje: confissão e Eucaristia! Vida eterna já antecipada aqui na Terra, pela graça de Deus!

     3º degrau: Oração.
     Qual a minha resposta a Deus mediante esta palavra ?
     Senhor, hoje, com a tua graça, eu procurarei um sacerdote e confessarei meus pecados para menos indignamente te receber no sacramento da Eucaristia e assim poder viver um antegozo das delícias do Céu!
     Sim, Jesus, meu coração deseja algo grandioso, um amor maior que eu! Meu coração te deseja, meu Deus!

     4º degrau: Contemplação.
     Na contemplação, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós, Jesus Cristo, o filho de Maria Santíssima, opera a nossa salvação!
     Podemos orar:
     Jesus Cristo, eu te louvo por tão grande obra de libertação, de cura e salvação que tu operaste agora em mim, no meu coração, na minha vida!
     Posso ver, com a tua graça, o que tu tens preparado para mim: a vida eterna! Posso hoje, também por tua graça, já usufruir um pouco da vida eterna, da felicidade sem fim, ao te receber no sacramento da Eucaristia! [Pausa]
     Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Amém!
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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