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Papa Francisco fala sobre temas polêmicos

Você quer saber o que pensa o Papa Francisco sobre temas polêmicos ?
Clique aqui e assista à entrevista que ele concedeu ao repórter Gerson Camarotti, da Globo News.
Deus abençoe você! Álvaro Amorim.
Imagem: http://www.blogdoconsa.com/2013/04/a-gargalhada-do-papa.html. 
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente: Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Fernão Capelo Gaivota

Diante do novo de Deus em minha vida, diante do novo do Espírito na Igreja, com a eleição de Francisco, a quem dedico este post, reproduzo um trecho de um livro que ficou em minh´alma e que emerge forte agora: "Fernão Capelo Gaivota", do aviador Richard Bach.

"Era de manhã e o novo Sol cintilava nas rugas de um mar calmo.
A dois quilômetros da costa, um barco de pesca acariciava a água. Subitamente, os gritos do Bando da Alimentação relampejaram no ar e despertaram um bando de mil gaivotas, que se lançou precipitadamente na luta pelos pedacinhos de comida. Amanhecia um novo dia de trabalho.
Mas lá ao fundo, sozinho, longe do barco e da costa, Fernão Capelo Gaivota treinava. A trinta metros da superfície azul brilhante, baixou os seus pés com membranas, levantou o bico e tentou a todo custo manter suas asas numa dolorosa curva. A curva fazia com que voasse devagar, e então sua velocidade diminuiu até que o vento não fosse mais que um ligeiro sopro, e o oceano com que tivesse parado, abaixo dele. Cerrou os olhos para se concentrar melhor, susteve a respiração e forçou... só... mais... um... centímetro... de... curva... Mas as penas levantaram-se em turbilhão, atrapalhou-se e caiu.
Como se sabe, as gaivotas nunca se atrapalham, nunca caem. Atrapalhar-se no ar é para elas desgraça e desonra.
Mas Fernão Capelo Gaivota — sem se envergonhar, abrindo outra vez as asas naquela trêmula e difícil curva, parando, parando... e atrapalhando-se outra vez! — não era um pássaro vulgar.
A maior parte das gaivotas não se preocupa em aprender mais do que os simples fatos do voo — como ir da costa à comida e voltar. Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota, contudo, o importante não era comer, mas voar. Antes de tudo o mais, Fernão Capelo Gaivota adorava voar.
Esta maneira de pensar não o popularizava entre os outros pássaros, como veio a descobrir. Até os próprios pais se sentiam desanimados ao vê-lo passar dias inteiros fazendo centenas de voos rasantes, sozinho.
Ele não sabia por que, por exemplo, quando voava sobre a água a uma altitude menor que a metade do comprimento das suas asas aberta, podia manter-se no ar mais tempo, com menos esforço. Esses voos rasantes não terminavam com a habitual amaragem de pés hirtos que feriam a água. Ele amarava de mansinho, os pés apertados contra o corpo, deixando apenas um rasto borbulhante. Quando começou a treinar as aterragens deslizantes na praia, e a contar em passos o comprimento do rasto na areia, os pais começaram a ficar deveras desanimados.
— Por quê, Fernão, POR QUÊ? — perguntava-lhe a mãe. — Por que é que lhe custa tanto ser como o resto do bando? Por que você não deixa os voos baixos para os pelicanos, para o albatroz? Por que não come? Filho, você está que é só pena e osso!
— Não me importo de estar só pena e osso, mãe. Eu só quero saber o que posso fazer no ar e o que não posso, é tudo. Só quero saber isso.
— Escute, Fernão — disse-lhe o pai com bondade. — O inverno não está longe.
Haverá poucos barcos e o peixe da superfície irá para zonas mais profundas. Se você tem necessidade de estudar, então estude o alimento e como consegui-lo. Esta história dos voos está muito certa, mas você tem de pensar que não pode comer um voo rasante. Não esqueça que a razão por que você voa é comer.
Fernão baixou a cabeça, obediente. Nos dias seguintes tentou comportar-se como as outras gaivotas; tentou de fato, gritando e lutando como o resto do bando, em volta dos pontões e dos barcos de pesca, mergulhando sobre restos de peixe e de pão. Mas não conseguiu.
"Não faz sentido", pensava ele largando deliberadamente uma anchova suculenta, que lhe custara bastante a ganhar, aos pés de uma velha gaivota esfomeada que o acossava. "Não faz sentido... Eu podia ganhar todo este tempo aprendendo a voar. Há tanto que aprender!"
Não tardou muito que Fernão Gaivota voltasse a pairar no céu, sozinho, longínquo, esfomeado, feliz, aprendendo.
O tema era a velocidade. Ao cabo de uma semana de prática, conseguira aprender mais sobre velocidade do que a gaivota viva mais rápida.
A trezentos metros de altura, batendo as asas com toda a força de que era capaz, lançou-se numa vertiginosa picada direta às ondas e aprendeu por que razão as gaivotas não fazem vertiginosos mergulhos picados. Em escassos seis segundos passou a mover-se a cento e vinte quilômetros por hora, velocidade que desequilibra a asa no arranque para a subida.
Vez após vez sucedeu o mesmo. Por mais cuidadoso que fosse, trabalhando até o limite da sua capacidade, perdia o controle em alta velocidade.
Subir a trezentos metros, dando primeiro tudo em frente; depois, dobrar o corpo e cair em mergulho vertical. Mas, sempre que tentava subir outra vez, a asa esquerda atrapalhava-se e fazia-o rolar violentamente para a esquerda. Ao tentar recuperar, era a asa direita que se atrapalhava, e então tremeleava como as chamas, num selvático movimento desordenado de parafuso, girando para a direita.
Não conseguiu ser suficientemente cuidadoso naquele arranque. Dez vezes tentou e dez vezes alcançou os cento e vinte quilômetros por hora, acabando sempre numa agitada massa de penas descontroladas que ia esmagar-se na água.
"A chave", pensou por fim, "deve estar em manter as asas paradas nas grandes velocidades — batê-las até chegar aos cento e vinte e depois pará-las."
Tentou outra vez a seiscentos metros, lançando-se no mergulho com o bico espetado, as asas bem abertas e firmes a partir do momento em que ultrapassou os cento e vinte quilômetros por hora. Precisou de uma força tremenda, mas deu resultado. Em dez segundos transformou-se numa mancha no céu, a cento e trinta quilômetros por hora.
Fernão acabava de estabelecer um recorde mundial de velocidade para gaivota!
Mas a vitória durou pouco. No instante em que tentou a horizontal, no instante em que modificou o ângulo das asas, projetou-se outra vez naquele terrível desastre descontrolado, e, a cento e trinta quilômetros, foi como se tivesse sido atingido por dinamite. Fernão Gaivota explodiu a meia altura e esmagou-se num mar duro como tijolo.
Quando voltou a si, a noite já era velha. Flutuava à superfície negra do oceano, encharcado em luar. As asas eram enormes e esfarrapadas barras de chumbo, mas o fracasso pesava-lhe ainda mais nas costas. Desfalecido, desejou que o peso fosse bastante para o arrastar docemente até o fundo, e acabar com tudo.
Ao afundar-se na água, uma estranha voz cavernosa soou dentro dele. "Não há nada a fazer. Sou uma gaivota. A minha natureza limita-me. Se estivesse destinado a aprender tanto acerca do voo, teria mapas em vez de miolos. Se estivesse destinado a voar a altas velocidades, teria asas curtas como o falcão e viveria de ratos em vez de peixes. O meu pai tem razão. Devo esquecer esta loucura. Devo regressar ao seio do bando e contentar-me com o que sou, uma pobre e limitada gaivota."
A noite sumiu-se, e Fernão acordou. Uma gaivota passa a noite em terra... A partir desse momento, jurou tornar-se uma gaivota normal. Seriam todos felizes.
Morto de cansaço, arrancou-se da água densa e voou para terra, grato pelo que aprendera: a forma de poupar trabalho voando a baixa altitude.
"Mas não!", pensou. "O que eu era acabou-se; acabou-se tudo o que aprendi. Sou uma gaivota como outra qualquer e voarei como uma delas." Assim, subiu dolorosamente a trinta metros e bateu as asas com mais força, apressando-se a chegar a terra. Sentiu-se melhor depois da decisão de ser apenas mais um do bando. Daí em diante não haveria mais laços a prendê-lo à força que o levara a aprender, não haveria mais desafios nem mais fracassos. E era bom deixar de pensar, e voar no escuro em direção às luzes da praia.
"ESCURO!" A voz irreal estalou em alarme. "AS GAIVOTAS NUNCA VOAM NO ESCURO!"
Mas Fernão não prestava atenção e não a ouvia. "É bom", pensava. "A Lua e as luzes brincando na água, atirando a pequenos lampejos, e tudo tão calmo, tão parado..."
"Desça! As gaivotas nunca voam no escuro! Se estivesse destinado a voar no escuro teria olhos de coruja! Teria mapas em vez de miolos! Teria as asas curtas do falcão!"
Envolto na noite, a trinta metros no ar, Fernão Capelo Gaivota... pestanejou. A dor e as resoluções desvaneceram-se.
Asas curtas. AS ASAS CURTAS DO FALCÃO!
"É isso! Como fui louco! Tudo o que preciso é de uma asinha curta, tudo o que preciso é fechar as asas o mais que puder e voar só com as pontas! ASAS CURTAS!"
Subiu a seiscentos metros acima do negro mar e, sem pensar um momento no fracasso ou na morte, apertou as asas de encontro ao corpo, deixou que apenas as pontas das asas cortassem o vento como lâminas de punhal e mergulhou na vertical.
O vento era rugido de um monstro na sua cabeça. Cem quilômetros por hora, cento e trinta, cento e oitenta, e ainda mais depressa. A tensão nas asas, agora que se deslocava à velocidade de duzentos quilômetros por hora, não chegava a ser tão forte como antes, a cento e trinta, e bastou-lhe mover só um bocadinho a ponta das asas para sair da queda sem dificuldade e disparar por cima das ondas como uma bala cinzenta de canhão apontada à Lua.
Semicerrou os olhos para se proteger do vento e regozijou-se. Duzentos quilômetros por hora! E controlados! Se mergulhasse de mil e quinhentos metros, em vez de seiscentos, que velocidade...
As promessas de momentos antes estavam esquecidas, varridas por aquele enorme vento rápido. E, contudo, não sentia remorso por não cumprir as promessas que fizera a si próprio. "Essas promessas são só para as gaivotas que aceitam o vulgar. Quem conseguiu chegar à excelência da sua aprendizagem não tem necessidade desse tipo de promessa."
Quando o sol começou a romper, Fernão Gaivota treinava outra vez. Vistos de mil e quinhentos metros, os barcos de pesca eram pontinhos escuros no azul liso da água, e o Bando da Alimentação, uma apagada nuvem de átomos de poeira, movendo-se em círculo.
Ele estava vivo, ligeiramente trêmulo de prazer, orgulhoso de que o seu medo estivesse dominado. Então, sem cerimônias, cingiu-se com as asas anteriores, estendeu as curtas, colocando as pontas em ângulo, e mergulhou diretamente em direção ao mar.
Quando passou os mil e duzentos metros, deslocava-se à velocidade máxima e o vento era um sólido muro de som contra o qual não podia mover-se mais depressa. Voava agora em pleno mergulho, à velocidade de trezentos e vinte quilômetros por hora. Engolia em seco, sabendo que se as asas se abrissem àquela velocidade ficaria reduzido a um milhão de pequenos fragmentos de gaivota. Mas a velocidade era poder, e era alegria e beleza pura. Começou o desvio a trezentos metros. As pontas das asas vibravam e ressoavam contra o vento gigante. O barco e a multidão de gaivotas cresciam à velocidade de um meteoro e lançavam-se diretamente no seu caminho.
Não podia parar; e ainda nem sabia como iria virar àquela velocidade.
A colisão seria morte instantânea.
Era melhor fechar os olhos.
Aconteceu então nessa manhã, logo a seguir ao nascer do sol, que Fernão Gaivota atravessou o Bando da Alimentação como uma bala, riscando o céu a trezentos quilômetros por hora, de olhos fechados, num tremendo rugido de vento e penas. A Gaivota da Fortuna sorriu-lhe desta vez e ninguém foi ferido.
Na altura em que espetou o bico para o céu, ainda flechava o ar a duzentos e quarenta quilômetros por hora. Quando por fim diminuiu para trinta e voltou a abrir as asas, o barco era apenas uma migalha no mar, mil e duzentos metros abaixo.
Na sua mente latejava o triunfo. Velocidade máxima! Uma gaivota a TREZENTOS E VINTE QUILÔMETROS POR HORA! Era uma vitória, o maior momento da historia do bando; e, nesse mesmo momento, nasceu uma nova era na vida de Fernão Gaivota. Voando para a sua solitária zona de treino, encolhendo as asas para um mergulho de dois mil e quatrocentos metros, dispôs-se imediatamente a descobrir como virar.
O movimento de um centímetro numa única pena da ponta da asa produzira uma curva larga e suave, a tremenda velocidade, descobriu ele. Contudo, antes de descobrir isto, verificou que, se movesse mais de uma pena àquela velocidade, era disparado em movimento giratório como uma bala de espingarda... E Fernão fez as primeiras acrobacias aéreas de uma gaivota viva.
Nesse dia não perdeu tempo conversando com as outras gaivotas e voou até depois do pôr-do-sol. Descobriu o "loop" (Este termo e os que o seguem designam movimentos de acrobacia aerodinâmica — N. do T.), o "slow roll", o "point roll", o "inverted spin", o "gull bunt", o "pinwheel".
Quando Fernão Gaivota se juntou ao bando na praia era já noite cerrada. Estava tonto e tremendamente cansado. Apesar disso, não resistiu ao prazer de voar num "loop" para terra e de fazer um "snap roll" antes de aterrar. "Quando souberem do triunfo", pensava, "ficarão loucos de alegria. Como vale a pena agora viver! Em vez da monótona labuta de procurar peixe junto dos barcos de pesca, temos uma razão para estar vivos! Podemos subtrair-nos à ignorância, podemos encontrar-nos como criaturas excelentes, inteligentes e hábeis. Podemos ser livres! PODEMOS APRENDER A VOAR!"
Os anos vindouros brilhavam e trauteavam promessas.
As gaivotas estavam reunidas em conselho quando ele aterrou, e, segundo parecia, já estavam em reunião havia algum tempo. Na realidade, estavam à espera dele.
— Fernão Capelo Gaivota! É chamado ao centro! — As palavras do Mais Velho foram pronunciadas no tom mais solene. Ser chamado ao centro só podia significar grande vergonha ou grande honra. Ser chamado ao centro por honra era a maneira como eram designados os principais chefes das gaivotas. "Claro", pensou, "o Bando da Alimentação esta manhã viu o triunfo! Mas eu não quero honras. Não me interessa ser chefe. Só quero partilhar o que descobri, mostrar a todos esses horizontes que estão à nossa frente." Avançou um passo.
— Fernão Gaivota — disse o Mais Velho — é chamado ao centro por vergonha aos olhos das gaivotas suas semelhantes!
Foi como se lhe batessem com uma tábua. Os joelhos enfraqueceram-lhe, um enorme rugido ensurdeceu-o. "Ser chamado ao centro por vergonha? Impossível! O triunfo! Eles não podem compreender! Estão errados, estão errados!"
— ... pela sua desastrada irresponsabilidade — entoava a voz solene —, por violar a dignidade e a tradição da família das gaivotas...
Ser chamado ao centro por vergonha significava que seria banido da sociedade das gaivotas, desterrado para uma vida solitária nos Penhascos Longínquos.
— ... um dia Fernão Capelo Gaivota aprenderá que a irresponsabilidade não compensa. A vida é o desconhecido e o desconhecível, mas não podemos esquecer que estamos neste mundo para comer e para nos mantermos vivos tanto quanto pudermos.
Uma gaivota nunca contesta o conselho do bando, mas a voz de Fernão ergueu-se gritando:
— Irresponsabilidade? Meus irmãos! Quem é mais responsável do que uma gaivota que descobre e desenvolve um significado, um propósito mais elevado na vida?
Passamos mil anos lutando por cabeças de peixe, mas agora temos uma razão para viver, para aprender, para descobrir, para sermos livres! Deem-se uma oportunidade, deixem-me mostrar-lhes o que descobri...
O bando mostrou-se impenetrável como a pedra.
— Quebrou-se a irmandade — entoaram em conjunto todas as gaivotas, e, em perfeito acordo, taparam solenemente os ouvidos e viraram-lhe as costas.
Fernão Gaivota passou o resto dos seus dias sozinho, mas voou muito além dos Penhascos Longínquos. A solidão não o entristecia. Entristecia-o que as outras gaivotas se tivessem recusado a acreditar na gloria do voo que as esperava. Recusaram-se a abrir os olhos e ver.
Aprendia cada vez mais. Aprendeu que um eficiente mergulho a grande velocidade lhe dava o peixe raro e saboroso que vivia três metros abaixo da superfície do mar. Já não precisava de barcos de pesca nem de pão duro para viver. Aprendeu a dormir no ar, estabelecendo um percurso noturno pelo vento do largo, cobrindo cento e cinquenta quilômetros desde o ocaso até a aurora. Utilizando o mesmo controle interior, voou através de nevoeiros cerrados e subiu acima deles para céus estonteantes de claridade... enquanto qualquer outra gaivota ficava em terra, conhecendo apenas neblina e chuva.
Aprendeu a dominar os altos ventos do continente e a jantar ali os delicados insetos.
O que outrora desejara para o bando tinha-o agora só para si. Aprendera a voar e não lamentava o preço que pagara por isso. Fernão Gaivota descobriu que o tédio, o medo e a ira são as razões por que a vida de uma gaivota é tão curta, e, sem isso a perturbar-lhe o pensamento, viveu de fato uma vida longa e feliz."

Deus abençoe você!
Álvaro Amorim.

Imagem: http://www.sxc.hu/photo/476177.
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente:
Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com 

Mais um ano chegou!

Então, mais um ano chegou!
Objetivamente, vendo de maneira bem "fria" mesmo, é só uma mudança no calendário, uma convenção humana. Passamos do dia 31 de dezembro para o dia 1 de janeiro: ano novo!
Mas como a vida humana, que é irrepetível, comporta ciclos, é natural que percebamos, em nós mesmos, diversos sentimentos e reações diante dessa mudança.
Assim, alguns ficam tristes, até depressivos, sentindo um grande "vazio".
Outros são tomados de uma grande euforia, empolgação, até uma super-agitação neste tempo.
Como os extremos são perigosos, o ideal é viver no equilíbrio.
Mas como alcançá-lo ?
Inicialmente, é bom fazer, em oração, diante do Senhor, uma retrospectiva de como se viveu o ano que passou. Uma auto-análise, em Deus, ajuda a planejar a vivência do próximo ano.
Todavia, por mais que se planeje de forma coerente, sabemos que sempre haverá as alterações decorrentes das vicissitudes da vida humana, as quais deverão ser enfrentadas com serenidade.
Sob o meu ponto de vista, o mais importante é fazer tudo em oferta ao Senhor: Se você trabalhará muito no ano que se inicia, oferte essa labuta a Deus. Se vai conviver mais com sua família, porque percebeu que esteve ausente, ofereça ao Senhor também. Assim, tudo na vida será transformado em oração pelo Espírito de Deus, que faz novas todas as coisas, inclusive verdadeiramente novo o ano que chegou.
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
Imagem: http://www.sxc.hu/photo/750005. 
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente: 
Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com  

As coisas terrenas

Será que devemos viver as coisas terrenas com pouca intensidade ? Elas são boas ou ruins ?
Quem trilha um caminho em Deus já deve ter se deparado com estes questionamentos. Na própria vida de oração, mediante a qual nos voltamos para aquele que nos transcende, que está além de nós mesmos, podemos pensar que só o Céu importa.
Realmente, somos cidadãos do Céu, pois a vida aqui vai passar, e viveremos por toda a eternidade em Deus. De Deus, viemos, nele vivemos e para ele voltaremos um dia.
Mas e as coisas terrenas (seculares), devemos desprezá-las ?
Vejamos o que diz o Livro do Gênesis:
"Deus chamou ao elemento árido terra, e ao ajuntamento das águas mar. E Deus viu que isso era bom." (Gn 1, 10) (Grifei).
O autor sagrado conclui cada versículo que narra a criação com esta expressão: "E Deus viu que isso era bom."
Esta afirmação mostra a bondade das coisas. Em si, elas não são más.
Portanto, tudo o que fora criado por Deus, pelas palavras do próprio Criador, é bom.
O que pode ocorrer é o mau uso das coisas pelo ser humano.
Dou um exemplo: O trabalho, em si, é bom, mas se, ao trabalhar, alguém desrespeita os outros, não age com ética, acaba por corromper aquilo que é bom, que fora criado por Deus.
E sobre o homem e a mulher, o que Deus falou após criá-los ?
Vamos ao Gênesis novamente:
"Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o sexto dia." (Gn 1, 31) (Destaquei).
Somente depois de criar o homem e a mulher é que Deus "superlativiza" o adjetivo "bom". Agora não é somente "bom", é "muito bom".
Isto mostra que a presença do homem e da mulher em meio a tudo que Deus criou é considerado, pelo próprio Deus Criador, como algo muito bom.
Viver aqui deve ser algo muito bom para qualquer pessoa. Assim Deus quis desde o princípio, porque ele veio para nos dar a abundância da vida, como disse o próprio Jesus:
"Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância." (Jo 10, 10).
Esta abundância não é somente a vida eterna, mas a vida aqui também.
A vida bem vivida aqui, na família, no trabalho, na Igreja, transbordará por toda a eternidade, quando Deus será abundante em todos nós, quando "Deus será tudo em todos" (cf. I Cor 15, 28).
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
 
Imagem: Celebração do Batismo da Clara. 
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente: 
Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Ser santo na família

Não sei se você ainda tem aquela mentalidade super-errada de achar que a santidade (ou seja, a plena felicidade em Deus, aqui e também, um dia, por toda a eternidade) é só para pessoas que têm o chamado ao sacerdócio ou à vida religiosa (freis, monges, irmãos de ordem), ou ainda para outras pessoas que não constituíram família de sangue.
Se este é o seu caso, é bom saber que a Igreja diz o contrário. Na verdade, afirma o oposto ao canonizar e beatificar pais e mães, casais e jovens, mostrando que é bastante possível, com a graça de Deus e nosso "sim", sermos santos trocando fraldas, cozinhando o almoço, passando a noite acordados ao lado do berço, indo buscar na escola, tendo paciência com os erros, sendo pais firmes, formando os filhos em Deus, orando por eles, participando da Eucaristia em família, trabalhando com dedicação para sermos canais da Providência para os nossos filhos, enfim, sendo família, família de Deus.
Aliás, a nenhuma outra instituição ou realidade, a Igreja "emprestou" o seu próprio nome, a não ser para a família, a qual a Santa Mãe Igreja chama, nada mais, nada menos, de "Igreja doméstica"!
Perceba-se, assim, você que é casado(a), totalmente em Deus quando você passa muito tempo na sua família, com seus filhos e cônjuge, tempo de amor, de convivência com qualidade e intensidade. Assim, você acolhe seu chamado à santidade.
E para aqueles que disserem o contrário, lembre-lhes os pais e mães, casais e jovens que a Igreja canonizou ou beatificou, isto é, declarou santos, virtuosos, bem-aventurados: Santa Gianna Beretta Molla (mãe-de-família, médica); os Beatos Luís e Zélia, pais de Santa Teresinha (beatificados não por terem sido os pais de Santa Teresinha, mas, como disse o Cardeal José Saraiva Martins, na missa de beatificação dos dois, "eles são duas testemunhas do amor conjugal"); o Beato Pier Giorgio Frassati, que faleceu bem jovem, sobre o qual disse o Servo de Deus o Papa João Paulo II: "Ele foi ativo e operoso no ambiente em que viveu, na família e na escola, na universidade e na sociedade".
Seja família de Deus, Igreja doméstica! Seja santo(a)!
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Imagem: Eu e a Sabryna, com a Clara, após esta ter mamado bastante!

A Clara nasceu!

Queridos e queridas! Aleluia!
Nossa filha Clara Pinheiro Amorim nasceu nesta segunda-feira, dia 6 de junho de 2011, às 20:37h, com 51cm e 3,555kg. Ela é linda, bela!
Para mim e para a Sabryna, mais uma promessa de Deus cumpriu-se, porque Deus é fiel!

Louvamos ao Senhor Jesus pelo dom da vida da Clara, por ela ser saudável, linda, fofa, toda nossa, toda de Deus!
Durante o parto, ao qual assisti, fiz como fizeram minha mãe, Elanir Amorim, comigo, e meu avô Claudino Amorim com a mamãe: eu consagrei a Clara ao Sagrado Coração de Jesus, pela intercessão de Maria Santíssima.
Louvamos a Deus também pela oração e torcida de vocês!
Foi uma verdadeira epifania (manifestação de Deus) nas nossas vidas!
Por isto, digo com toda a certeza do meu coração: Vale a pena viver o matrimônio em Deus, vivendo cada desafio, cada renúncia, cada alegria, cada vitória, esperando no Senhor, sempre! Vale a pena abrir-se à Vida, sem medo de gerar filhos. Eis aqui a prova de que "Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam" (Rm 8, 28).
Deus, que nos faz plenamente felizes, faça-os felizes também!
Shalom! Álvaro, Sabryna e Clara Amorim.
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Imagem: Eu, a Sabryna e a Clara no Centro Cirúrgico.

Sempre encontro a ti!

Na minha lectio divina do dia 10 de maio passado, orei com o Evangelho de Jesus Cristo narrado por São João, especificamente com Jo 6, 35: "Quem crê em mim nunca mais terá sede".
Vejo como tenho sede de Deus, tenho sede da Verdade, do Bem, da Felicidade! Para saciar esta sede, basta crer em Jesus Cristo. Aliás, o que do mundo pode saciar plenamente o ser humano ? Nada!
Mas o que é crer nele ? Seria concordar com o que ele diz, seria uma operação intelectual, uma concordância mental ? Não somente. É aderir total e irrestritamente. É uma adesão da pessoa à Pessoa! É uma adesão minha a Jesus Cristo, meu Senhor e meu Deus.
Às vezes, quando o cansaço diário tenta me apartar de viver essa adesão plena, recordo e canto, nesses momentos de fadiga nas vivências familiares e laborais, aquela bela canção dos Focolares: "É impossível".
Cante, ore, na família e no trabalho, a canção que diz: "Olho em tudo e sempre encontro a ti"! Faça dela sua oração nesses momentos, meu querido irmão, minha querida irmã!
Shalom!
Álvaro Amorim.
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Imagem: http://www.sxc.hu/photo/945302

Como viver bem o matrimônio (parte III)

Este post é o terceiro e último de uma série de três que contém pregações minhas sobre o matrimônio.
Para você que não ouviu a primeira e a segunda parte,
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Imagem: Meu beijo na Clara, pelo ventre da minha esposa.

Como viver bem o matrimônio (parte II)

Este post é o segundo de uma série de três que contém pregações minhas sobre o matrimônio.
Se você não ouviu a primeira parte,
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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Imagem: Da esquerda para a direita: casal Breno e Daniela Sindeaux,
celibatário Cassiano Azevedo e casal Sabryna e Álvaro Amorim.

Como viver bem o matrimônio (parte I)

Este post é o primeiro de uma série de três que contém pregações minhas sobre o matrimônio.
Quem é casado(a) sabe o quão belo e desafiante é viver, a cada dia, o matrimônio.
Que Jesus Cristo, o ressuscitado que passou pela cruz, salve o seu matrimônio, meu querido irmão, minha querida irmã!
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Imagem: A mais bela foto da celebração do meu matrimônio com a Sabryna.

Shalom para sempre!

24 de agosto de 2010: um dia histórico para a Comunidade Católica Shalom! Na Festa de São Bartolomeu, "um israelita de verdade, um homem sem falsidade" (Jo 1, 47), nosso Fundador, Moysés Azevedo, diante da Igreja, na pessoa de nosso Arcebispo, D. José Antônio, e diante da Comunidade, fez suas promessas definitivas na Comunidade Católica Shalom e professou os votos perpétuos no celibato pelo Reino dos Céus.
O que isto representa ? Qual o significado disto ? O que isto tem a ver com a minha vida e a sua ?
Quero me fixar em duas palavras: "definitivas" (as promessas) e "perpétuos" (os votos).
Para este mundo em que o efêmero, aquilo que passa, o transitório quer ter ares de eterno, as promessas definitivas do Moysés a Deus no carisma Shalom sinalizam muito, de forma clara e profética.
É uma mentira tratar o transitório como se eterno fosse! E é uma mentira mortal! Veja, por exemplo, o drogadicto, que busca fazer do momento transitório de uma dose algo com tons de "para sempre". O que acontece ? Sabemos muito bem: como a dose é passageira mesmo, o usuário precisará de mais doses, em intervalos cada vez menores, para tentar saciar temporariamente sua adicção. Resultado: vício total, escravidão, morte!
Prometer, diante de Deus e dos homens, viver definitivamente um chamado do próprio Deus, uma Vocação, liberta o homem de todo apego ao transitório, que tenta escravizá-lo, e lança-o no Eterno, o único que sacia o desejo mais profundo do seu coração!
Desejar viver os votos da pobreza, obediência e castidade perpetuamente, no sim de cada dia, permite que o próprio Deus configure o homem, criado à sua imagem e semelhança, em Jesus Cristo, santifique-o, isto é, faça-o plenamente feliz!
Este sim do Moysés a Deus representa muito! Aponta para aquilo que nosso coração deseja de verdade: o Absoluto, o Eterno, Deus! É, portanto, uma bela profecia, porque nos recorda que, vivendo nesta terra, devemos olhar para o Céu, nossa Pátria definitiva, perpétua!

Shalom para sempre!
Álvaro Amorim.
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

Halleluya: a festa que nunca acaba!

     Este slogan do Halleluya 2000 é recordado até hoje por muitos! Mas por que se diz que o Halleluya é a festa que nunca acaba ? 
     São cinco dias de alegria, de diversão, de festa mesmo! Jovens, famílias, crianças, pessoas vindas de todo lugar, que se reúnem no CEU (Condomínio Espiritual Uirapuru), em Fortaleza, para cantar, dançar, pular! Expressam com o corpo aquilo que vivem na alma! Ah! Aqui está a resposta: a alegria vem da alma, vem de dentro, por isso é imortal, como a alma humana, por isto não acaba! É uma alegria que não se esvanece com o fim das doses, da noite, da "lombra" ou da "parada"! Não! É algo que eleva a alma para algo maior, melhor! É uma festa que vai ao encontro do desejo de para-sempre existente no coração humano! E, como bem sabemos, só Deus pode saciar este nosso desejo.
     Quem, como eu, já curtiu todo tipo de festa sabe do que estou falando. Basta lembrar o "day-after", ou seja, o dia seguinte. Aí se diferencia aquilo que passa do que permanece.
     E você ? Qual a sua experiência com o Halleluya ? O que marcou você ? 
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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 Imagem: Banda Alto Louvor no Halleluya 2008.

A vida eterna

      Antes de concluir agora esta série de artigos, é interessante, após todos esses posts, apresentar um conceito de Bioética:

Meu louvor a ti, Senhor, pelo dom da minha vida!

    
     Hoje eu completo 38 anos de idade! Hoje é dia de celebrar a vida, de louvar a Deus por ele ter me criado, por ele ter me salvado e por ele me amar tanto!

O individualismo

     Nesta série de posts sobre o crepúsculo dos valores, veremos hoje algo muito presente no homem e na mulher pós-modernos: o individualismo.
     Esta doutrina opõe-se a toda forma de autoridade: Para os seus adeptos, o indivíduo e sua opinião devem ser preponderantes.
     Claramente se vê que muitas pessoas, mesmo sem darem nome a este tipo de comportamento, vivem de forma individualista; jamais vivem para o outro, mas para si mesmas, buscando apenas seus próprios interesses.
     É o oposto do que diz a Emmir Nogueira, em seu artigo “O segredo do KMK”:
     “Colocar-se ‘em comunhão’, dar-se em todas as dimensões do seu ser, sua história, sua vida, seu saber é, na verdade, o sinal de conversão completa e profunda.”
     Somente uma pessoa que faz comunhão de si mesma e de todas as suas realidades de vida é feliz. O fechamento em si mesma gera infelicidade.
     No nosso ministério, não experimentamos uma profunda e verdadeira alegria quando servimos, mesmo se não temos todas as condições favoráveis para o serviço ?
     Qual foi o ministro de cura que não se alegrou ao ver alguém ser curado por Jesus, mediante sua oração ? Mas se ele se fechasse em si mesmo, se se preocupasse consigo mesmo, não poderia ver essa maravilha.
     O individualismo, ao pregar que o indivíduo deve se preocupar consigo mesmo, o que lhe daria felicidade, erra gravemente, pois sabemos que somos felizes à medida em que nos deixamos configurar em Cristo, o servo de todos, aquele que veio para servir e não para ser servido.
     Como é belo ouvir a oração do Moysés Azevedo, sua oração de doação total de si a Deus e aos outros: “Senhor, a ti, tudo o que sou, tudo o que tenho...”
     No nosso ministério, na nossa família, no nosso trabalho, no nosso matrimônio, fazemos dessa oração uma realidade de vida ou a nossa vida é só para nós, para o nosso bem-estar, para a nossa satisfação pessoal ?
     Na nossa família, nós nos doamos àqueles que precisam de nós, às vezes até para serem apenas escutados ?
     No nosso trabalho, nós doamos nossa vida ajudando nossos colegas ou só fazemos as nossas obrigações profissionais ?
     E o mais importante: doamos nossa vida evangelizando as pessoas ou só evangelizamos quando exercemos nosso ministério na Obra Shalom, por exemplo ?
     Peçamos a Jesus, que doou toda a sua vida por cada um de nós, que inflame o nosso coração de parresia para a evangelização, para a doação de nossa vida a Deus e aos outros, para assim sermos felizes!
     Próximo artigo: o sensualismo.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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Imagem: http://www.sxc.hu/photo/867275

O eudemonismo

     
     Continuando a série sobre o crepúsculo dos valores, veremos a seguir a doutrina que prega que o objetivo da vida humana é o bem-estar pessoal: a doutrina eudemonista.
     Segundo o pensamento eudemonista, o homem deve afastar o sofrimento para alcançar a felicidade. Para ser feliz, o homem deveria experimentar somente a vivência constante de situações que lhe gerem bem-estar. Ser feliz, para o eudemonismo, é ter uma vida “boa”.
     O eudemonismo assim assemelha-se muito ao hedonismo, mas há uma diferença: o hedonismo considera o prazer como o bem supremo, já o eudemonismo considera a “vida boa” como o bem máximo a se alcançar.
     A “felicidade” eudemonista consiste na vivência diária daquilo que geraria bem-estar: sossego, prazer, tranquilidade, ausência de problemas e sofrimentos, harmonia interior.
     Na verdade, podemos perceber, mais uma vez, o forte individualismo nesta doutrina, o que se contrapõe totalmente ao Evangelho e à moral cristã, que pregam que a felicidade consiste em dar a vida pelos outros (Deus e os irmãos), como Cristo fez.
     Toda vez que retenho a vida, sou infeliz. Toda vez que a dou livremente, nas várias situações que me acontecem diariamente, sou feliz: “quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9, 24).
     O erro do eudemonismo consiste em considerar que o ser humano se basta para ser feliz e que a presença de sofrimentos afasta a felicidade.
     Mas, eu pergunto: alguém na face desta terra está isento de ter problemas, dores ou sofrimentos ? Alguém está imune às consequências das limitações advindas do fato de sermos criaturas e não o Criador ? Alguma pessoa está livre das consequências do pecado original, das fraquezas humanas ?
     A resposta a estas perguntas é óbvia: não!
     E viver essas realidades de dor e sofrimento significa ser infeliz ? Não! Eu posso acolher o sofrimento, próprio da minha condição humana, e ser feliz.
     Há mais de 3.000 anos atrás, um homem já havia descoberto o caminho da felicidade: a vida em Deus. Eis algumas afirmações suas:
     · “[Deus] fez comigo aliança eterna, a ser observada com absoluta fidelidade. Minha salvação e inteira felicidade não é ele quem faz germinar ?” (II Sm 23, 5);
     · “Dizem muitos: ‘Quem nos fará ver a felicidade ?’ Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz de vossa face. Pusestes em meu coração mais alegria do que quando abundam o trigo e o vinho. Apenas me deito, logo adormeço em paz, porque a segurança de meu repouso vem de vós só, Senhor.” (Sl 4, 7-9).
     Este homem foi Davi, que pecou contra Deus (II Sm 11, 2-17) e se arrependeu (II Sm 12, 13), que enfrentou conflitos e guerras (II Sm 3, 1), que perdeu um filho (II Sm 12, 16-18), e que foi capaz de dizer: “Digo a Deus: Sois o meu Senhor, fora de vós não há felicidade para mim.” (Sl 15, 2).
     Como diz a antiga canção: “Cristo é a felicidade”.
     P.S.: No próximo post, o utilitarismo.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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Vida na Esperança

      Das três virtudes teologais (fé, amor e esperança), creio que a última, quando acolhida como uma graça de Deus e vivida com o auxílio do Espírito Santo, consegue imprimir no cristão traços distintivos em relação às outras pessoas.
     Obviamente, todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Portanto, a princípio, não se pode ver distinção entre as pessoas, sejam elas cristãs ou não. Todavia, como o barro na mão do oleiro, o cristão que vive na Esperança toma contornos de uma beleza singular, o que o destaca daqueles que se fecham ao acolhimento em suas vidas deste imenso favor de Deus.
     Quem vive na Esperança é como que liberto deste corpo de morte e consegue transcender ao Céu já aqui na terra. Mesmo morando neste vale de lágrimas, vive as delícias do Céu, o que faz do cristão alguém diferente, alguém com sabor, com sabedoria, com “gosto” de sal nesta terra.
     O poeta Charles Péguy, ao definir esta graça, disse:
     “A esperança é o anseio de quem se candidata ao Eterno.”
     O poeta vê a esperança como um anseio, um desejo ardente.
     Para nós que fomos criados Shalom, isto diz muito. O Moysés, ao encerrar o escrito Obra Nova, referindo-se ao “novo” que Deus realiza em nós, fala que devemos ansiar por este “novo” e dar uma resposta concreta a Deus para que esta “obra” se concretize.
     Diz nosso Fundador:
    “Com nossos corações cheios de desejo, devemos responder dizendo: ‘Sim, Pai, não é fácil, mas eu desejo, eu quero, eu vou. Amém!’.”
     Ora, ao desejar este “novo”, ao ansiar por esta “obra nova” em nossas vidas, passamos a viver na Esperança, começamos a ultrapassar, pela graça de Deus, tudo o que nos impedia de viver o que Deus tem preparado para a nossa felicidade já aqui na terra, e começamos a permitir que o Senhor nos forme em pessoas novas.
     A vivência desta graça forma mulheres e homens novos, distintos do ser humano que nada espera, que considera que a vida é apenas a da terra, que tem como ideal o “comamos e bebamos, pois amanhã morreremos!”
     Cria-se assim uma diferença nítida entre aqueles que vivem na Esperança e aqueles que só têm olhos para o aqui e o agora. Aí repousa, como disse no início, o traço distintivo do cristão.
     Num mundo em que muitos “elaboram” sua própria fé, construindo-a a partir de si mesmos, de seus valores, de suas opiniões, de suas mentalidades e de suas vontades (o que mais parece com o fazer compras em um supermercado, onde se escolhe o que mais agrada e se rejeita o que não apetece); numa sociedade em que a caridade é banalizada e, às vezes, tida como assistencialismo de objetivo meramente narcisista, viver na Esperança dignifica o homem e a mulher, eleva-os e os torna plenos.
     Ansiar pelo Eterno, desejar ardentemente Deus, candidatar-se ao Céu, longe de alienar o cristão das realidades temporais, torna-o alguém co-responsável pela felicidade dos outros, solidário ao homem e à mulher que sofrem, atento à maior necessidade do ser humano: o encontro com Jesus Cristo, nossa Esperança!
     Em meio ao sofrimento, próprio da condição humana, a vida em Cristo, nossa Esperança, remete o cristão ao Céu, retira seu olhar da morte, liberta-o dos grilhões da dor, faz com que ele ouça seu Deus, seu Pai, dizer: “Filho, tua morada é comigo, teu lugar é o Céu, teu repouso é o meu Coração!”
     Somente a vida em Cristo dá sentido a tudo, ajuda a viver os mistérios que ultrapassam a natureza humana e assim, como habilidoso escultor, modela um belo homem e uma bela mulher! Sustenta a fé, quando se enfrenta percalço na caminhada. Aperfeiçoa o amor, pois abre o olhar da alma ao essencial.
     Só Jesus Cristo transforma a morte em vida, em vida eterna, em vida plenamente feliz, em vida em Deus, maior anseio do coração do homem e da mulher.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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"Felizes..."



Certo dia, fui pregar num grupo de oração do Projeto Família Shalom. Terminada a pregação, uma senhora de aproximadamente 45 anos de idade me procurou à parte e expôs seu desabafo. Guardo o seu nome e o do seu grupo por motivos óbvios.
Ela me disse que seu marido, tão fervoroso inicialmente no grupo, havia desistido de participar das reuniões, não rezava mais, e estava chegando até a duvidar de Deus, a dizer frases do tipo: “Deus não se importa com ninguém. Eu é que tenho que realizar meu sucesso.”
Fiquei muito tocado com seu depoimento, pois via claramente em seu rosto o desejo de ver a pessoa tão amada por ela ser feliz. Ela partilhava isso tudo não de maneira acusatória, mas com muita dor no coração, dor de quem vê o seu amor sendo roubado pelo Mal e, o pior: sendo roubado de Deus.
Pedi sabedoria ao Espírito Santo para dizer algo de Deus àquela senhora. Perguntei o que havia acontecido, e ela me contou algo que eu jamais poderia esperar, revelou-me uma nova estratégia do Mal, algo inusitado. Transcrevo abaixo suas próprias palavras:
“Meu marido comprou um daqueles “kits” para emagrecimento, aqueles que são divulgados pelas pessoas através de “bottons” na camisa. Ele começou a usar o produto, e logo veio um convite para ele participar de uma reunião. Ele voltou da reunião com alguns CDs/DVDs e começou a ouvi-los em casa. Certa noite, ao entrar no quarto, ouvi uma voz como que “robótica” dizendo: ´Se sua mulher está doente, você vai faltar à reunião da(de)... (Nome da Empresa) ? Não! Você faz o seu sucesso, você faz a sua vida. Você merece ser feliz! Nada pode atrapalhar a sua felicidade!´ Eu fiquei passada com aquilo. Parecia uma “doutrinação da mente”! Procurei conversar com ele, mostrando que isso não vinha de Deus, que algo que procura o lucro a todo custo, chegando a ponto de separar um casal, sobretudo se um está doente, não pode ser bom, não pode ser do Bem. Ele me disse que eu não o apoiava, que eu o estava atrapalhando a ganhar dinheiro e coisas do gênero. Em pouco tempo ele abandonou o grupo de oração e começou a falar contra Deus. Alguém que começou a caminhada tão alegre, tão vivo, estava com aspecto de raiva, de tristeza, de dor. Meu marido precisa ser acompanhado, precisa receber oração de libertação, pois sei que o Mal invadiu seu coração.”
Ouvindo o relato dessa senhora, encaminhei-a logo a um casal do Ministério de Cura, amigo meu, para que seu marido fosse acompanhado e recebesse oração de libertação. É óbvio que os ministros de cura teriam que pedir uma sabedoria a Deus para chegar até o marido dela e iniciar uma partilha, procurando levar a Verdade, a luz de Deus para ele.
No dia seguinte, depois disso tudo, desse testemunho de dor, encontrei-me com um irmão meu de caminhada, discípulo da Comunidade de Aliança, que já havia participado de uma reunião como essa relatada por essa senhora, mas que percebeu o Mal contido nessa “doutrina” e não seguiu adiante nessa empreitada.
O que este meu irmão me contou deixou-me perplexo. Disse-me ele:
“Álvaro, o que eles querem lá não é vender o produto para uma pessoa. A venda do produto é só o início da cadeia. Após a pessoa adquirir o produto, ela é orientada a arranjar mais dez pessoas para comprarem o produto, e assim por diante. Mas para eles conseguirem formar a pessoa para essas vendas, há toda uma doutrina por trás. Fui à reunião com a minha esposa. Era um salão muito chique, muito bonito! A reunião foi iniciada por um homem de aproximadamente 40 anos, usando gravata, que falava empolgadamente. Um telão começou a mostrar uma loura bem magra, deitada à beira de uma piscina, e uma voz dizendo: “Você merece saúde!” Em seguida, um homem novo, com uma chave na mão, abrindo um carro importado, e a voz: “Você merece sucesso!” E assim, tudo o que se dizia era que a felicidade estava nas nossas mãos, que podemos tudo, que não há limites para lucrar e coisas semelhantes. Depois começaram os testemunhos. Uma senhora começou a falar, dizendo que era gerente de um banco, e mostrou o contracheque cujo valor era de um salário mediano, em termos de Nordeste. Em seguida, ela disse: “Depois que comecei a vender..., deixei o banco e olhem meu contracheque!” Aí, no telão, apareceu um valor exorbitante! Eu chamei minha mulher e fui embora! Pense numa “Nova Era”, numa falsa doutrina! Tudo contra o Evangelho, tudo contra Cristo! E o pior: “tá” cheio de gente vendendo esses produtos, com os “bottons” na camisa, participando dessas reuniões!”
Depois da partilha desse meu irmão, eu não tinha mais dúvida: mais uma cilada do Inimigo para o povo de Deus! Fiquei impressionado com a astúcia do Inimigo. Sabe por quê ? Porque antes o Mal podia ser visto claramente. Por exemplo: na Praia de Iracema, numa sexta-feira à noite, vê-se a prostituição nas calçadas das boates, a exploração do ser humano, tão amado por Deus e tão humilhado pelo Mal. É algo claro, que pode ser visto sem se fazer um profundo discernimento, sem procurar analisar a fundo o conteúdo desses atos. De cara, vê-se que ali há algo mau, que fere o homem e a mulher e, por isso, fere o coração de Deus. Mas no caso citado pela senhora do Projeto Família Shalom e confirmado por esse irmão discípulo, não! A princípio, podem ser ditas frases do tipo:
·         “Hoje em dia, temos que ganhar dinheiro mesmo, e esse “kit” faz o bem, emagrece, não vejo mal algum!”
·         “Todas as corporações usam esse “marketing” de rede, e o sucesso e o dinheiro fazem bem ao ser humano. É um trabalho como outro qualquer!”
Eu poderia escrever outras tantas frases que ouvimos nesses casos, justificativas de quem, às vezes, nem se permite questionar algo, sobretudo se lhe traz dinheiro.
O que pretendo aqui é, depois desses dois testemunhos, confrontar essa “doutrina” com o Evangelho.
Inicialmente: será que Jesus, quando disse: “Ninguém pode servir a dois senhores: com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro; não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16, 13), não nos alerta para esse tipo de doutrina, que põe o dinheiro como senhor, que prega a busca desenfreada da “felicidade”, a todo custo, a custo da fé, do casamento, da solidariedade humana ? Será que, ao mostrar belas mulheres, homens bem vestidos, com carros, pessoas em piscinas, casas suntuosas, luxo, riqueza, essa doutrina não erra gravemente, pois se opõe ao conceito de felicidade, contido no Evangelho ?
Jesus Cristo nunca disse que somente quem possui riquezas é feliz, pois a felicidade não está em tê-las, mas são “felizes os pobres em espírito, os mansos, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz” (cf. Mt 5, 3-9). Até passando por alguma aflição, seja econômica ou não, a pessoa pode ser feliz: “Felizes os aflitos, porque serão consolados.” (Mt 5, 5).
Pode ser que alguém até pense que nós católicos não vemos a riqueza conquistada com justo trabalho como mais uma bênção de Deus, como mais um dom seu. Não é verdade! Procuramos ir à raiz, procuramos a Verdade, e sabemos que bens materiais, por si mesmos, não fazem o ser humano feliz. Pergunte aos milhares de ricos que estão agora mergulhados em uma profunda depressão ou veja as estatísticas de suicídios em países como a Suécia, a Suíça ou o Japão. Você verá que os milhões de dólares ou euros não foram capazes de saciar o coração do homem, pois “inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Deus” (Santo Agostinho, Confissões, Livro I, número 1).
Fica também um grande alerta para nós Shalom que caminhamos para a consagração perpétua a Deus, que trilhamos o caminho do “para sempre” em Deus: cada vez mais, não nos iludamos, o Inimigo será mais astuto, não haverá mais tantas seduções diretas, mas indiretas, camufladas, escondidas em “oportunidades”. Afinal, “quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento... A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas, lançada de um extremo ao outro.” (Homilia do então Cardeal Joseph Ratzinger, na missa para a eleição do Pontífice Romano, 18/4/05).
Como Shalom, como pessoas que nasceram para evangelizar, “devemos estar animados por uma santa preocupação: a preocupação de levar a todos o dom da fé, da amizade com Cristo. Na verdade, o amor, a amizade de Deus foi dada para que chegue também aos outros. Recebemos a fé para levá-la aos outros. (...) E devemos levar um fruto que permaneça. Todos os homens querem deixar vestígios duradouros. Mas o que permanece ? O dinheiro, não. Também os edifícios não permanecem; os livros também não. Depois de um certo tempo, mais ou menos longo, todas estas coisas desaparecem. A única coisa que permanece eternamente é a alma humana, o homem criado por Deus para a eternidade. O fruto que permanece é portanto quando semeamos nas almas humanas o amor, o conhecimento; o gesto capaz de tocar o coração; a palavra que abre a alma à alegria do Senhor.” (Homilia do então Cardeal Joseph Ratzinger, na missa para a eleição do Pontífice Romano, 18/4/05).
Em momentos como este, lembro-me de uma canção cantada pela minha mãe, uma canção muito antiga, tão simples, mas com uma verdade profunda. Com a Verdade:
“Cristo é a felicidade / Cristo é a felicidade. / Sem ter amor nesta vida não há / quem seja feliz de verdade!”
Pense nisto! Viva isto!
Shalom!
Álvaro Amorim. 
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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