O crepúsculo dos valores

      A partir deste artigo, inicia-se uma série de postagens sobre algo muito atual, que nos diz respeito como cristãos. Trata-se do crepúsculo dos valores.
     Quando falo em crepúsculo dos valores, refiro-me à decadência, ao declínio dos valores experimentado pelo homem e pela mulher de hoje.
     O ser humano tem promovido um declínio, uma queda, dos verdadeiros valores. Basta olharmos para a humanidade e vermos como há uma profunda crise de valores. O que o homem e a mulher de hoje valorizam não corresponde mais àquilo que a moral cristã aponta como adequado, como valores evangélicos. Deste modo, afastando-se dos valores evangélicos, o homem e a mulher afastam-se de Jesus Cristo, afastam-se da verdadeira felicidade e penetram na cultura de morte.
     Este crepúsculo, declínio, dos valores pode ser percebido em algumas doutrinas vivenciadas pela humanidade atualmente. Olhando para a forma de vida adotada por grande parte da humanidade, percebe-se claramente que o que impera são essas doutrinas, não os valores de Jesus Cristo.
     Neste primeiro artigo, vejamos a doutrina hedonista.
     Esta doutrina considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível para o homem. Tudo o que se opõe ao prazer representaria infelicidade para o homem.
     A pessoa hedonista busca incessantemente tudo o que possa lhe proporcionar prazer, satisfação, gozo, e rejeita tudo o que possa lhe pedir renúncia ao prazer imediato, tudo o que gere dor ou sofrimento.
     O hedonista vive em busca de prazer. Toda a sua vida consiste em obter o máximo de prazer possível em cada situação e recusar tudo o que se oponha ao prazer individual e imediato.
     Façamos um paralelo entre algumas características da doutrina hedonista e a moral cristã estabelecida no Evangelho:
O QUE DIZ A MORAL HEDONISTA O QUE DIZ A MORAL CRISTÃ
A pessoa hedonista é extremamente egoísta, pois busca somente o seu prazer individual e imediato. Para ela, 
o outro, quando não colabora para a realização do seu prazer, torna-se um obstáculo a ser superado, algo 
inútil a ser descartado.
“[A caridade] não busca os seus próprios interesses” (I Cor 13, 5b).
Eu amo e sou feliz quando não busco realizar, satisfazer, meus próprios interesses, mas busco ter como minha a vontade de Deus.
O hedonista tenta fugir de qualquer sofrimento que a vida lhe apresente, tornando-se assim irresponsável perante os problemas. Como busca somente o prazer, não consegue 
acolher e viver os sofrimentos 
próprios da condição humana.
O exemplo de Jesus Cristo: “Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos (...) Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos (...) Eis por que lhe darei parte com os grandes, e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida” (Is 53, 3a.4.12a).
O hedonismo rejeita o seguimento do Cristo casto, pois prega a busca do prazer a todo custo, sem limites, sem responsabilidade. Diz Jesus: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16, 24).
     Exemplos de comportamentos e pensamentos hedonistas:
     “Eu vou bem ficar sofrendo aqui, cuidando desta irmã que está doente ? Vou já me arrumar e vou pro “shopping”, me divertir, eu preciso, sou gente!”
      “Ah, lá vem esse pregador falar de renúncia! Eu só vivo para os outros, só penso nos meus filhos, no meu esposo/minha esposa, tá na hora de pensar um pouco em mim. Faz tempo que não faço algo que me dê prazer. Afinal sou livre! Cansei desta vida. Vou agora investir em mim.”
     “Mas por que Deus permitiu este sofrimento que vivo hoje ? Acho que ele não me ama. Estou sofrendo demais! Vou dar um tempo e sair. É hora de pensar no meu prazer também! Chega de sofrimento e renúncia! Essa pessoa nunca me dá alegria, nunca sinto prazer perto dela! Eu preciso ser feliz! Não nasci pra sofrer! Chega!”
     “Ah, qual o problema de usar esta roupa ? Eu me sinto bem quando as pessoas olham para mim! Não vou renunciar e usar roupa de velha! Sou jovem, preciso ser feliz!”
     “O que tem de mais eu ir para aquele “show” ? Não vejo problema nenhum. Quem faz o ambiente sou eu! Eu preciso me divertir, preciso curtir a vida!”
     Veja a característica básica da pessoa hedonista: “eu preciso, eu quero, eu, eu, eu...” No fundo, o hedonismo, a busca do prazer como único bem do homem, representa um culto a si mesmo, uma auto-idolatria, e, portanto, uma rejeição a Jesus Cristo e à moral cristã.
     Buscando o prazer máximo, individual, imediato, o homem passa a ser escravo, pois nunca está satisfeito, torna-se insaciável, irrequieto, precisa sempre de uma “dose” maior de prazer para se sentir bem.
     Mas, sabemos que a verdadeira felicidade não consiste na realização de prazeres, de gozos. Como diz Santo Agostinho, “inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Deus.” Sabemos, sim, que Cristo é a felicidade!
     P.S.: No próximo artigo, o eudemonismo.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
Imagem: http://www.sxc.hu/photo/916520

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2 Comentários:

Anônimo comentou:

Concordo "ipsis literis" com esse artigo. E ainda acrescentaria o nosso dia-a-dia no trânsito como a confirmação do egocentrismo.

Álvaro Amorim comentou:

Caro(a) irmão(ã),
Temos uma esperança, a Esperança: Jesus, aquele que não se centrou em si mesmo, mas pensou em cada um de nós, em mim e em você!
Shalom!
Álvaro Amorim.
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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