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“Para ti, estudar é uma obrigação grave”

Bem atuais e verdadeiras estas palavras de São Josemaria Escrivá:
"Oras, mortificas-te, trabalhas em mil coisas de apostolado... mas não estudas. - Não serves, então, se não mudas. O estudo, a formação profissional, seja qual for, é obrigação grave entre nós. (Caminho, 334).
Para um apóstolo moderno, uma hora de estudo é uma hora de oração. (Caminho, 335).
Se tens de servir a Deus com a tua inteligência, para ti estudar é uma obrigação grave. (Caminho, 336).
Frequentas os Sacramentos, fazes oração, és casto... e não estudas... - Não me digas que és bom; és apenas bonzinho. (Caminho, 337)".

Deus abençoe você!
Álvaro Amorim.
Imagem: http://opusdei.org.br/pt-br/
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente:
Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Servir o Senhor e os homens

Hoje publico belíssimo texto de São Josemaria Escrivá, que tocou profundamente em meu coração.
Aliás, escrevendo agora esta introdução ao texto, recordo-me de como tem sido a missão do Santo Padre o Papa Francisco: tudo a ver com o que você vai ler agora:

“Servir o Senhor e os homens”
"Qualquer atividade - seja ou não humanamente muito importante - tem de converter-se para ti num meio de servir o Senhor e os homens: aí está a verdadeira dimensão da sua importância. (Forja, 684)
Não me afasto da mais rigorosa verdade se digo que Jesus continua ainda hoje a buscar pousada no nosso coração. Temos que lhe pedir perdão pela nossa cegueira pessoal, pela nossa ingratidão. Temos que lhe pedir a graça de nunca mais lhe fecharmos a porta de nossas almas.

O Senhor não nos oculta que a obediência rendida à Vontade de Deus exige renúncia e entrega, porque o amor não reclama direitos; quer servir. Ele percorreu primeiro o caminho. Jesus: como foi que obedeceste? Usque ad mortem, mortem autem crucis, até à morte, e morte de Cruz. Temos que sair de nós mesmos, complicar a vida,perdê-la por amor de Deus e das almas... Tu querias viver, e que nada te acontecesse; mas Deus quis outra coisa... Existem duas vontades: a tua vontade deve ser corrigida para se identificar com a Vontade de Deus, e não a de Deus torcida para se acomodar à tua.

Tenho visto, com alegria, muitas almas jogarem a vida - como Tu, Senhor, usque ad mortem! - para cumprir o que a vontade de Deus lhes pedia, dedicando seus esforços e seu trabalho profissional ao serviço da Igreja, pelo bem de todos os homens.

Aprendamos a obedecer, aprendamos a servir. Não há maior fidalguia do que entregar-se voluntariamente a servir os outros. Quando sentimos o orgulho que referve dentro de nós, a soberba que nos leva a pensar que somos super-homens, é o momento de dizer não, de dizer que o nosso único triunfo há de ser o da humildade. Assim nos identificaremos com Cristo na Cruz, sem nos sentirmos aborrecidos ou inquietos, nem com mau humor, mas alegres, porque essa alegria, o esquecimento de nós mesmos, é a melhor prova de amor. (É Cristo que passa, 19)".
(Fonte: www.opusdei.org.br).
Deus abençoe você!
Álvaro Amorim.
Imagem: www.opusdei.org.br.
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente: Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Oração

Muita gente escreve muito sobre oração. Penso que é pouco provável que se estabeleçam regras rígidas de oração, com formalidades mil.
Prefiro acolher o que disse uma Pequenina de Deus, palavras tão sábias que foram tomadas por empréstimo pelo Catecismo da Igreja ao definir oração (§ 2558):

"Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria" (Santa Teresinha) (Grifei).
Hoje orei assim. Meu coração, num impulso, mergulhou no Coração de Jesus.
Ajudaram-me o Evangelho (Mt 7, 21.24-27) e esta bela canção do Walmir Alencar.

Deus abençoe você!
Álvaro Amorim.
Fontes: Catecismo da Igreja Católica, § 2558; youtube.com
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Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente:
Autor: Álvaro Amorim, em anunciodaverdade.blogspot.com 

O pior de todos os pecados

Se você acha que adulterar no matrimônio é o pior dos pecados, enganou-se. Se você pensa que é roubar, está longe de acertar. Se considera que é viver embriagado, aí é que está errado!
Por surpreendente que pareçam, esses tipos de pecados mais "vistosos" aos olhos humanos não chegam nem perto do pior de todos os pecados: o orgulho!
Antes de provar por que o orgulho é o pior tipo de ofensa a Deus e ao próximo, quero deixar bem claro que os exemplos citados são pecados sim, só que não alcançam a perniciosidade do orgulho, considerando-se o cometimento de plena consciência, isto é, quando o agente atua sabendo o que está fazendo.
Vejamos logo, de cara, o que diz a Palavra de Deus:
"Exterminarei o que em segredo caluniar seu próximo. Não suportarei homem arrogante e de coração orgulhoso" (Salmo 101(100), versículo 5).
"Deus resiste aos soberbos [orgulhosos], mas dá sua graça aos humildes" (Tiago 4, 6).
É óbvio que alguém que intencionalmente rouba, que sabe que é errado e continua a roubar até o fim da vida, sem arrependimento nenhum, provavelmente não encontrará graça diante de Deus. Não que o Senhor não seja sempre misericordioso. Não! O que há não é um defeito na misericórdia divina, mas sim uma contumácia (teimosia), insistência do homem em permanecer sempre no erro, no pecado. Como Deus criou o homem com o livre-arbítrio, ele respeita a decisão de cada um, pois, se não a respeitasse, verdadeiramente não amaria o homem, pois faria dele uma marionete, conduzindo-o "à força" para o bem, o que é, em si, uma contradição, e contradição não há em Deus.
Ocorre que, se esse ladrão que, por exemplo, roubou fortunas, arrepender-se de verdade, no mesmo instante, Deus já o perdoou e lhe garantiu o Céu, pleno, cheio de graça, o mesmo estado de graça no qual se encontram todos os santos, como São Francisco de Assis, só para citar um.
"Ah, Álvaro, não é possível! Você quer dizer que alguém que fez o mal a vida toda e se arrependeu (vá lá que seja de verdade!) tem a possibilidade de usufruir o Céu como qualquer santo ?!"
A esta pergunta que poderia ser feita por alguém, deixo simplesmente Jesus responder:
"Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: 'Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!' Mas o outro o repreendeu: 'Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício ? Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.' E acrescentou: 'Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!' Jesus respondeu-lhe: 'Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso'." (Lucas 23, 39-43).
Não seria necessário escrever mais nada, mas vamos lá, ver a maldição do orgulho!
Nesta minha caminhada, desde o meu primeiro encontro com Cristo, nos dias 19 e 20 de agosto de 2000, deparei-me com situações marcantes, relativas ao que escrevo agora:
Vi pessoas participantes de grupos de oração ou de comunidades sofrerem perseguições, injúrias, maledicências, desprezo, rejeição, desamor porque cometeram os ditos "pecados vistosos", aqueles citados no primeiro parágrafo deste texto, por exemplo. E toda essa repulsa anti-evangélica, na maioria das vezes, partiu de pessoas tidas como "santas, justas, consagradas!"
Fico imaginando se Jesus faria o mesmo.
Como foi que Jesus agiu com a mulher descoberta em adultério (João 8, 1-11) ? Ele jogou pedra ? Ele achou justo que os outros a apedrejassem ? Não! Sabiamente, ele a livrou da morte, da ira dos tidos como "justos"! Aliás, mandou que eles olhassem para si mesmos e vissem que também eram pecadores, já que o orgulho daqueles algozes os impedia de se considerarem como tais.
Aí está o orgulho: Não se vê o "tamanho" do próprio pecado, mas se considera "imenso" o do outro! Nada mais enganador! Nada mais diabólico!
Por isto é que "Deus resiste aos soberbos [orgulhosos], mas dá sua graça aos humildes" (Tiago 4, 6). O orgulhoso não permite que a graça de Deus o alcance, e Deus respeita essa decisão. O pecador humilde arrasta para si toda a misericórdia divina, que "alveja" sua alma, que o santifica.
Veja o exemplo que Jesus usou para mostrar como é a misericórdia divina: Lucas 15, 11-24 (A Parábola do Filho Pródigo).
Bastou o filho que havia abandonado a Casa do Pai arrepender-se e começar a voltar para o Pai, que este, "movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou" (Lucas 15, 20).
Pergunta: O Pai disse ao filho, ainda ao longe, alguma das frases abaixo ?
"Eh, rapaz, quero ver se você muda mesmo! Torrou parte da minha fortuna e agora vem de cara lisa ?" Ou então: "Eh, sujeito, vai pra roça, trabalhar com os servos, antes de eu pensar em deixar você entrar em casa de novo!" Ou ainda (pelo menos!): "Olha, tudo bem, mas vá tomar um bom banho porque esse fedor de porcos tá demais!" 
Foi assim que o Pai fez ? Foi esse tipo de condição que o Pai impôs para acolher o Filho ?
De jeito nenhum!
O filho estava "podre de fedor", não só porque estava trabalhando com porcos e disputando na lama as bolotas que jogavam a esses animais, mas sobretudo pelo seu pecado.
Mas o Pai não quis nem saber: "movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou" (Lucas 15, 20).
Na verdade, o Pai nem respondeu ao que o filho tinha decorado para dizer ("Meu Pai, pequei contra o céu e contra ti [...]"). Foi logo se voltando aos servos e mandando que eles vestissem o filho e preparassem um banquete. Sabe por quê ? Porque ao Pai, a Deus, que é a misericórdia em pessoa, não interessam as justificativas, as explicações. Ele quer seu filho: eu e você, pecadores que se reconhecem pecadores, que não barram a graça do perdão, da misericórdia, do amor, com o maldito orgulho!
Pecadores sim, mas que confiam na misericórdia de Deus porque já experimentaram de verdade este Amor, porque já viram bem fundo naqueles belos olhos de ternura o aconchego do perdão!
Que belos olhos de amor tem Jesus!
Como é triste ver irmãos em Cristo afastarem-se de outros que não participam mais do grupo de oração.
Lembro-me do que disse um padre de uma Nova Comunidade numa pregação: "No quadrante seguinte, nem aparecem mais os nomes daqueles que saíram do grupo, mas estes nomes deveriam estar no topo da primeira folha do quadrante, pois são os que deveriam ser mais lembrados".
Como não combina nem um pouco com o Evangelho achar orgulhosamente que estando no grupo ou na comunidade, garantida está a "santidade", e que aos "de fora" resta a impiedade!
Tenho visto tanta gente trilhando o caminho da santidade sem estar em grupo ou comunidade!
Por exemplo: Uma mãe de família que era bem farristazinha quando solteira e que hoje, casada, com filhos, suporta no Amor os desafios de ter um marido imaturo, que gosta de beber de vez em quando, o qual não partilha de modo justo o fardo do lar! Essa jovem mãe é paciente, não tem ataques histéricos, não vive murmurando, nem colocando o marido "na parede" para ele agir de outro modo. Sabe o que ela faz ? Vive o Evangelho: simplesmente ama! E muita gente não acreditava que ela seria assim quando casou grávida. Mas, como diz a Palavra: "O Espírito sopra onde quer" (João 3, 8), e não somente nos grupos de oração ou comunidades.
Que lição de amor para o orgulhoso!
Uma vez ouvi de um fundador de uma Nova Comunidade, numa pregação para seus membros: "Vocês não deveriam se escandalizar com os pecados que alguns membros da comunidade cometem. Deveriam se escandalizar é com a falta de misericórdia que vocês têm com esses irmãos!"
Deus abençoe você!
Álvaro Amorim.

Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Parábola_do_Filho_Pródigo
Nas citações desta obra ou de parte dela, inclua obrigatoriamente: 
Autor: Álvaro Amorim, em http://anunciodaverdade.blogspot.com

Nada de chilique, só amor!

As novas comunidades têm um grande desafio no tempo presente, de cuja solução depende a eficácia da evangelização no mundo hodierno: Permitir que o Espírito purifique o ser aliança/engajado/obra, isto é, o viver a consagração a Deus estando no mundo, trabalhando, vivendo na família natural, em meio aos amigos, na Universidade.
Digo isto porque conheço um pouco a amplitude deste desafio.
Pelo simples fato de terem surgido há menos de 50 anos, sendo, portanto, novíssimas na Igreja (o Franciscanismo tem mais de 800 anos e ainda se permite ser renovado pelo Espírito!), as novas comunidades encontram-se em processo de nascimento, são como que bebês recém-nascidos, que dependem em tudo dos pais. Logo, não podem prescindir do cuidado paterno e materno, sob pena de fazerem muitas "bobagens", pondo em risco sua própria existência.
Este cuidado deve ser acolhido como algo vital, vindo do próprio Deus, recebido por cada fundador, cofundador, conselho geral ou outro órgão deliberativo da comunidade. Há que se deixar de lado o orgulho de achar-se o único receptáculo da voz de Deus para ouvir os casais, os jovens, os estudantes que são membros da comunidade. Não se trata de uma escuta democrática, a qual resultaria no acolhimento da vontade da maioria, não! Sabemos que as coisas de Deus não são discernidas assim, pela maioria! Mas significa ouvir essas realidades contemplando seu mistério, respeitando sua natureza, colhendo delas a beleza que o Criador lhes atribuiu. Numa palavra: permitindo e incentivando que elas sejam aquilo que são: que a família seja família, que o estudante seja estudante, e assim por diante.
É preocupante ver nas novas comunidades uma tendência, muitas vezes vinda da direção das mesmas, a "celibatarizar" ou "clerificar" quase todos os jovens que participam da obra, ou, pior ainda, as famílias que fazem parte da comunidade.
Isto ocorre quando, por exemplo, no ano formativo da comunidade, há bastante tempo dedicado à apresentação das belíssimas vocações ao celibato e ao sacerdócio, mas quase não há nada referente à também belíssima vocação ao matrimônio, a começar por abordar temas como o namoro, a sexualidade, a formação/educação dos filhos.
Parece que, por considerarem a vocação ao matrimônio algo natural, esquecendo que também é sobrenatural, posto ser um chamado de Deus, deixam "para lá", a fim de que aqueles que são chamados ao matrimônio cuidem, por si só, de sua formação inicial.
Que triste e irresponsável omissão!
Certa vez, uma psicóloga amiga minha contou-me, sem citar nomes, é claro, que atendeu moças recém-casadas, consagradas de comunidades de renome, que estavam ainda durante a fase que deveria ser a "lua-de-mel", mas que simplesmente deram um tremendo "chilique" quando se viram diante de seu marido, nu, na noite de núpcias! Praticamente "piraram".
Umas relataram que, no fundo do coração, tinham a sensação de estarem cometendo um grave pecado, ao "terem" que viver o ato conjugal (relação sexual entre os cônjuges), mesmo tendo acabado de receber a bênção de Deus na celebração do matrimônio.
Outras desabafaram aos prantos dizendo que simplesmente "petrificaram-se", que preferiam não viver aquele momento, que rezar era muito melhor, que achavam que estavam traindo Jesus!
Meu Deus! Que absurdo!
Não precisa nem fazer uma defesa da belíssima vocação matrimonial, com tudo o que ela comporta, inclusive com o ato conjugal, abençoado e querido por Deus para a união do casal e para a procriação, para se perceber que houve graves falhas, lacunas na formação dessas moças consagradas!
Pior! Já ouvi fundador de comunidade dizendo que não era necessário falar/pregar/formar sobre o ato conjugal, pois todo homem e mulher sabem o que fazer na lua-de-mel, após a celebração do casamento na Igreja.
É! Parece que, para essas moças atendidas gratuitamente por essa minha amiga psicóloga, algo deveria ter sido falado/pregado/formado!
Aliás, não somente sobre a beleza do ato conjugal se deve falar, mas sobre o matrimônio como um todo, sobre como ele é caminho de santidade.
Basta relembrar que o Servo de Deus o Papa João Paulo II beatificou o casal Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi, em 21 de outubro de 2001.
E atenção: Esse casal teve 4 filhos, logo tiveram atos conjugais, sim! Deram-se um ao outro, de corpo e alma, vivendo seu amor recíproco, para a geração dos 4 filhos, tudo muito normal!
Viveram sem alarde!
Ele não precisou deixar a família toda noite para pregar o evangelho aos outros, e ela não precisou deixar os filhos em casa com babás para evangelizar pelas ruas para serem santos! Não! Viveram primeiramente em família, para a família, e assim evangelizaram, deram testemunho a todos que eram por eles acolhidos em seu lar.
Veja o que disse o Papa João Paulo II na homilia da missa de beatificação desse casal:
"Luigi e Maria viveram, à luz do Evangelho e com grande intensidade humana, o amor conjugal e o serviço à vida. Assumiram com responsabilidade total a tarefa de colaborar com Deus na procriação, dedicando-se generosamente aos filhos a fim de os educar, guiar e orientar na descoberta dos seus desígnios de amor. Deste terreno espiritual tão fértil surgiram vocações para o sacerdócio e para a vida consagrada, que demonstram como o matrimônio e a virgindade, a partir do comum enraizamento no amor esponsal do Senhor, estão intimamente relacionados e se iluminam reciprocamente. Foram cristãos convictos, coerentes e fiéis ao seu próprio batismo; foram pessoas cheias de esperança, que souberam dar o justo significado às realidades terrenas, tendo os olhos e o coração postos sempre na eternidade. Fizeram da sua família uma autêntica igreja doméstica, aberta à vida, à oração, ao testemunho do Evangelho, ao apostolado social, à solidariedade com os pobres, à amizade" (Destacou-se).
Ora, se há formação para os rapazes que desejam ingressar no seminário, por que não se dá, com a mesma e justa intensidade, formação para os jovens que desejam "ingressar" no namoro ? Será que Deus faz distinção ? Será que a vocação ao sacerdócio é "superior" à do matrimônio ?
Primeiro: A Igreja, pelo Servo de Deus João Paulo II, não teria beatificado esse casal se o matrimônio não tivesse grande valor para Deus!
Segundo: O que é a Bíblia mesmo ? Se pudéssemos resumi-la numa breve explicação, poderíamos dizer: Do início ao fim, é Deus que desposa a humanidade, que quer que o homem e a mulher vivam nele para sempre!
Desposar, esposo, esposa! Não são palavras da mesma família, com a mesma raiz ?
Qual a "historinha" que inicia a Bíblia ? A história de um casal, do primeiro casal, Adão e Eva (Livro do Gênesis).
Como a Bíblia termina ? Com as núpcias do Cordeiro: Deus se valeu da imagem das núpcias, do matrimônio, para mostrar que na Eternidade viveremos unidos a ele (guardadas as devidas proporções) como um casal deve viver aqui na Terra (Livro do Apocalipse).
Ah, e no meio desse "livro", a Bíblia Sagrada, Deus colocou o Cântico dos Cânticos: mais uma imagem matrimonial que Deus quis usar para mostrar como ele nos ama. Vamos a este belo texto sagrado:
" - Tu és bela, minha querida, tu és formosa! Por detrás do teu véu os teus olhos são como pombas, teus cabelos são como um rebanho de cabras descendo impetuosas pela montanha de Galaad, teus dentes são como um rebanho de ovelhas tosquiadas que sobem do banho; cada uma leva dois (cordeirinhos) gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas.Teus lábios são como um fio de púrpura, e graciosa é tua boca. Tua face é como um pedaço de romã debaixo do teu véu; teu pescoço é semelhante à torre de Davi, construída para depósito de armas. Aí estão pendentes mil escudos, todos os escudos dos valentes. Os teus dois seios são como dois filhotes gêmeos de uma gazela pastando entre os lírios. Antes que sopre a brisa do dia, e se estendam as sombras, irei ao monte da mirra, e à colina do incenso. És toda bela, ó minha amiga, e não há mancha em ti. Vem comigo do Líbano, ó esposa, vem comigo do Líbano! Olha dos cumes do Amaná, do cimo de Sanir e do Hermon, das cavernas dos leões, dos esconderijos das panteras. Tu me fazes delirar, minha irmã, minha esposa, tu me fazes delirar com um só dos teus olhares, com um só colar do teu pescoço. Como são deliciosas as tuas carícias, minha irmã, minha esposa! Mais deliciosos que o vinho são teus amores, e o odor dos teus perfumes excede o de todos os aromas! Teus lábios, ó esposa, destilam o mel; há mel e leite sob a tua língua. O perfume de tuas vestes é como o perfume do Líbano. És um jardim fechado, minha irmã, minha esposa, uma nascente fechada, uma fonte selada. Teus rebentos são como um bosque de romãs com frutos deliciosos; com ligústica e nardo, nardo e açafrão, canela e cinamomo, com todas as árvores de incenso, mirra e aloés, com os balsámos mais preciosos. És a fonte de meu jardim, uma fonte de água viva, um riacho que corre do Líbano. - Levanta-te, vento do norte, vem tu, vento do sul. Sopra no meu jardim para que se espalhem os meus perfumes. Entre meu amado no seu jardim, prove-lhe os frutos deliciosos." (Ct 4, 1-16, páginas 829 e 830 na Bíblia da Ave-Maria).
Portanto, no começo, no meio e no final da Bíblia Sagrada, o que se encontra ? O matrimônio, obviamente utilizado por Deus para nos mostrar como ele nos ama, e é óbvio que Deus não usaria algo que não tivesse grande valor para mostrar aquilo que tem valor infinito!
Assim, por amor a Deus, fundadores, cofundadores, conselhos gerais, autoridades e órgãos de decisão e discernimento das novas comunidades, proclamem a beleza do matrimônio, formando os jovens para o namoro, falando de sexualidade, pregando sobre o casamento, sem ter medo, receio tolo, respondendo perguntas, tirando dúvidas mesmo!
E deixem que as famílias vivam primeiramente em família, ganhem tempo com os filhos! Como disse João Paulo II, "dedicando-se generosamente aos filhos", para, aí sim, darem testemunho de família cristã e acolherem os necessitados de amor, de misericórdia, como fizeram os beatos Luigi e Maria, um casal santo!
Desta forma, nada de chilique, só amor, só santidade por meio do matrimônio!

Deus abençoe você!
Álvaro Amorim.

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Como ser santo hoje ?

Como é bom acolher a Palavra de Deus que vem por meio daqueles que viveram o amor ao Senhor e ao próximo de forma plena, perfeita, por isto foram e são considerados Amigos de Deus, já usufruindo, na eternidade, de sua presença: Santos!
Eis o que diz São Josemaria Escrivá, santo destes tempos, canonizado pelo Beato Papa João Paulo II:

"Deus não te arranca do teu ambiente, não te retira do mundo, nem do teu estado de vida, nem das tuas ambições humanas nobres, nem do teu trabalho profissional... mas, aí, te quer santo! (Forja, 362)

Convencei-vos de que a vocação profissional é parte essencial, inseparável, da nossa condição de cristãos. O Senhor vos quer santos no lugar em que vos encontrais, no ofício que escolhestes, seja qual for o motivo: todos me parecem bons e nobres - enquanto não se opuserem à lei divina - e capazes de ser elevados ao plano sobrenatural, isto é, enxertados nessa corrente de Amor que define a vida de um filho de Deus.
Temos que evitar o erro de pensar que o apostolado se reduz ao simples testemunho de umas práticas piedosas. Tu e eu somos cristãos, mas ao mesmo tempo, e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com umas obrigações claras que temos de cumprir de um modo exemplar, se nos queremos santificar de verdade. É Jesus Cristo quem nos incita: Vós sois a luz do mundo (Mt 5, 14). (Amigos de Deus, 60-61)". (Grifou-se).
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom. 
 
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Ser santo na família

Não sei se você ainda tem aquela mentalidade super-errada de achar que a santidade (ou seja, a plena felicidade em Deus, aqui e também, um dia, por toda a eternidade) é só para pessoas que têm o chamado ao sacerdócio ou à vida religiosa (freis, monges, irmãos de ordem), ou ainda para outras pessoas que não constituíram família de sangue.
Se este é o seu caso, é bom saber que a Igreja diz o contrário. Na verdade, afirma o oposto ao canonizar e beatificar pais e mães, casais e jovens, mostrando que é bastante possível, com a graça de Deus e nosso "sim", sermos santos trocando fraldas, cozinhando o almoço, passando a noite acordados ao lado do berço, indo buscar na escola, tendo paciência com os erros, sendo pais firmes, formando os filhos em Deus, orando por eles, participando da Eucaristia em família, trabalhando com dedicação para sermos canais da Providência para os nossos filhos, enfim, sendo família, família de Deus.
Aliás, a nenhuma outra instituição ou realidade, a Igreja "emprestou" o seu próprio nome, a não ser para a família, a qual a Santa Mãe Igreja chama, nada mais, nada menos, de "Igreja doméstica"!
Perceba-se, assim, você que é casado(a), totalmente em Deus quando você passa muito tempo na sua família, com seus filhos e cônjuge, tempo de amor, de convivência com qualidade e intensidade. Assim, você acolhe seu chamado à santidade.
E para aqueles que disserem o contrário, lembre-lhes os pais e mães, casais e jovens que a Igreja canonizou ou beatificou, isto é, declarou santos, virtuosos, bem-aventurados: Santa Gianna Beretta Molla (mãe-de-família, médica); os Beatos Luís e Zélia, pais de Santa Teresinha (beatificados não por terem sido os pais de Santa Teresinha, mas, como disse o Cardeal José Saraiva Martins, na missa de beatificação dos dois, "eles são duas testemunhas do amor conjugal"); o Beato Pier Giorgio Frassati, que faleceu bem jovem, sobre o qual disse o Servo de Deus o Papa João Paulo II: "Ele foi ativo e operoso no ambiente em que viveu, na família e na escola, na universidade e na sociedade".
Seja família de Deus, Igreja doméstica! Seja santo(a)!
Shalom! Álvaro Amorim. Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Imagem: Eu e a Sabryna, com a Clara, após esta ter mamado bastante!

Cristão deve estudar muito!

Hoje falo do estudo (que se insere na dimensão profissional da nossa vida).
Como é triste ver que nós cristãos, muitas vezes, somos contratestemunhos no mundo porque não estudamos, somos preguiçosos, relapsos. Não somente na Escola ou na Universidade, mas também para o trabalho.

Sim, todo profissional deve estudar sempre e muito! Deve aperfeiçoar-se profissionalmente, atualizar-se.
Vejamos o que diz a Santa Mãe Igreja sobre o trabalho (e obviamente pode-se estender este ensinamento ao estudo também, pois trabalha bem quem estuda muito):
"[...] O trabalho é, pois, um dever: ´Quem não quer trabalhar também não há de comer' (2Ts 3, 10). O trabalho honra os dons do Criador e os talentos recebidos. Também pode ser redentor. [...] O trabalho pode ser um meio de santificação e uma animação das realidades terrestres no Espírito de Cristo." (Catecismo da Igreja Católica, 2427, destaques nossos).
É clássica e verdadeira aquela afirmação de pessoas que não são de "caminhada":
"Esse(a) aí só quer saber de rezar, mas não estuda nada, nem quer saber de trabalhar!"
Que tristeza! Que "desevangelização"!
Como é preocupante ver jovens que passam o dia e a noite, a semana inteira, nos centros de evangelização ou na paróquia, deixando de estudar ou de trabalhar quando deveriam! Se têm um chamado de Deus para a vivência como comunidade de vida, é outra coisa: Deve ser bem discernido, com prudência, com um diretor espiritual maduro, questionador, para se verificar se não é fuga, por exemplo, de um lar problemático, de pais que os rejeitam, ou fuga de si mesmos, de se depararem com sua verdade, por medo de se deixarem transformar pelo Espírito Santo, para assumirem suas responsabilidades, sejam como estudantes somente ou como trabalhadores estudiosos que deveriam ser.
Acolhamos o que diz São Josemaria Escrivá, santo (por isto, atualíssimo), canonizado pelo hoje Beato João Paulo II (se São Josemaria tivesse escrito "tolice", não teria sido canonizado pelo Papa João Paulo II):
“Para ti, estudar é uma obrigação grave. Oras, mortificas-te, trabalhas em mil coisas de apostolado..., mas não estudas. Não serves, então, se não mudas. O estudo, a formação profissional, seja qual for, é obrigação grave entre nós. [Caminho, 334] Para um apóstolo moderno, uma hora de estudo é uma hora de oração. [Caminho, 335] Se tens de servir a Deus com a tua inteligência, para ti estudar é uma obrigação grave. [Caminho, 336] Frequentas os Sacramentos, fazes oração, és casto... e não estudas... Não me digas que és bom; és apenas ´bonzinho´. [Caminho, 337] (Grifamos)".
Shalom!
Álvaro Amorim.
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Imagem: http://www.sxc.hu/photo/660120

São João, o Batista, e a vocação Shalom

     Hoje, dia 24 de junho, a Santa Mãe Igreja celebra a Natividade de São João, o Batista, o Precursor, homem "mais do que profeta" (Lc 7, 26).
     Este santo homem, filho de Zacarias e Isabel, parente de Jesus (cf. Lc 1, 36), é de importância fundamental para a nossa vocação Shalom.
     Foi João quem anunciou para um Israel pecador, afastado de Deus, descrente, oprimido pelo Império Romano, a salvação, o Salvador, o Messias tão esperado pelo povo, tão predito pelos profetas do passado, ao proclamar: "Eis o Cordeiro de Deus" (Jo 1, 36).
     Sua vida toda foi anúncio. Ele mesmo, reconhecendo sua missão, refere-se a si mesmo como "a voz", como se o resto do corpo não importasse tanto, mas o falar, o proclamar, o anunciar o Cristo era o essencial: " Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor" (Jo 1, 23).
     Fazendo-se uma lectio das palavras do profeta Jeremias, podemos perceber a ligação intrínseca entre o múnus profético e o ser Shalom.
     Na verdade, nós, cuja vocação sustenta-se na contemplação, na unidade e na evangelização, podemos observar como a dimensão evangelizadora do Carisma, portanto profética, é plasmada por Deus em cada um de nós quando da nossa escolha, da nossa separação para Deus — na consagração.
     Vejamos o texto bíblico:
     "Foi-me dirigida nestes termos a palavra do Senhor: Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações" (Jr 1, 4-5).
     O profeta Jeremias, alvo do amor misericordioso de Deus, portanto escolhido, eleito, ouve do Senhor três afirmações que configuram o ser profeta, as quais estão presentes também em São João, o Batista:
     1. Antes de sua concepção (ser formado no seio materno), Deus já o conhecia.
     Este "conhecer" bíblico revela intimidade; aqui, desejo íntimo, um querer de entranhas: o profeta é desejado, querido por Deus, mesmo antes de sua concepção. Ou seja: cada shalomita foi pensado por Deus, foi desejado, foi querido. Deus ansiou pela nossa existência, "vibrou" de alegria no momento de nossa concepção, quando nosso pai e nossa mãe, partícipes na criação, nos conceberam, dando seu "sim" ao plano de Deus de criar um "profeta das nações" (Jr 1, 5).
     2. Antes de seu nascimento, Deus já consagrara o profeta.
     Quando fui consagrado por Deus ? Naquela missa na Catedral Metropolitana de Fortaleza, no dia 12 de abril de 2007 (no meu caso) ? Ou fui consagrado por Deus, separado para ele, antes do meu nascimento ?
     Deus escolheu cada shalomita antes do seu nascimento. No batismo, foi celebrada sacramentalmente esta consagração, e na missa em que afirmamos, perante Deus e a Comunidade, nossas promessas, demos o nosso "sim" a esta consagração, aceitamos a aliança que Deus fizera conosco, foi aprofundado o elo de amor entre Deus e cada shalomita.
     Portanto, Deus esperou vários anos para que cada um de nós abraçasse a consagração, e, às vezes, mesmo depois da missa de consagração, ainda hoje espera e deseja que muitos acolham e vivam plenamente a consagração a esse Deus de amor.
     3. Antes de seu nascimento, Deus o havia designado profeta das nações.
     Bem antes de cada shalomita nascer, Deus quisera para cada um de nós aquilo que dá sentido à nossa vida para sempre: sermos profetas das nações, sermos evangelizadores do mundo.
     É bem significativo para nós este termo "profeta das nações", sobretudo após o nosso reconhecimento pontifício-canônico, que nos tem feito ouvir de bispos, cardeais — da Igreja — que nosso carisma é para o mundo, que nossa terra de missão é o mundo inteiro, que somos chamados e designados por Deus para evangelizar todas as nações da Terra, cada homem e mulher, onde quer que eles estejam.
     Desejados, queridos, consagrados por Deus, nós, que temos o carisma Shalom, fomos designados "profetas das nações", evangelizadores, anunciadores do Cordeiro de Deus, como São João, o Batista. Fomos criados para sermos "a voz do Ressuscitado" que anuncia Jesus Cristo, aquele que perdoa os pecados do homem e da mulher, tão sofridos, tão oprimidos pelo império do ódio, da dor, da morte.
     Pela intercessão de São João, o Batista, peçamos ao Senhor que conceda a cada um de nós shalomitas a graça de reconhecer que "importa que ele (o Cristo) cresça e que eu diminua" (Jo 3, 30), para que as nações contemplem, amem e adorem o Cordeiro de Deus, Jesus, o ressuscitado que passou pela cruz.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Lectio divina: Jesus veio para cada um de nós, pecadores!

 
     Vamos fazer a nossa lectio divina matutina!
     Antes, porém, de orarmos com a leitura de hoje, devemos saber em que consiste a lectio divina. Por isto, leia o artigo "Ano novo, vida nova!"
    
     1º degrau: Leitura.
     Abra a sua Bíblia na Carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 3, versículo 2. Nossa lectio divina será feita com os versículos 2, 3a, 5 e 6.
     Esta é a segunda leitura do dia de hoje: Carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 3, versículos 2, 3a, 5 e 6:
     “Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.”
     Agora leia novamente este texto bíblico por mais 4 vezes, procurando perceber o que a palavra diz.
     A palavra diz que a Salvação é para todas as pessoas. Mostra que Jesus não veio somente para os judeus, mas para os pagãos também. Jesus veio para cada um de nós!
     
     2º degrau: Meditação.
     O que o texto diz para mim ?
     A Palavra me fala que Jesus Cristo veio para mim, que sou pecador. Não importa se sou egoísta, orgulhoso, miserável: Jesus Cristo vem para mim agora!
     Ele vem a mim como foi a Santa Maria Madalena!
     Você já pensou que hoje veneramos uma santa que foi prostituta, que era chamada de “quarteleira” porque prestava favores sexuais a várias soldados romanos que serviam num quartel em Magdala, cidade de Santa Maria Madalena ? É, só a Misericórdia do Senhor santificou Madalena! Esta mesma Misericórdia de Jesus Cristo quer santificar a mim e a você hoje, pelo sangue de Jesus derramado da Cruz. Basta, em oração, tomarmos o mesmo lugar de Santa Maria Madalena: aos pés da Cruz!
     Como diz o próprio apóstolo São Paulo, na sua Carta aos Romanos, capítulo 8, versículo 31: “Depois disto, que nos resta a dizer ? Se Deus está conosco, quem estará contra nós ?”
     
     3º degrau: Oração.
     Qual a minha resposta a Deus mediante esta palavra ?
     Senhor, eu te louvo por tua infinita misericórdia, porque tu me amas e me acolhes como eu estou agora! É verdade, Jesus, às vezes nem mesmo eu me amo, nem mesmo eu me aceito! Mas vejo agora que tu me amas como eu sou! Por isto, eu te amo também, Jesus! Eu decido hoje te amar e viver contigo para sempre! Vem, Jesus, para a minha vida, muda a minha história, Senhor! Salva-me, Jesus!
      
     4º degrau: Contemplação.
     A contemplação não é fruto da nossa ação. É somente graça de Deus. Por meio de sua palavra, Deus realiza prodígios na nossa vida. Ele nos salva, por Jesus Cristo, o Verbo que se encarnou e habitou entre nós!
     Vamos orar:
     Jesus Cristo, eu sou teu, tu és meu, e isto me basta! Não olho agora para o meu pecado, mas para o teu coração aberto de amor por mim. É nesse coração que quero viver, Senhor! Coloca-me em teu coração, Jesus! [Pausa]
     Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Amém!
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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Ex-protestante fala de seu encontro com Maria

      Há dois anos atrás, eu, Álvaro Amorim, e minha esposa, Sabryna Amorim, celebrávamos nosso noivado, com a intercessão de Nossa Senhora, nossa Mãe. A Providência Divina quis que nos comprometêssemos em um noivado Shalom no dia daquela que fora concebida sem pecado.
     Como hoje, era o dia 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, dia em que a Igreja celebra Deus, que em sua infinita misericórdia e onipotência, criou Maria Santíssima sem pecado, pelos méritos antecipados de Jesus Cristo.
     Recordando meu noivado e tudo o que Maria alcançou junto a Jesus para mim e a Sabryna nestes dois anos, veio-me ao coração que realmente “a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1, 37). O Espírito Santo, então, levou-me a ler novamente um belo testemunho de um irmão muito querido, da Comunidade Shalom, o Severino Ramos, membro do Ministério de Pregação Shalom, aluno do curso de Teologia  do ITEP, em Fortaleza. Eu já havia lido este testemunho  para mais de 10.000 pessoas no evento da Renovação Carismática Católica em Santarém, no Pará, nos feriados de carnaval de 2007. Lembro-me de que, naquela pregação, muitos protestantes foram tocados por Jesus, com a intercessão de Nossa Senhora.
     Por isto, hoje, dia de nossa querida Mãezinha do Céu, “a mãe do meu Senhor” (Lc 1, 43), nada melhor do que mostrar para você, meu irmão, minha irmã, este testemunho, breve, sincero, transformador:
     “Nasci em Brasília, Distrito Federal. Quando já era adulto, saí da minha terra em busca de sucesso. Passei por vários Estados do Brasil, e nada dava certo. Cheguei a Fortaleza e consegui um emprego, mas em pouco tempo fui demitido.
     Nesse momento, iniciou-se o tempo mais difícil da minha vida. Como eu era uma pessoa orgulhosa e egoísta, não queria voltar atrás em busca dos meus familiares. Cheguei a passar fome muitas vezes. Dormi na Rodoviária. Sofri muito!
     Tive então a informação da existência do Albergue da Comunidade Católica Shalom, que acolhe moradores de rua. Fui ao Albergue e lá passei a conviver com mendigos, porém não admitia ser um deles.
     Foi essa Comunidade que me acolheu, que me levou, em 2003, durante o “Queremos Deus”, grande evento de evangelização de Fortaleza, a ter uma forte experiência com alguém que nunca amei, ao contrário, que odiava.
     Foi assim: no início do evento, tive uma visualização do rosto dessa pessoa virando para mim e dizendo: “Por que você é contra mim, se eu o acolho em todos os momentos da sua vida ?”
     Naquele momento, me arrependi profundamente de tudo o que eu havia dito contra essa pessoa na minha vida. Chorei bastante. Parecia um menino! A partir daquele momento, me tornei uma nova pessoa. Minha caminhada de recomeço foi difícil, como a de todo mundo, mas daquela experiência nasceu um novo homem, um homem de fé.
     Hoje sou discípulo da Comunidade Shalom, e casado com a Maria José, consagrada na Comunidade. Vivo numa casa própria e trabalho como educador social na Casa Terapeutica São Padre Pio, da Comunidade Shalom, que acolhe e evangeliza jovens que cometeram delitos.
     Hoje, assim como meu irmão Álvaro, sou pregador da Comunidade Shalom e sou plenamente feliz.
     Aquela pessoa, cujo rosto vi no “Queremos Deus”, é Maria, minha Mãe, sua Mãe, que me ama muito e que ama muito você também.
     O arrependimento que contei para você ocorreu por eu ter ferido tanto Maria, a Mãe de Jesus, e por ter odiado tanto a Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo (Mt 16, 18). Agi assim durante 25 anos da minha vida, tempo em que fui pregador da Assembleia de Deus.
     Hoje, para mim, a maior alegria é quando o Ministério de Pregação da Comunidade Católica Shalom me envia a pregar sobre Maria, minha querida Mãezinha.
     Severino Ramos, filho de Maria, filho de Deus.”
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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Você já rezou o terço assim ?

Hoje nós rezaremos o terço de uma forma diferente: contemplando os mistérios gozosos (da alegria) na nossa vida. Sim, é possível! Eu, Álvaro Amorim, já rezei várias vezes assim e posso testemunhar as maravilhas que Jesus operou na minha vida, pela intercessão de Nossa Senhora.
Pela fé, sabemos que o nosso Deus é onipresente (está em todo lugar e vai a todo lugar, em todo tempo). Deus está presente no nosso coração, ele nos “inabita”. Ele também pode ir ao nosso passado, para nos curar, para nos libertar, em vistas de “um hoje” melhor, permitindo-nos amar mais e melhor.
Nós não estaremos sós: Maria e José estarão conosco nesta caminhada de fé, nesta memória bíblico-afetiva da nossa vida.
Se você pode, imprima este artigo, vá para um lugar silencioso, acomode-se da melhor maneira possível. Mergulhe no seu interior, recolha todos os seus sentidos e suplique ao Pai, por Jesus, que envie o seu Espírito Santo.
Que Nossa Senhora, a Rainha da Paz, gere Jesus, nossa Paz, no seu coração! 


1o MISTÉRIO: A ANUNCIAÇÃO DO ARCANJO SÃO GABRIEL A NOSSA SENHORA
(Antes de rezar o 1o mistério, leia o direcionamento abaixo)
“O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’ ” (Lc 1, 26-28).clip_image002Permita que o Espírito Santo aja na sua imaginação. Através dela, segure com uma mão a mão de Nossa Senhora, e, com a outra, a de Jesus, e junto com eles vá ao momento da sua concepção. O Céu encheu-se de festa pela sua concepção: um(a) filho(a) de Deus era concebido(a). Nossa Senhora, São José e Jesus alegraram-se com o dom da sua vida.
Continue contemplando essa maravilha: vá ao momento em que sua mãe soube que estava grávida de você. Pela fé, acompanhe sua gestação no ventre da sua mãe e no ventre espiritual de Maria, Mãe de todos nós.
Deus ama você e quer curar você! Neste mistério de amor, mergulhe na contemplação!
Agora, reze o primeiro mistério do terço, com tudo o que Deus está realizando na sua vida. 


2o MISTÉRIO: A VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA À SUA PRIMA SANTA ISABEL
(Antes de rezar o 2o mistério, leia o direcionamento abaixo)
“Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel.”(Lc 1, 39-40).
clip_image004Nossa Senhora experimentou diversos sentimentos durante a gravidez de Jesus. Veja que Maria foi visitar Isabel “apressadamente”. Também não deve ter sido fácil caminhar numa “região montanhosa”.
Vá com Jesus à sua gestação (período de tempo em que se desenvolve o embrião no útero, desde a concepção até o nascimento). Nos momentos “apressados”, “difíceis”, em que sua mãe praticamente teve que andar por uma “região montanhosa”, veja Nossa Senhora ajudando sua mãe. Contemple Jesus olhando para você e amando você. Permita que o Senhor da sua vida gere a Paz no seu coração e cure as feridas que ele quer curar.
Agora, reze o segundo mistério do terço, com tudo o que Deus está realizando na sua vida. 


3o MISTÉRIO: O NASCIMENTO DO MENINO JESUS EM BELÉM
(Antes de rezar o 3o mistério, leia o direcionamento abaixo)
“Completaram-se os dias para o parto, e ela deu à luz seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa manjedoura, porque não havia um lugar para eles na sala.” (Lc 2, 6-7).
clip_image006Deus chamou você à vida, chamou-o(a) pelo seu nome. Você foi concebido(a) por vontade da Trindade Santa. Você veio de Deus porque veio dos seus pais por vontade de Deus. Deus cuidou pessoalmente da sua gestação. Deus cuidou do seu nascimento, mesmo se houve alguma dificuldade, como houve no nascimento do Menino Jesus (lugar inadequado, sujo, como uma manjedoura, um tabuleiro em que se deita comida aos animais estabulados).
Contemple a maravilha do seu nascimento: os santos, os anjos, o Céu em festa, mas em festa mesmo! Imagine uma festa no Céu! Foi o que houve no seu nascimento. Louve a Deus pelo seu nascimento! Louve a Deus pela sua vida!
Agora, reze o terceiro mistério do terço, com tudo o que Deus está realizando na sua vida. 


4o MISTÉRIO: A APRESENTAÇÃO DO MENINO JESUS NO TEMPLO
(Antes de rezar o 4o mistério, leia o direcionamento abaixo)
“Quando se completaram os dias para a purificação deles, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém a fim de apresentá-lo ao Senhor.” (Lc 2, 22).
clip_image008A apresentação de Jesus no Templo mostra-o como o Primogênito pertencente ao Senhor” (Catecismo da Igreja Católica, 529).
Em Jesus, você também foi apresentado(a) a Deus, você também pertence a Deus. Por mais que na sua infância seus pais não tenham consagrado você ao Senhor, ou você não tenha frequentado muito o Templo, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, em Jesus, você pertence ao Pai, que o(a) criou.
Contemple o cuidado do Senhor em apresentá-lo(a) ao Pai, dizendo: “Pai, este(a) é teu(tua) filho(a)..., que pertence a ti, que é filho(a) da minha Mãe também”.
Permita que o Espírito gere em você a gratidão por pertencer a Deus, por ter pessoas que o Pai providenciou para estarem constantemente apresentando você a Deus, consagrando você pelas mãos de Nossa Senhora a Jesus, levando você à Igreja, à Comunidade. Faça memória de todas as pessoas que já levaram você à Igreja, que já lhe conduziram a Deus, que apresentaram você diante de Deus, pela oração, pelo amor, pelo zelo. Louve a Deus por essas pessoas que fazem parte da sua vida (familiares, amigos, pessoas do Grupo, da Comunidade).
Agora, reze o quarto mistério do terço, com tudo o que Deus está realizando na sua vida. 


5o MISTÉRIO: O ENCONTRO DO MENINO JESUS NO TEMPLO
(Antes de rezar o 5o mistério, leia o direcionamento abaixo)
“Eles o encontraram no Templo, sentado em meio aos doutores, ouvindo-os e interrogando-os; e todos os que o ouviam ficavam extasiados com sua inteligência e com suas respostas. Ao vê-lo, ficaram surpresos, e sua mãe lhe disse: ‘Meu filho, por que agiste assim conosco ? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos’. Ele respondeu: ‘Por que me procuráveis ? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?’” (Lc 2, 46-49).
clip_image010Jesus, que fora apresentado no Templo ao Pai, por Maria, é o consagrado do Pai, aquele que pertence todo ao Pai. Ele sabe da missão que lhe cabe: “devo estar na casa de meu Pai”. Com doze anos de idade, decide ficar no Templo para lembrar a seus pais que deve dedicar-se às coisas de seu Pai.
Vá com Jesus e Maria à sua infância e contemple os momentos em que você viveu com seus pais, a sua convivência com a sua família. Contemple Jesus vivendo esses momentos com você, não importando se eles foram alegres ou tristes. Há um “espaço” na sua alma, onde Deus habita, que nada de impuro ou sujo pode penetrar, porque é o lugar guardado por Deus para o seu encontro com ele. Mergulhe nesse lugar e louve a Deus, que vive em você. Aí você encontra Jesus e, em Jesus, Nossa Senhora, São José, todos os santos e anjos de Deus.
Agora, reze o quinto mistério do terço, com tudo o que Deus está realizando na sua vida. 


SALVE-RAINHA 
Viva agora esta palavra da Bíblia, rezando a salve-rainha: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada!” (Lc 1, 48). Chame Maria por quem ela é: bem-aventurada, “bendita (...) entre as mulheres, (...) a mãe do meu Senhor” (Lc 1, 42-43).
Nossa Senhora acompanha você desde a sua concepção, com o olhar terno de Mãe, com amor dedicado, por isto ela é a sua, a Nossa Rainha, que o(a) apresenta ao Rei Jesus. Ela é a Rainha da Paz, que merece ser saudada: “Salve, Rainha!”
Shalom!
Álvaro Amorim.
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Uma entrevista com o Papa


Deus nos fala de várias maneiras. Às vezes, das mais incomuns.
Lembro-me de uma dessas maneiras insólitas em que Deus me falou.
Foi durante um curso de atualização jurídica, quando um colega meu aproximou-se de mim, certo dia, e pediu-me a indicação de um livro que fosse como que uma biografia de Jesus Cristo. Ele disse que era agnóstico, que já lera algo do Budismo, do Espiritismo, de algumas religiões, e estava com vontade de ler uma biografia de Cristo.
Nessa época, o Papa Bento XVI ainda não tinha escrito Jesus de Nazaré. Eu então parei um pouco e, em silêncio, pedi ajuda urgente ao Espírito Santo. Disse ao colega que a melhor biografia de Cristo eram os Evangelhos. Ele disse-me que já havia lido um pouco, mas queria um livro sem ser a Bíblia. Fiquei de indicar-lhe alguns livros no dia seguinte.
Fui para casa, liguei para as principais livrarias católicas de Fortaleza, pesquisei na Internet e fiz uma relação de seis livros, em ordem decrescente de acordo com o desejo do colega.
Entreguei-lhe a relação de livros no dia seguinte, com os respectivos preços e os telefones das livrarias.
Ele me agradeceu muito, ficou até surpreso com a pesquisa minuciosa que eu havia feito e disse-me que no sábado iria comprar um dos livros.
Percebi aí o início da grande obra atrativa que Deus iniciara em seu coração. Também uma grande oportunidade para eu convidá-lo a conhecer Cristo de verdade, a encontrar-se com ele, a ter uma experiência com o Ressuscitado, o que aconteceria em breve.
Mas eu não percebera que a obra maior estava para começar em mim.
Um dos livros que compuseram a relação, o sexto que o indiquei, fora-me sugerido pelo Carmadélio, quando eu lhe contei o pedido do colega. O Carmadélio disse-me que esse livro não era uma biografia de Cristo, mas que respondia questões que muitos fazem sobre o Cristianismo e a Igreja Católica hoje, no século XXI, e que, portanto, falava de Cristo, é óbvio! Resolvi pô-lo no fim da lista, pois procurei encabeçar a lista com os livros mais biográficos mesmo. No final da lista estava o livro indicado pelo Carmadélio: “O Sal da Terra”, publicado em 1996, escrito “simplesmente” pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje nosso Papa Bento XVI.
Não tive conversa: comprei o livro e comecei a “devorá-lo”, e cada vez que o lia, mais o Senhor lançava em mim a luz da Verdade que pacificava meu coração, antes tão cheio de dúvidas, questionamentos, sobre tudo, pois eu estava passando por um período muito difícil, deparando-me com as “mentiras” na minha vida e na vida de alguns irmãos; estava necessitado, sedento da Verdade.
Através da leitura desse livro, ouso dizer que percebi alguns dos motivos que fizeram o Espírito Santo guiar os cardeais à eleição de Joseph Ratzinger como Papa. Vi um homem simples, amável, apoiado na Verdade, respondendo às perguntas de Peter Seewald, um jornalista alemão que deixara a Igreja na década de 70. Com as respostas do Cardeal ao jornalista alemão, o próprio Espírito Santo colocava fim em terríveis dúvidas minhas e libertava-me com a Verdade.
Partilho aqui algumas questões tratadas pelo jornalista e respondidas pelo então Cardeal Joseph Ratzinger. Procurei extrair o essencial das respostas. O interessante é ler o livro todo, é claro.

A FÉ
Seewald: A verdade sobre o Homem e Deus parece ser muitas vezes triste e pesada. A fé, em si, só é suportável por naturezas mais fortes ? Muitas vezes é tida como uma exigência demasiado grande. Como poderemos alegrar-nos com a fé ?
Cardeal Ratzinger: Eu diria, pelo contrário, que a fé dá alegria. Se Deus não está presente, o mundo desertifica-se e tudo se torna aborrecido, tudo é completamente insuficiente. Hoje vê-se bem como um mundo sem Deus se desgasta cada vez mais, como se tornou um mundo sem nenhuma alegria. A grande alegria vem do fato de existir o grande amor, e é essa a afirmação essencial da fé. Você é alguém indefectivelmente amado. Foi por isso que o Cristianismo encontrou sua primeira expansão sobretudo entre os fracos e os que sofriam.

AS DÚVIDAS
Seewald: Os católicos podem ter dúvidas, ou são hipócritas e hereges quando as têm ? O que parece estranho nos cristãos é que façam uma distinção entre verdade religiosa e verdade científica. Ocupam-se de Darwin e vão à igreja. É possível tal separação ? Só pode haver uma verdade: ou o mundo foi realmente criado em seis dias ou se desenvolveu em milhões de anos.
Cardeal Ratzinger: Num mundo tão confuso como o nosso, a dúvida voltará sempre, inevitavelmente, a invadir cada pessoa. A dúvida não tem de estar automaticamente ligada a uma renegação da fé. Posso confrontar-me seriamente com as questões que me inquietam, e confiar em Deus, no núcleo essencial da fé. Por um lado, posso tentar resolver as contradições aparentes, mas, por outro, apesar de não poder encontrar soluções para tudo, posso confiar em que se possa resolver o que eu não posso solucionar. Também na história da teologia volta sempre a haver questões que, no momento, não podem ser resolvidas, que não se devem pôr de parte com interpretações forçadas.
Também faz parte da fé a paciência do tempo. O tema a que acabou de se referir — Darwin, a criação, a teoria da evolução — é um tema de um diálogo que ainda não está concluído e que, no momento, provavelmente não poderá ser concluído com os meios de que dispomos. O problema dos seis dias não se põe com particular agudeza entre a posição da ciência moderna sobre a origem do mundo e a fé. Porque também na Bíblia é claro que é um esquema teológico, que não pretende simplesmente narrar a história da criação. No próprio Antigo Testamento existem outras representações da criação. No livro de Jó e nos livros sapienciais encontramos relatos da criação que tornam claro que os crentes, mesmo nessa ocasião, também não pensavam que nesses textos o processo da criação estava, por assim dizer, fotograficamente representado. Só está representado na medida em que nos permite apreender o essencial: que o mundo provém do poder de Deus e é criado por ele. Como os processos depois se desenvolveram é uma questão completamente diferente, em que até a própria Bíblia deixa uma grande abertura. Por outro lado, penso que a teoria da evolução ainda não ultrapassou, em grande parte, o campo das hipóteses, e que, muitas vezes, está misturada com filosofias quase míticas, sobre as quais ainda tem de haver diálogos críticos.

OS DISCERNIMENTOS
Seewald: Que importância tem a inspiração para o senhor e, sobretudo, como é que se tem inspiração ?
Cardeal Ratzinger: Elas não podem ser provocadas, têm de surgir. Mas também é preciso ser prudente perante elas, têm de ser verificáveis na lógica do conjunto. De resto, a condição para uma “inspiração” é que não se esteja num estado febril, que se possa refletir calmamente e deixar amadurecer o pensamento bastante tempo dentro de si.

A PREGAÇÃO/EVANGELIZAÇÃO
Seewald: É necessário um modo diferente de transmitir a fé ?
Cardeal Ratzinger: Penso que sim, porque o fato de haver tanto cansaço entre os cristãos, pelo menos na Europa, mostra que é preciso transmitir a fé de outra maneira. Li a história de um padre ortodoxo que disse: “Esforcei-me tanto, mas as pessoas não me ouvem, adormecem ou não vêm. É porque o anúncio não é bem feito.” Isso é um exemplo para as experiências que também os outros fazem. O que é importante é que o pregador tenha uma relação interior com a Sagrada Escritura, com Cristo, a partir da Palavra viva, e que, como Homem desta época em que vive e que é a sua, à qual não foge, realmente interiorize a fé. E depois, quando realmente puder comunicá-la a partir de um aprofundamento pessoal, o modo diferente de a comunicar vem por si mesmo.

A BUROCRACIA
Seewald: O mundo da Igreja de hoje é burocrático, temeroso e humanamente planejado. Precisa outra vez de um pensamento mais intuitivo contra a acentuação excessiva da razão ? Trata-se de compensar uma falta de contemplação e a negligência dos valores espirituais, praticada durante muito tempo ? O antigo arcebispo de Paris, o Cardeal Veuillot, disse uma vez: “Tudo tem de ser puro — puro, puro, puro. Do que precisamos é de uma verdadeira revolução espiritual.” E não é verdade que a Igreja só poderá voltar a ter uma nova descendência se for realmente pura, virginal ?
Cardeal Ratzinger: De algum modo, a sua pergunta já é uma resposta. Eu disse muitas vezes que penso que temos burocracia demais. Em todo caso, serão necessárias simplificações. Os assuntos não devem passar todos por grêmios, tem de haver sempre o encontro pessoal. E também não se pode dominar tudo racionalmente. Por muito que o Cristianismo reclame a razão e queira dialogar com ela, há muitas outras dimensões da apreensão da realidade das quais também precisamos. Acabamos de falar do diálogo entre as religiões e da mística — e essa dimensão do recolhimento, da interioridade recolhida, tornou-se particularmente necessária num mundo febril. Há uma expressão conhecida de Karl Rahner: “O cristão do futuro será um místico ou não será.”

OS NOVOS SANTOS
Seewald: Há alguns anos o senhor manifestou a esperança de que se delineia algo como uma “hora pentecostal na Igreja”. Referiu-se a grupos de jovens inteiramente decididos por toda a fé da Igreja, pela “catolicidade plena e indivisa”. São precisos novos cristãos que sejam, outra vez, mais corajosos, mais orgulhosos ? Uma ocasião o senhor afirmou que a Igreja hoje não precisa de novos reformadores, mas sim de novos santos que vêm da vitalidade interior da própria fé e que, por isso, descobrem de novo a riqueza da fé e o fato de esta ser indispensável.
Cardeal Ratzinger: Retomando primeiro os termos reformador/santo: cada santo é um reformador, na medida em que dá nova vitalidade à Igreja e também a purifica. Mas por reformadores entendem-se, normalmente, pessoas que tomam medidas estruturais e que se movem, por assim dizer, no domínio das estruturas. E nesse caso eu diria que desses, na realidade, não precisamos tanto nesta altura. Do que precisamos realmente é de pessoas que tenham interiorizado o Cristianismo, que o vivam com felicidade e como esperança e que, assim, se tenham tornado pessoas que amam; é o que chamamos santos.

A VONTADE DE DEUS
Seewald: O que Deus realmente quer de nós ?
Cardeal Ratzinger: Quer que nos tornemos pessoas que amam, porque então somos imagens dele. Porque ele é, como nos diz São João, o amor, e quer que haja criaturas que sejam semelhantes a ele; criaturas que, a partir da liberdade do seu amor, se tornem como ele e lhe pertençam e, desse modo, irradiem, por assim dizer, a luz dele mesmo.

        Peço a Cristo que as palavras do seu atual Vigário, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, nos levem a ser verdadeiros cristãos: levem-nos a amar, simplesmente!
        Shalom!
        Álvaro Amorim.
        Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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