Como evangelizar os tomés de hoje ?

     
     O capítulo 20 do Evangelho de Jesus Cristo contado por São João é de uma riqueza infinita para nós que temos o carisma Shalom inscrito em nossos corações. Aí se encontra o núcleo bíblico do Carisma, como ensina o Fundador da Comunidade Católica Shalom, Moysés Azevedo.
     É sobre parte deste capítulo que partilho um pouco com você hoje: Jo 20, 24-29.
     Sempre é bom ler a Palavra de Deus, por isso transcrevo este trecho:
     “Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Os outros discípulos disseram-lhe: “Vimos o Senhor.” Mas ele replicou-lhes: “Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!” Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!” Depois disse a Tomé: “Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. Respondeu-lhe Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” Disse-lhe Jesus: “Creste, porque me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!”.”
     O que ocorreu inicialmente ?
     Como sabemos, Tomé não estivera junto aos outros discípulos quando da aparição de Jesus na tarde daquele domingo que mudou a história da humanidade — o Domingo da Ressurreição de Cristo.
     A cronologia bíblica do Domingo da Vida é a seguinte:
     1. Maria Madalena vai ao sepulcro de manhã cedo (Jo 20, 1).
     2. Madalena relata o fato do túmulo estar vazio a Pedro e João (Jo 20, 2).
     3. Pedro entra na sepultura e vê os panos postos no chão (Jo 20, 6).
     4. Pedro e João voltam para suas casas, pois não haviam entendido ainda a Escritura sobre a ressurreição de Jesus (Jo 20, 9-10).
     5. Maria Madalena permanece no lado de fora do sepulcro (Jo 20, 11).
     6. Jesus aparece a Madalena (Jo 20, 14-16).
     7. Jesus envia Madalena para anunciar a Ressurreição aos outros discípulos (Jo 20, 17).
     8. À tarde, Jesus aparece aos discípulos, entre os quais não se encontrava Tomé (Jo 20, 19).
     9. Os outros discípulos anunciam a Tomé que viram Jesus ressuscitado, mas ele não crê nesse anúncio (Jo 20, 25).
     10. No domingo seguinte, Jesus aparece aos discípulos, incluindo Tomé, o qual finalmente crê e manifesta sua fé no Cristo ressurrecto da forma mais completa e bela de todo o Evangelho: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 26-28).
     A partir dos dados apresentados pela Sagrada Escritura, podemos então tecer alguns comentários sobre a pessoa de Tomé, fazendo um paralelo com o homem e a mulher de hoje, em vistas de melhor realizarmos o sentido de nossas vidas: evangelizar.
     Vejamos o quadro comparativo:
Tomé
Homem e mulher de hoje
Não está junto à comunidade de fé, fato que o priva do encontro com Jesus ressuscitado.
Rejeitam a Igreja, não a vendo como lugar da presença de Jesus vivo.
Mesmo tendo os outros discípulos lhe anunciado a Ressurreição de Jesus, não crê, assumindo uma postura materialista, cética, com olhar exclusivamente natural.
Necessitam crer que Jesus está vivo no meio de nós. Precisam ter um olhar espiritual e não balizar a verdade apenas pelos limites da ciência, negando a fé, requerendo muitas vezes a comprovação das verdades de fé por meios materiais, através de sinais naturais, fechando-se ao sobrenatural.
     Mas então, veio a grande “virada” na vida de Tomé, seu “turning point”, como diz a Emmir Nogueira, sabedoria esta que deve inspirar quem quer evangelizar o homem e a mulher de hoje. Qual seja: Tomé junta-se aos outros discípulos, à comunidade de fé, o que lhe proporciona experimentar pessoalmente o choque maravilhoso do encontro com Jesus ressuscitado. Tomé faz a experiência que os outros tinham feito e dá um salto qualitativo enorme em sua vida: vai da descrença inicial ao privilégio de tocar o Cristo, deixa a postura de incredulidade e passa a ser homem de fé!
     Portanto, o anúncio de Jesus ressuscitado que passou pela cruz deve necessariamente querer levar os tomés de hoje a terem um encontro pessoal com o Cristo, único meio de transformação do homem e da mulher descrentes, incrédulos, em pessoas de fé, em seres completos, em gente feliz!
     Na verdade, a exigência de Tomé para ver nas mãos de Jesus o sinal dos pregos, pôr seu dedo no lugar dos pregos e introduzir sua mão no lado traspassado de Cristo, não somente revela descrença, mas também esconde, de forma inconsciente, o mais íntimo desejo de toda pessoa humana: tocar o divino, unir-se a Deus.
     A sede desvairada do homem e da mulher hodiernos esconde na realidade uma das mais belas verdades agostinianas: o coração do homem só se aquieta em Deus, isto é, só encontra a paz naquele que é a própria Paz, o Shalom do Pai para a humanidade.
     Com a realização desse encontro, o homem e a mulher de hoje, antes conduzidos pelos “senhores” tiranos do relativismo, do ateísmo e do desamor, passam a ter como único Senhor e Deus de suas vidas aquele que é manso e humilde de coração, que é a própria vida, o Bom Pastor: Jesus Cristo!
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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2 Comentários:

Letícia comentou:

Bendito Seja Deus meu Irmão por sua inspiração! Que sábias e belas palavras enviadas pelo Espirito Santo através de você, é um verdadeiro alerta e chamado, como eu costumo dizer, é um "puxão de orelha. Enquanto lia eu pensava em mim claro, por todas as vezes que de uma maneira ou de outra quero "ver", mas também me veio a memória muitas pessoas próximas que ainda precisam "tocar pra crer", mas eu também creio que através desse belo artigo o Espirtio Santo os conduzirá a uma nossa postura.Eu Creio!!!
Se Deus quiser!!!!

Shalom!!!

Álvaro Amorim comentou:

Querida Letícia,
A experiência de Tomé deve ser a nossa todo dia: pela fé, tocarmos no coração de Jesus, traspassado de amor por cada um de nós e, assim, vivermos reconhecendo que Jesus é nosso Senhor e Deus! Nada e ninguém mais deve ser senhor da nossa vida! Só Jesus, nossa Paz!
Shalom!
Álvaro Amorim.

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