A verdadeira crise da Justiça brasileira


Muito se tem falado sobre a profunda crise pela qual passa a Justiça brasileira, crise que tem atingido seus diversos órgãos, tribunais, foros e classes (juízes, advogados e membros do Ministério Público).
A mídia já mostrou a todos nós vários escândalos, que teriam sido perpetrados por juízes, desde os de pequenas comarcas do interior do País aos membros de tribunais superiores. Veem-se também pessoas extremamente insatisfeitas e frustradas com a assistência de advogados que não primam pela ética, mas que se pautam exclusivamente pelos interesses pecuniários; bem como se observa que alguns membros do Ministério Público poderiam ser mais atuantes, propor mais ações para proteger os interesses coletivos.
Todavia, esta crise é muitas vezes vista apenas em seu aspecto exterior, ou seja, naquilo que é consequência de algo muito mais profundo e intrínseco aos homens e mulheres da Justiça deste País.
Todas as denúncias feitas pela Imprensa e confirmadas pelo próprio Poder Judiciário mostram que os juízes envolvidos prestam um desserviço aos jurisdicionados, afrontando o desejo de justiça que possui toda pessoa.
São denúncias de que juízes “têm vendido” sentença, isto é, têm recebido alguma benesse (dinheiro, promoção, carros, imóveis) para decidir conforme o interesse de uma das partes, sem procurar realizar a verdadeira justiça.
Contudo, não são denunciadas as “vendas” das consciências, perceptíveis não somente àqueles que as “vendem”, mas também a Deus, que habita o mais profundo e recôndito do coração humano.
Essas “vendas” de consciências ocorrem quando são tomadas decisões para não desagradar outro colega juiz ou o presidente do tribunal; quando sentenças são proferidas para não comprometer algum político de influência e poder; quando julgamentos são motivados por quaisquer razões mesquinhas, menos pelo verdadeiro senso de justiça, que deveria brotar da consciência iluminada por Deus.
Esses sórdidos atos ferem de morte a essência da vocação judicante: julgar com justiça. Não respondem os clamores dos injustiçados, as dores dos oprimidos, as revoltas dos famintos! Pessoas que incorrem nessa prática esquecem que o mesmo Deus que lhes concedeu a graça da inteligência, da cultura e do conhecimento do ordenamento jurídico vai lhes pedir contas após sua morte, perguntando-lhes: “O que você fez com toda a inteligência que lhe dei ? Fez o bem ou fez o mal ? Com suas decisões, sentenças e julgamentos, você me deu de comer quando tive fome, me deu de beber quando tive sede, me vestiu quando eu estava nu ?” (Cf. Mt 25, 35-36).
Os magistrados que cometem tais violações à lei de Deus esquecem-se de que serão um dia julgados pelo justo Juiz! Vivem esses homens e mulheres como se aqui fosse a eternidade, como se o poder que detêm fosse ilimitado e infinito.
No final de suas vidas, com certeza, serão tomados por um desespero interior quando olharem para trás e virem um mar pútrido de corrupção e injustiças! Passaram a vida, diferentemente de Cristo, sem fazer o bem!
A eles fora dada a oportunidade de fazer a diferença neste mundo injusto, porém assim não procederam; ao contrário, com o exercício de seu ofício, aumentaram a maldade, propagaram a injustiça!
Deus, que é o sumo bem, em quem não há mal algum, dir-lhes-á: “Retirai-vos de mim, malditos!” (Mt 25, 41).
A verdadeira crise da Justiça brasileira é a da consciência. Diante de um litígio que lhe chega às mãos, todo juiz sabe como decidir para que seja feita justiça ou como julgar pelos seus escusos interesses. A sua escolha mostrará se ele sentenciou conforme sua consciência iluminada por Deus, ou não.
Não nos esqueçamos desta gritante verdade: o que fazemos nesta vida ecoa na eternidade!
Shalom!
Álvaro Amorim.
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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Imagem: http://www.morguefile.com

2 Comentários:

Anônimo comentou:

Oi Álvaro!!!
Excelente artigo!!!
Sou estudante de direito, vou cursar o 8º periodo e fico muito triste qd vejo os professores falando da realidade da profissão, pois são poucos que primam pela ética.
Eu não quero advogar, quero ir pra outro rumo. Que o Senhor me ajude a ser uma boa profissional.

Deus abençoe vc e sua familia!!
Shalom!!
Raiane
Petrolina-PE

Álvaro Amorim comentou:

Querida Raiane,
Realmente, é desafiante ser sal nessa terra do Direito, ser luz nesse mundo jurídico, mas Deus é quem nos capacita.
Que o Senhor encaminhe você profissionalmente para o lugar onde mais e melhor você possa evangelizar.
Shalom!
Álvaro Amorim.

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