A origem da vida

     Iniciamos com este post uma série de artigos sobre Bioética. Obviamente, o primeiro texto trata sobre a origem da vida.
     Por isto, é bom vermos o que diz a Palavra de Deus:
     “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.” (Jo 1, 1-4)[1]. (Grifos nossos).
      Com certeza, eu e você já nos fizemos esta pergunta: “O que é a vida ?” Talvez, pensamos que a vida é simplesmente viver, existir, “estar vivo!” Realmente, todos nós experimentamos a vida, pois vivemos; mas não se torna para nós tão simples definir o que ela é.
      A ciência tem buscado defini-la, conhecê-la. Porém, sempre tem restado algo a ser dito, ou sempre algo que foi dito é contestado, refutado, superado, o que demonstra que o conceito de vida nos ultrapassa, e o esforço para defini-la não é uma tarefa que cabe somente à ciência, mas também à fé, pois a vida é um mistério, ou seja, algo que a inteligência humana, por si só, é incapaz de explicar ou compreender.
     A Igreja, como boa mestra que é, ensina-nos no Catecismo sobre a vida e sua origem. Vejamos, portanto, os seguintes parágrafos do Catecismo da Igreja Católica[2], analisando um por um:
     283. A questão das origens do mundo e do homem tem sido objeto de numerosas investigações científicas, que enriqueceram magnificamente os nossos conhecimentos sobre a idade e a dimensão do cosmos, a evolução dos seres vivos, o aparecimento do homem. Tais descobertas convidam-nos, cada vez mais, a admirar a grandeza do Criador e a dar-lhe graças por todas as suas obras, e pela inteligência e saber que dá aos sábios e investigadores. Estes podem dizer com Salomão: “Foi ele quem me deu a verdadeira ciência de todas as coisas, a fim de conhecer a constituição do Universo e a força dos elementos [...], porque a Sabedoria, que tudo criou, mo ensinou” (Sb 7, 17.21).
     A Igreja vê, portanto, nas pesquisas científicas sobre as origens do mundo e do ser humano motivo de louvor a Deus, que dotou o homem e a mulher de inteligência e saber para investigar essas origens. Não há, pois, oposição à pesquisa científica sobre nossas origens, ao contrário, elogia-se tão bela tarefa.
     Continua o Catecismo:
     284. O grande interesse atribuído a estas pesquisas é fortemente estimulado por uma questão de outra ordem, que ultrapassa o domínio próprio das ciências naturais. Porque não se trata apenas de saber quando e como surgiu materialmente o cosmos, nem quando é que apareceu o homem; mas, sobretudo, de descobrir qual o sentido de tal origem: se foi determinada pelo acaso, por um destino cego ou uma fatalidade anônima, ou, antes, por um Ser transcendente, inteligente e bom, chamado Deus. E se o mundo provém da sabedoria e da bondade de Deus, qual a razão do mal ? De onde vem ele ? Quem é por ele responsável ? E será que existe uma libertação do mesmo ?
     Ou seja: o sentido da origem do homem só pode ser dado pela fé. A ciência pode descobrir como surgiu materialmente o cosmos, por exemplo, ou quando apareceu o homem; mas o sentido da origem do homem não está no domínio das ciências naturais. Por isso, o Servo de Deus João Paulo II disse:
     “A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.”[3]
     Precisamos, então, da razão para descobrir a origem material da vida e necessitamos da fé para conhecer o sentido dessa origem. A razão pode nos dizer “como”, e a fé nos diz “para que” surgiu o ser humano.
     Isto é confirmado pelo Catecismo da Igreja Católica no seguinte parágrafo:
     286. Não há dúvida de que a inteligência humana é capaz de encontrar uma resposta para a questão das origens. Com efeito, a existência de Deus Criador pode ser conhecida com certeza pelas suas obras, graças à luz da razão humana, mesmo que tal conhecimento muitas vezes seja obscurecido e desfigurado pelo erro. E é por isso que a fé vem confirmar e esclarecer a razão na compreensão exata desta verdade: “Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível.” (Hb 11, 3).
     Também neste ponto a fé ilumina a razão humana: “o mundo foi formado pela palavra de Deus” (Hb 11, 3), pelo logos, pelo Verbo de Deus, pois “tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1, 3).
     Portanto, “Deus criou tudo por meio do Verbo Eterno, seu Filho bem-amado”[4], Jesus Cristo. O modo, o processo, os procedimentos que Deus utilizou para o aparecimento do homem são objetos da pesquisa científica. Deus criou, Deus quis o cosmos, o homem, a mulher. O procedimento que Deus utilizou para criar o cosmos, para que o homem e a mulher aparecessem na Terra — tudo isso deve ser pesquisado pela ciência.
     A vida vem de Deus, é um dom de Deus: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.” (Gn 1, 27).
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.
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[1] www.bibliacatolica.com.br (Todas as referências bíblicas foram retiradas deste sítio eletrônico)
[2] www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html
[3]www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_15101998_fides-et-ratio_po.html
[4] Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 291, Edição Típica Vaticana, Edições Loyola, São Paulo, 2000, p. 86

2 Comentários:

Emmanuel comentou:

Olá, Álvaro.
Muito boa essa série sobre bioética. É uma ótima formação para mim.
E sobre esse artigo da origem da vida, é revigorante perceber que o sentido da nossa vida está em Deus, porque ele criou tudo por Sua vontade e para que nós vivêssemos para Ele.
Hoje, chega a ser absurdo para mim imaginar que o universo se originou de uma explosão sem porque e para que. O "Big Bang" pode até ter existido, mas como você colocou o sentido da existência só se explica pela fé em Deus.
Muito obrigado, meu irmão, pelas suas formações e por ser um grande canal de graça para mim!
Deus te abençõe!
Shalom!

Álvaro Amorim comentou:

Querido Emmanuel,
Fico muito feliz por ver um acadêmico de Medicina viver a fé católica! Isto fará toda a diferença na sua profissão! Você verá!
Que Deus o abençoe sempre!
Shalom!
Álvaro Amorim.

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