Aborto: Como responder às perguntas provocadoras ?


     “Não matarás.” (Ex 20, 13).
     No post sobre o início da vida humana, vimos que “a vida começa na fecundação.
 Quando os 23 cromossomos masculinos se encontram com os 23 cromossomos femininos, todos os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco da vida” (Dr. Jérôme Lejeune). (Grifos nossos).
     Sabedora de que a vida humana inicia-se na fecundação, a Igreja, que é perita em humanidade[1], exorta todos a respeitar a vida desde a sua concepção, prescrevendo em seu Catecismo[2]:
     “A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida.”
     É óbvio, portanto, que qualquer motivo, seja grave ou não, não dá a alguém o direito, inclusive à própria mãe do ser humano que se encontra em seu seio, de tirar-lhe a vida, abortando, interrompendo sua gestação. Não importa se a gravidez foi decorrente de estupro, se a mãe corre risco de vida, se a criança possui uma doença grave, como a anencefalia (má-formação cerebral). Todos esses motivos não valem mais do que a vida humana daquele ser que não pertence ao pai, à mãe ou à sociedade, como a minha vida e a sua vida não pertencem a ninguém, somente a Deus. Logo, ninguém tem o direito de tirar a minha vida, a sua vida nem a vida de uma criança, esteja ela na fase embrionária ou fetal.
     Sobre o assassinato de crianças na fase embrionária ou fetal (o que se chama de aborto), são de uma sabedoria provinda de Deus as perguntas e respostas formuladas pelo Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, Presidente do Pró-Vida de Anápolis (GO), as quais transcrevemos a seguir.
     Essas perguntas apresentam dois tipos de respostas: as erradas, aquelas que tendemos a dar sem analisarmos bem as perguntas, e as respostas certas, as que vão à raiz da questão.
     Pergunta: Uma menina foi violentada e está grávida. Você acha que uma criança pode ser mãe de outra criança ?
     Resposta errada: Sim, a menina pode cuidar de seu bebê desde que receba ajuda da comunidade.
     Resposta certa: Mãe ela já é! Ao que parece, você não está perguntando se ela pode ser mãe de outra criança. Você pergunta se podemos matar a criança pequena em benefício da criança grande. Respondo que não. Ambas as vidas são igualmente invioláveis.
     Pergunta: É justo compelir [obrigar] uma mulher a levar adiante a gestação de um feto que não tem cérebro?
     Resposta errada: Sim, é justo!
     Resposta certa: Pelo que entendi, você pergunta se é justo dar à mãe de uma criança gravemente deficiente o direito de matá-la a fim de se ver livre dela. É claro que a mãe não tem esse direito.
     Pergunta: Você acredita que a vida de um indivíduo humano começa com a fecundação ?
     Resposta errada: Sim, eu acredito!
     Resposta certa: Não, eu não acredito nisso porque isso não é objeto de crença. É uma verdade que eu colho das Ciências Naturais. Da mesma forma, eu não acredito que a água do mar evapora, nem que o morcego é um mamífero. Não é necessária uma revelação sobrenatural para saber que um indivíduo humano começa quando é concebido. Os que defendem o aborto é que negam esse dado biológico.
     Pergunta: Nos países que legalizaram o aborto, houve uma queda do número de abortos. Não seria conveniente que os defensores da vida lutassem para legalizar o aborto ?
     Resposta errada: Não é verdade. Em todos os países em que o aborto foi legalizado, o número de abortos aumentou.
     Resposta certa: O que importa para nós, pró-vida, não é o “total geral” de abortos, mas a vida de cada criança em particular. Ainda que, por absurdo, a legalização desse crime levasse à diminuição de sua prática, não poderíamos legalizá-lo. O que importa é a proteção legal desta criança que está no ventre desta mãe. Cada bebê é precioso. Não é um simples número em uma estatística.
     Pergunta: Você não acha que cada mulher deve ter direito ao próprio corpo?
     Resposta errada: Sim, mas o direito ao próprio corpo não é ilimitado.
     Resposta certa: Pelo que entendi, para você o corpo humano se compõe de quatro partes: cabeça, tronco, membros e criança. Como a mulher corta as unhas e os cabelos, ela deveria, segundo seu pensamento, poder cortar a criança que carrega em seu útero.
    Pergunta: Atualmente só as mulheres ricas têm acesso a um aborto seguro. As mulheres pobres acabam morrendo em mãos de curiosas. Não seria melhor legalizar o aborto para pôr fim a essa hipocrisia ?
     Resposta errada: As mulheres ricas também morrem por causa da prática de aborto.
     Resposta certa: Para o bebê o aborto nunca é seguro, mas é 100% letal [mortal]. Ninguém, seja rico ou seja pobre, tem o direito de exigir segurança para si ao matar um inocente. Os ladrões não têm direito a um “roubo seguro”; os sequestradores não têm direito a um “sequestro seguro”; os homicidas não têm direito a um “homicídio seguro”.
     Pergunta: Centenas de milhares de mulheres morrem, a cada ano, por causa de abortos mal feitos. Legalizar o aborto não seria uma exigência de saúde pública ?
     Resposta errada: O número anual de mortes maternas por aborto no Brasil não chega a duas centenas.
     Resposta certa: Ainda que fosse verdade que houvesse uma multidão de mulheres mortas a cada ano por causa de “abortos mal feitos”, a solução óbvia para evitar essa mortandade seria não abortar. Ao invés de legalizar a morte dos inocentes, é preciso valorizar a maternidade e a vida intra-uterina, e dar assistência às gestantes. Isto sim é uma exigência de saúde pública! 

     Assim, meu irmão, minha irmã, pela graça de Deus, podemos responder corretamente às perguntas que nos fazem no trabalho, na família, nos círculos de amizade, sobre a vida e o aborto.
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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[1] João Paulo II, Papa. Discurso do Santo Padre às Autoridades e ao Povo de Salvador da Bahia. 6 de julho de 1980, parágrafo 3, in: www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1980/july/documents/hf_jp-ii_spe_19800706_popolo-salvador_po.html
[2] Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2270, Edição Típica Vaticana, Edições Loyola, São Paulo, 2000, p. 591
Imagem:  http://www.sxc.hu/photo/233171

4 Comentários:

Anônimo comentou:

Mande um abraço pros AMIGOS DO SHALOM de CAICÓ-RN!

Shalom;;;

Lucas.

Álvaro Amorim comentou:

Querido Lucas,
Desejo que os Amigos do Shalom de Caicó (RN) perseverem na unidade com o Carisma, em obediência ao nosso Fundador e à Santa Mãe Igreja Católica Apostólica Romana.
Um grande abraço a todos!
Shalom!
Álvaro Amorim.
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

Marcos comentou:

Muito bom!!!
Boas perguntas e excelentes respostas. Parabéns pelo blog, somos encorajados a evangelizar com a verdade.
Abração e que Deus te abençoe!

Álvaro Amorim comentou:

Querido Marcos,
Evangelizemos sempre!
Agradeço por suas palavras e peço a Jesus que abençoe, pela intercessão de Maria Santíssima, toda a sua família!
Shalom!
Álvaro Amorim.
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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