As pesquisas com células-tronco embrionárias e células-tronco adultas

     Na Revista Canção Nova, de agosto de 2008, há uma entrevista com a Professora Doutora Lílian Piñero, Phd em Biologia Molecular, Presidente do Instituto de Pesquisa de Células-Tronco (IPCTRON), que aborda de maneira simples e profunda este tema. Por isso, reproduzo aqui algumas perguntas e respostas dessa entrevista[1], dando prosseguimento assim à série de artigos sobre Bioética:
     Revista: Qual a maior dificuldade que os cientistas encontram atualmente para desenvolver pesquisas com células-tronco ? O que é preciso para modificar essa realidade ?
     Dra. Lílian Piñero: As células-tronco adultas, isto é, as obtidas da medula óssea ou do sangue do cordão umbilical ou do produto lipoaspirado ou do dente, são células que estão sendo estudadas e aplicadas nos seres humanos desde 1988, em casos de leucemia e, em 2001, em doenças cardíacas e doenças auto-imunes. Enquanto as células-tronco embrionárias devem ser DOMADAS, pois, até o presente momento, elas causam teratomas — tumores — e rejeição. Os países desenvolvidos estudam estas células há 20 anos sem nenhum resultado.
     Revista: Células-tronco do próprio paciente adulto poderão, no futuro, ser utilizadas para regenerar seus próprios tecidos ou órgãos lesados ?
     Dra. Lílian Piñero: Em pesquisa, o Brasil é pioneiro em estudo com células-tronco adultas, as quais já estão sendo aplicadas nos seres humanos em vários casos de doença, como, por exemplo, cardiopatias, diabetes, nervos periféricos, derrame cerebral, entre outras, desde 2001. Só que a mídia, na época, não divulgou o fato.
     Revista: O uso de células-tronco pode vir a substituir determinados tipos de transplantes ? Cite, por favor, um exemplo.
     Dra. Lílian Piñero: As pesquisas mostram que a terapia celular poderá substituir o transplante do coração.
     Revista: Terapias com células-tronco bastarão ou sempre haverá necessidade de conjugá-las com outras terapias ?
     Dra. Lílian Piñero: Estudando bem os fatores epigenéticos, isto é, fatores que interferem na diferenciação das células-tronco adultas existentes em todos os tecidos do paciente, já estamos melhorando a qualidade de vida dos pacientes brasileiros.
     Revista: O Brasil conseguiu que sejam liberadas as pesquisas com células-tronco embrionárias. Qual o futuro dessa área no País ? Em quanto tempo o estudo de células-tronco levará para render algum tipo de terapia para a população ?
     Dra. Lílian Piñero: As células-tronco adultas são as que PODEM ser aplicadas, as embrionárias, NÃO, pois até o momento causam efeitos colaterais, rejeição e teratomas [tumores]. O Governo Brasileiro deve investir em técnicas imediatas que estão mostrando melhora na qualidade de vida do brasileiro, ou seja, nas células-tronco adultas. Esta lei [Lei n° 11.105/2005, Lei de Biossegurança] é uma lei “caduca”.
     Revista: Com a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias, há quem acredite que haverá um estímulo para a geração de um mercado informal de embriões. A senhora acredita nisso ? Explique o porquê.
     Dra. Lílian Piñero: SIM. Porque os embriões podem formar linhagens que podem ser patenteadas.
     Revista: A utilização de células-tronco de pré-embriões produzidos in vitro gera a polêmica de se destruir uma possível “vida”. Qual sua opinião a respeito ?
     Dra. Lílian Piñero: O MAIOR TRATADO DE EMBRIOLOGIA, de Moore, diz, na página 18, que o encontro do espermatozoide com o óvulo é o início da vida humana, basta deixá-lo desenvolver-se. Os religiosos aprenderam esta definição do início da vida humana com os cientistas.
     Como podemos perceber pela entrevista com a Dra. Lílian Piñero, as pesquisas com células-tronco adultas, que não matam seres humanos, como fazem as pesquisas com células-tronco embrionárias, estão bem mais avançadas; mas, como ela mesma disse, as pesquisas com células-tronco embrionárias gerarão um MERCADO informal de embriões, ou seja, o interesse econômico é, na verdade, o grande motivador para a “preferência” pelas pesquisas com células-tronco embrionárias, para a morte de seres humanos para fins “terapêuticos”!
     Shalom!
     Álvaro Amorim.
     Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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[1] Revista Canção Nova, Ano VII, n° 92, agosto de 2008, pp.8-9
Imagem: http://blog.cancaonova.com/pensandobem/files/2008/03/celulas-tronco.jpg

2 Comentários:

Lucas Amaral comentou:

Muito bom ouvir de uma cientista o que Deus já inspirou em nossos corações. Parabéns pelo oportuníssimo post. Deus abeçoe. Shalom!

Álvaro Amorim comentou:

Querido Lucas,
Realmente, a Igreja colhe da ciência subsídios para defender a vida. Assim, ciência e fé caminham juntas!
Shalom!
Álvaro Amorim.
Consagrado na Comunidade Católica Shalom.

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